Quarta-feira, 22 de Setembro, 2021
Tecnologias

A Inteligência artificial pode beneficiar o jornalismo

Em Fevereiro passado, a Polis, o think-tank internacional de jornalismo da London School of Economics and Political Science, iniciou um projecto de investigação em colaboração com a Google News Initiative com o objectivo de investigar a relação entre jornalismo e inteligência artificial.

Depois de sete meses de trabalho e de colaborações com 71 organizações de media que recorrem a esta tecnologia, a Journalism AI publicou, recentemente, as conclusões, num relatório lançado na Hacks/Hackers London, a 18 de Novembro.

Medium entrevistou o director fundador da Polis, Charlie Beckett sobre o IA e o jornalismo.

Segundo Beckett, “o relatório chega num momento crítico para o sector de notícias, mas também num momento vital para essas tecnologias de IA. As organizações de notícias de todo o mundo, de todos os tipos, estão a começar a utilizar a IA de forma significativa – desde investigações, à personalização, à forma como as notícias são consumidas.”

“O relatório mostra que já existem alguns usos imaginativos e eficientes, mas há, também, uma série de desafios, como treino e viés algorítmico. O jornalismo está sob pressão como negócio, mas também está lutando para provar o seu valor num mundo de desinformação e conflito político. A IA não vai resolver todos esses problemas, mas a menos que entendamos melhor, vamos perder uma chance de melhorar a capacidade do jornalismo de prosperar num mundo orientado por dados”.

 

Muitas redacções continuam a evitar esta tecnologia ou utilizam o IA de forma fraccionada. Algumas apenas agora começam a ver como podem criar estratégias para maximizar a sua eficácia no processo de criação de notícias, desde a recolha, até a produção e distribuição. 

 

“Acho que a melhor comparação é com os estágios iniciais das redes sociais, há cerca de dez anos, quando algumas organizações de notícias estavam apenas a experimentar o Facebook ou o Twitter, enquanto outras entenderam que isso iria eventualmente mudar todo o seu negócio e sistemas editoriais”.

 

Para o director fundador da Polis, uma das maiores questões em torno da IA para o jornalismo é a falta de recursos para pesquisa e desenvolvimento no sector do jornalismo, sendo que apenas as redações maiores têm recursos humanos e financeiros para adoptar essa tecnologia de forma sistemática. 

 

“Portanto, o perigo é que as pequenas empresas jornalísticas possam ser deixadas para trás. No entanto, há também sinais de que as organizações noticiosas locais e especializadas podem usar a IA para obter uma vantagem comparativa, se se concentrarem nas suas necessidades e objectivos”. 

 

Um dos maiores desafios à adopção da IA, citado pelos entrevistados, é a resistência cultural (24%), incluindo o medo de perder empregos. 

 

É fundamental que não se abondonem os bons valores do jornalismo para usar a nova tecnologia e os inquiridos consideram, também, que é há necessidade de se realizar um investimento maciço em treino, competências e educação, não só para a equipa de TI especializada, mas para toda a redacção. 

 

“A IA não vai matar o jornalismo, mas também não vai salvá-lo sozinha. No entanto, pode desempenhar um papel na ajuda ao jornalismo para provar o seu valor para o público, numa altura em que a desinformação e a polarização estão a tornar mais difícil do que nunca para o cidadão encontrar os factos e o debate que o podem ajudar a viver as suas vidas. O facto é que vamos todos viver num mundo em que os enormes fluxos de dados serão impulsionados por algoritmos, muitas vezes moldados por empresas de tecnologia e outras organizações. A IA pode ajudar o jornalismo a combater directamente "notícias falsas", por exemplo, através de sistemas de autenticação automatizados. De um modo mais geral, pode ajudar a mostrar ao público em que informações confiar e a criar melhores formas de ligar bons conteúdos às pessoas que deles necessitam”, explica Beckett.

 

 

Mais informação em Medium.

Connosco
World Press Photo em exposição no Parque dos Poetas em Oeiras Ver galeria

A 64.ª edição da World Press Photo estará patente no Parque dos Poetas, Entrada do Templo da Poesia, até ao dia 15 de Outubro, com entrada gratuita

Além da visita à exposição, haverá “workshops” de fotografia aos sábados, com fotojornalistas de renome. Estão já confirmados, nesta iniciativa, Arlindo Camacho, Rita Ferro Alvim, Gonçalo F. Santos e Marcos Borga.

Criado em 1955 pela organização homónima, o concurso World Press Photo premeia, anualmente, fotografias que dão a conhecer ao público questões e momentos cruciais e fracturantes, que marcam a actualidade de povos e de sociedades em todo o mundo.

Neste ano, o concurso recebeu 4 315 fotógrafos de 130 países, com 74 470 imagens inscritas. Os vencedores do concurso anual de fotografia World Press Photo são 45 fotógrafos de 28 países: Argentina, Arménia, Austrália, Bangladesh, Bielorrússia, Brasil, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos da América, França, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Itália, Irão, Irlanda, México, Myanmar, Peru, Filipinas, Polónia, Portugal, Rússia, Eslovénia, Espanha, Suécia e Suíça.

Publicações "online" devem diversificar oferta de conteúdos para captar jovens Ver galeria

Com a chegada da era digital, os jornais “online” passaram a focar-se na retenção de uma audiência jovem, como forma de conquistar a sua lealdade enquanto consumidores de notícias e de garantir a sustentabilidade financeira a longo prazo.

Apesar de todos os esforços, os jovens têm-se demonstrado reticentes quanto à subscrição de serviços noticiosos digitais, preferindo a consulta de informação através das redes sociais.

Agora, um estudo realizado pela Agência de Imprensa Alemã DPA, em conjunto com Associação Alemã de Editores Digitais e Editores de Jornais (BDZV), revelou o principal motivo deste fenómeno: os jovens não gostam de ser tratados como um grupo homogéneo.

Isto significa, conforme indica o documento, que, de forma a alcançarem o seu objectivo, as publicações “online” devem diversificar a sua oferta de conteúdos, indo ao encontro dos diferentes tópicos e problemáticas sociais.

Além disso, a pesquisa, atesta que há grandes diferenças dentro da mesma faixa etária. “Adolescentes e jovens têm hábitos de consumo, interesses, exigências e necessidades diferentes em relação ao conteúdo das notícias. Dentro da mesma faixa etária, as orientações são muito diferentes ”.

“Mais concretamente -- acrescenta o relatório -- enquanto alguns usam quase exclusivamente fontes jornalísticas para satisfazer a sua grande sede de informação (...), outros utilizadores preferem os conteúdos de comunicadores individuais, como actores e influenciadores”.

O estudo revela, da mesma forma, que os jovens sentem necessidade de ter uma relação próxima com as fontes de informação, como se as publicações falassem, especificamente, sobre os problemas que enfrentam no dia a dia.

O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


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Opinião
O impacto da pandemia no universo mediático está longe de encontrar-se esgotado, apesar das promessas de “libertação” da sociedade, ensaiadas por vários governos, entre os quais o português, em doses apreciáveis.O jornalismo tornou-se mais fechado, confirmando uma tendência que não é nova de os jornalistas recorrerem à Internet e às redes sociais como fonte predominante de informação.Os...
O que une radicais de direita e de esquerda
Francisco Sarsfield Cabral
Contra o que frequentemente se julga, um radical de direita não está a uma distância de 180 graus de um radical de esquerda. Ambos partilham um desprezo pela democracia liberal, que consideram um regime político “mole”, sem “espinha dorsal”. Não aceitam que quem pense de maneira diferente da nossa não seja um inimigo a abater.  No passado dia 1 a Eslovénia sucedeu a Portugal na presidência semestral da UE....
Uma das coisas que mais me intriga e cansa no jornalismo que se faz atualmente em Portugal é a ausência de sentido crítico, a incapacidade de arriscar e de fazer diferente. Estão todos a correr para dar as mesmas notícias e fazer as mesmas perguntas. E, quando conseguem o objetivo, ficam com a sensação de dever cumprido.Vem isto a propósito da não notícia que ocupa lugar diário nos títulos da imprensa, dos...
Venham mais 40!...
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A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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World News Media Congress
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Jornalismo durante a pandemia: o que aprendemos?
10:00 @ Conferência "online" da FAPE
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