Sexta-feira, 25 de Setembro, 2020
Media

Inovação no jornalismo carece de recursos

Os jornalistas estão sob uma pressão constante para contarem as histórias mais rápidamente e melhor do que qualquer outro. 

Contudo, poucas redacções são capazes de facultar aos jornalistas as ferramentas e os recursos de que precisam para enfrentarem esse desafio. 

Os media procuram novas formas de comunicar com os seus leitores. Contudo, as redacções são resistentes à mudança e continuam a seguir os métodos que usam há décadas, sem inovar. Em Portugal, há redacções que não têm um jornalista de dados.

Para inovar há que ousar ser diferente e não gastar tempo e recursos a imitar o que já foi feito, sem adicionar qualquer valor para o leitor.

O jornalismo enfrentou vários desafios ao longo da história da profissão e a capacidade de adaptação sempre foi um requisito fundamental para os profissionais do sector.

O surgimento da televisão previa o fim da rádio, mas tal nunca chegou a acontecer. Agora, a internet e as redes sociais antecipavam o fim dos jornais. A internet tem sido, de facto, um verdadeiro desafio para o sector dos media, pois o livre acesso à informação faz com que os leitores não queiram pagar pelo jornalismo, mesmo que de qualidade. 

De acordo com a última edição da Reuters Digital News Report, apenas 7% das pessoas estão dispostas a pagar por notícias.

A jornalista do Público Liliana Borges analisa, num artigo publicado no site do Observatório de Jornalismo Europeu, a inovação da informação e algumas soluções portuguesas.

Para inovar na informação e produzir artigos criativos e envolventes é necessário prestar atenção a tudo o que acontece no mundo e analisar a informação de forma inteligente. Para tal, é necessário tempo e recursos.

 

Espera-se que, hoje em dia, os jornalistas escrevam, fotografem, gravem, editem e façam a gestão das redes sociais, mas as redacções, raramente, disponibilizam todos os recursos e o tempo necessários para o efeito.

 

Poucos são os jornalistas a quem lhes é atribuído um telemóvel, dispositivo de gravação ou um portátil do meio de comunicação, principalmente se estiverem no início de carreira. Associado a isto, os baixos salários dos jovens jornalistas portugueses não permitem investimentos.

 

O jornalismo independente é vital para a democracia, mas não deixa de ter custos. 

 

Para ajudar os meios de comunicação social a evitar a armadilha da dependência financeira de interesses políticos e outros, algumas grandes instituições (como a União Europeia e o Google) disponibilizaram fundos para pagar projectos jornalísticos específicos, e há alguns grandes exemplos do que se pode conseguir com este tipo de patrocínio. 

 

O projecto "A Europa Que Conta" do Público, lançado antes das eleições europeias, foi patrocinado pelo Parlamento Europeu

 

O jornal  Público criou, também, um podcast diário chamado P24 , inicialmente patrocinado pelo Google e foi um sucesso tal que, quando o financiamento chegou ao fim, o Público decidiu manter o projecto em funcionamento. 

 

Mais informação em EJO.

Connosco
Campanha de emergência para os "media" desencadeada em Espanha Ver galeria

A Federação de Associações de Jornalistas de Espanha (FAPE) -- integrada pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria --  juntou-se à Federação Internacional de Jornalistas (IFJ), e à UNI Global Union para lançar uma campanha de emergência para os “media”. 

Face à grave crise económica, espoletada pela pandemia, os sindicatos exigem que os governos nacionais intervenham nos “media”, garantindo a qualidade, a ética, a solidariedade, os direitos laborais e as liberdades fundamentais.

Além disso, as associações querem pressionar os governos a introduzir um imposto sobre os serviços digitais , que têm monopolizado as receitas da publicidade nos meios de comunicação.

"A actual crise global de saúde está a agravar as dificuldades enfrentadas pelo sector da imprensa escrita", advertiu Anthony Bellanger, secretário-geral do IFJ. "Os governos devem reagir com urgência. Os ‘media’ são um bem público e um pilar fundamental das nossas democracias”.


A televisão tem passado e futuro democrático Ver galeria

A evolução da tecnologia veio, ao longo dos tempos, servir os “media”, oferecendo-lhes novos mecanismos para transmitir a informação e de alargar as audiências

A televisão, que celebra agora 70 anos no Brasil, é considerada uma das mais importantes “máquinas” dessa mesma evolução, já que se impôs no “modus vivendi” da Humanidade, moldando os seus hábitos e gostos.

Mas, mais do que isso -- recordou Alexander Goulart num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- a televisão, que nasceu como simples aparato tecnológico para transmissão de imagens, foi recebendo outros atributos, especialmente de cunho social, político, económico e cultural.

No Brasil, a TV nasceu sob a marca do entretenimento. Em poucos anos, ganhou fama e difundiu-se largamente. “Como uma espécie de hipnose massificante, na visão de muitos críticos, tomou conta das classes e o Brasil real passou a ser representado na tela. Nos anos 60, 70 e 80, a TV  tornou-se o principal “media” brasileiro, agente da unificação e geradora de uma identidade nacional”, recordou o autor.

“O sistema ‘broadcasting’ -- acrescentou, ainda, Goulart --  formando as redes, sobrepôs o nacional ao regional e o Brasil real passou a ser aquele que é reproduzido a partir de um determinado ponto de vista, que informava e entretinha a maioria da população”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Opinião
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Uma crise sem precedentes
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Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo