Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Media

Inovação no jornalismo carece de recursos

Os jornalistas estão sob uma pressão constante para contarem as histórias mais rápidamente e melhor do que qualquer outro. 

Contudo, poucas redacções são capazes de facultar aos jornalistas as ferramentas e os recursos de que precisam para enfrentarem esse desafio. 

Os media procuram novas formas de comunicar com os seus leitores. Contudo, as redacções são resistentes à mudança e continuam a seguir os métodos que usam há décadas, sem inovar. Em Portugal, há redacções que não têm um jornalista de dados.

Para inovar há que ousar ser diferente e não gastar tempo e recursos a imitar o que já foi feito, sem adicionar qualquer valor para o leitor.

O jornalismo enfrentou vários desafios ao longo da história da profissão e a capacidade de adaptação sempre foi um requisito fundamental para os profissionais do sector.

O surgimento da televisão previa o fim da rádio, mas tal nunca chegou a acontecer. Agora, a internet e as redes sociais antecipavam o fim dos jornais. A internet tem sido, de facto, um verdadeiro desafio para o sector dos media, pois o livre acesso à informação faz com que os leitores não queiram pagar pelo jornalismo, mesmo que de qualidade. 

De acordo com a última edição da Reuters Digital News Report, apenas 7% das pessoas estão dispostas a pagar por notícias.

A jornalista do Público Liliana Borges analisa, num artigo publicado no site do Observatório de Jornalismo Europeu, a inovação da informação e algumas soluções portuguesas.

Para inovar na informação e produzir artigos criativos e envolventes é necessário prestar atenção a tudo o que acontece no mundo e analisar a informação de forma inteligente. Para tal, é necessário tempo e recursos.

 

Espera-se que, hoje em dia, os jornalistas escrevam, fotografem, gravem, editem e façam a gestão das redes sociais, mas as redacções, raramente, disponibilizam todos os recursos e o tempo necessários para o efeito.

 

Poucos são os jornalistas a quem lhes é atribuído um telemóvel, dispositivo de gravação ou um portátil do meio de comunicação, principalmente se estiverem no início de carreira. Associado a isto, os baixos salários dos jovens jornalistas portugueses não permitem investimentos.

 

O jornalismo independente é vital para a democracia, mas não deixa de ter custos. 

 

Para ajudar os meios de comunicação social a evitar a armadilha da dependência financeira de interesses políticos e outros, algumas grandes instituições (como a União Europeia e o Google) disponibilizaram fundos para pagar projectos jornalísticos específicos, e há alguns grandes exemplos do que se pode conseguir com este tipo de patrocínio. 

 

O projecto "A Europa Que Conta" do Público, lançado antes das eleições europeias, foi patrocinado pelo Parlamento Europeu

 

O jornal  Público criou, também, um podcast diário chamado P24 , inicialmente patrocinado pelo Google e foi um sucesso tal que, quando o financiamento chegou ao fim, o Público decidiu manter o projecto em funcionamento. 

 

Mais informação em EJO.

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
O Presidente da República voltou a falar na necessidade de o Estado tomar medidas de apoio à comunicação social. Marcelo Rebelo de Sousa discursava na apresentação de um programa do “Público” para dar a estudantes universitários acesso gratuito a assinaturas daquele jornal, com o apoio de entidades privadas que pagam metade dos custos envolvidos. O Presidente entende, e bem, que o Estado tem responsabilidades neste campo e...
A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos. A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas...
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