Segunda-feira, 9 de Dezembro, 2019
Opinião

Apoiar a comunicação social

por Francisco Sarsfield Cabral

O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos.

O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e espera, até, que o Orçamento para 2020 inclua medidas de apoio à comunicação social.

A responsabilidade do Estado tem a ver com a sua obrigação de contribuir para uma democracia de qualidade. A qual não poderá existir se a maioria das pessoas recolher a sua informação sobre a “coisa pública” apenas através de redes sociais com as quais sinta afinidades.

Será, então, muito difícil promover um debate público contraditório, onde sejam apresentados vários pontos de vista: cada pessoa lê e ouve só aquilo de que gosta e com o que à partida concorda e se identifica, ignorando quaisquer alternativas.

 

Temos um exemplo dessa situação no que se passa com o presidente Trump. Este é alvo de graves acusações de ter usado a política externa do seu país para benefício pessoal – ao condicionar uma ajuda financeira dos EUA à Ucrânia a uma investigação, neste país, ao filho do seu possível rival Joe Biden, assim desacreditando um eventual oponente na eleição presidencial de 2020.

 

Ora, por mais perturbadores casos que surjam a partir da Casa Branca, os fiéis apoiantes de Trump pura e simplesmente ignoram tais casos. Como as acusações são veiculadas pela imprensa e por jornalistas (que Trump detesta) logo concluem que se trata de “fake news”, notícias falsas…

 

Dito isto, eventuais apoios estatais a órgãos de comunicação privados, a concretizarem-se, terão de ser rodeados de muitas cautelas. O Estado – incluindo a nível autárquico – tem a permanente tentação de influenciar os jornalistas.

Por isso o Presidente Marcelo alertou para que, nos eventuais apoios, “é preciso garantir que (serão atribuídos) de uma forma geral e abstrata, que não há favores, que não há privilégios, que não é financiar o grupo A, B ou C, que não é comprar a fidelidade política, que não é uma forma de limitar a liberdade de Imprensa. Pelo contrário, é promover a liberdade de Imprensa”.

São avisos oportunos, que depois terão de ser respeitados no concreto. Uma coisa é certa: por muito grave que seja, agora, a situação da comunicação social portuguesa – e é – o preço para a salvar não pode ser a perda da independência jornalística. Seria um custo demasiado elevado. 

Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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