Os jornalistas estão sob uma pressão constante para contarem as histórias mais rápidamente e melhor do que qualquer outro.
Contudo, poucas redacções são capazes de facultar aos jornalistas as ferramentas e os recursos de que precisam para enfrentarem esse desafio.
Os media procuram novas formas de comunicar com os seus leitores. Contudo, as redacções são resistentes à mudança e continuam a seguir os métodos que usam há décadas, sem inovar. Em Portugal, há redacções que não têm um jornalista de dados.
Para inovar há que ousar ser diferente e não gastar tempo e recursos a imitar o que já foi feito, sem adicionar qualquer valor para o leitor.
O jornalismo enfrentou vários desafios ao longo da história da profissão e a capacidade de adaptação sempre foi um requisito fundamental para os profissionais do sector.
O surgimento da televisão previa o fim da rádio, mas tal nunca chegou a acontecer. Agora, a internet e as redes sociais antecipavam o fim dos jornais. A internet tem sido, de facto, um verdadeiro desafio para o sector dos media, pois o livre acesso à informação faz com que os leitores não queiram pagar pelo jornalismo, mesmo que de qualidade.
De acordo com a última edição da Reuters Digital News Report, apenas 7% das pessoas estão dispostas a pagar por notícias.
A jornalista do Público Liliana Borges analisa, num artigo publicado no site do Observatório de Jornalismo Europeu, a inovação da informação e algumas soluções portuguesas.
Para inovar na informação e produzir artigos criativos e envolventes é necessário prestar atenção a tudo o que acontece no mundo e analisar a informação de forma inteligente. Para tal, é necessário tempo e recursos.
Espera-se que, hoje em dia, os jornalistas escrevam, fotografem, gravem, editem e façam a gestão das redes sociais, mas as redacções, raramente, disponibilizam todos os recursos e o tempo necessários para o efeito.
Poucos são os jornalistas a quem lhes é atribuído um telemóvel, dispositivo de gravação ou um portátil do meio de comunicação, principalmente se estiverem no início de carreira. Associado a isto, os baixos salários dos jovens jornalistas portugueses não permitem investimentos.
O jornalismo independente é vital para a democracia, mas não deixa de ter custos.
Para ajudar os meios de comunicação social a evitar a armadilha da dependência financeira de interesses políticos e outros, algumas grandes instituições (como a União Europeia e o Google) disponibilizaram fundos para pagar projectos jornalísticos específicos, e há alguns grandes exemplos do que se pode conseguir com este tipo de patrocínio.
O projecto "A Europa Que Conta" do Público, lançado antes das eleições europeias, foi patrocinado pelo Parlamento Europeu.
O jornal Público criou, também, um podcast diário chamado P24 , inicialmente patrocinado pelo Google e foi um sucesso tal que, quando o financiamento chegou ao fim, o Público decidiu manter o projecto em funcionamento.
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A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.