Segunda-feira, 20 de Janeiro, 2020
Tecnologias

A Inteligência artificial pode beneficiar o jornalismo

Em Fevereiro passado, a Polis, o think-tank internacional de jornalismo da London School of Economics and Political Science, iniciou um projecto de investigação em colaboração com a Google News Initiative com o objectivo de investigar a relação entre jornalismo e inteligência artificial.

Depois de sete meses de trabalho e de colaborações com 71 organizações de media que recorrem a esta tecnologia, a Journalism AI publicou, recentemente, as conclusões, num relatório lançado na Hacks/Hackers London, a 18 de Novembro.

Medium entrevistou o director fundador da Polis, Charlie Beckett sobre o IA e o jornalismo.

Segundo Beckett, “o relatório chega num momento crítico para o sector de notícias, mas também num momento vital para essas tecnologias de IA. As organizações de notícias de todo o mundo, de todos os tipos, estão a começar a utilizar a IA de forma significativa – desde investigações, à personalização, à forma como as notícias são consumidas.”

“O relatório mostra que já existem alguns usos imaginativos e eficientes, mas há, também, uma série de desafios, como treino e viés algorítmico. O jornalismo está sob pressão como negócio, mas também está lutando para provar o seu valor num mundo de desinformação e conflito político. A IA não vai resolver todos esses problemas, mas a menos que entendamos melhor, vamos perder uma chance de melhorar a capacidade do jornalismo de prosperar num mundo orientado por dados”.

 

Muitas redacções continuam a evitar esta tecnologia ou utilizam o IA de forma fraccionada. Algumas apenas agora começam a ver como podem criar estratégias para maximizar a sua eficácia no processo de criação de notícias, desde a recolha, até a produção e distribuição. 

 

“Acho que a melhor comparação é com os estágios iniciais das redes sociais, há cerca de dez anos, quando algumas organizações de notícias estavam apenas a experimentar o Facebook ou o Twitter, enquanto outras entenderam que isso iria eventualmente mudar todo o seu negócio e sistemas editoriais”.

 

Para o director fundador da Polis, uma das maiores questões em torno da IA para o jornalismo é a falta de recursos para pesquisa e desenvolvimento no sector do jornalismo, sendo que apenas as redações maiores têm recursos humanos e financeiros para adoptar essa tecnologia de forma sistemática. 

 

“Portanto, o perigo é que as pequenas empresas jornalísticas possam ser deixadas para trás. No entanto, há também sinais de que as organizações noticiosas locais e especializadas podem usar a IA para obter uma vantagem comparativa, se se concentrarem nas suas necessidades e objectivos”. 

 

Um dos maiores desafios à adopção da IA, citado pelos entrevistados, é a resistência cultural (24%), incluindo o medo de perder empregos. 

 

É fundamental que não se abondonem os bons valores do jornalismo para usar a nova tecnologia e os inquiridos consideram, também, que é há necessidade de se realizar um investimento maciço em treino, competências e educação, não só para a equipa de TI especializada, mas para toda a redacção. 

 

“A IA não vai matar o jornalismo, mas também não vai salvá-lo sozinha. No entanto, pode desempenhar um papel na ajuda ao jornalismo para provar o seu valor para o público, numa altura em que a desinformação e a polarização estão a tornar mais difícil do que nunca para o cidadão encontrar os factos e o debate que o podem ajudar a viver as suas vidas. O facto é que vamos todos viver num mundo em que os enormes fluxos de dados serão impulsionados por algoritmos, muitas vezes moldados por empresas de tecnologia e outras organizações. A IA pode ajudar o jornalismo a combater directamente "notícias falsas", por exemplo, através de sistemas de autenticação automatizados. De um modo mais geral, pode ajudar a mostrar ao público em que informações confiar e a criar melhores formas de ligar bons conteúdos às pessoas que deles necessitam”, explica Beckett.

 

 

Mais informação em Medium.

Connosco
Novas ferramentas para gerir os "media online" Ver galeria

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

Crise gera em Espanha modelos jornalísticos inovadores Ver galeria

A indústria do jornalismo em Espanha está em crise há mais de uma década. O colapso do crescimento económico afectou todas as áreas. Os fabricantes reduziram orçamentos de publicidade, o desemprego reduziu o poder de compra das famílias, que, por sua vez,  diminuíram as suas despesas, incluindo as dos meios de comunicação social.
O autor analisa os novos modelos de projetos que procuram responder aos desafios informativos actuais,  com apostas diferentes dos convencionais, baseados na verificação informativa, no uso dos mecanismos de transparência, na contextualização informativa, no jornalismo de dados ou na visualização.

Os meios de comunicação social também reduziram as suas despesas, entre 2005 e 2008, pelo menos 12 200 empregos foram suprimidos, segundo dados do Relatório da Profissão Jornalística de 2015. E em 2018, o investimento em publicidade ainda era 30% inferior ao de 2008.

O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
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