Sábado, 11 de Julho, 2020
Media

Centro Báltico ensaia novos modelos para o jornalismo investigativo

Um dos principais actores no campo do jornalismo colaborativo no Báltico é o Re:Baltica – Centro Báltico para a Investigação do Jornalismo de Investigação. O projecto está sediado na capital da Letónia, Riga, e foi criado há oito anos, introduzindo duas ideias inovadoras para a prática do jornalismo na região.

O Centro realiza pesquisas e cria uma história e, posteriormente, fornece-a, a título gratuito, aos meios de comunicação. Em segundo lugar, adoptou um novo modelo de negócio, que depende principalmente de doações e concessões.

O Observatório Europeu de Jornalismo falou recentemente com Inga Springe, questionando-a sobre o trabalho quotidiano de uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos, e os desafios que actualmente enfrenta.

Springe defende que que o problema não é o das pessoas lerem o jornal "certo" ou "errado". O problema é não lerem os media tradicionais. Esse foi o motivo que a levou a impulsionar com o projecto Re:Baltica Light e várias reportagens sob a rubrica #StarpCitu (#ByTheWay), disponíveis no YouTube e no Facebook.

Um artigo sobre a organização foi publicado, pela primeira vez, no site do Observatório Europeu de Jornalismo e reproduzido no site da GIJN, do qual a Re:Baltica é membro.

 

"Percebemos que precisávamos de apresentar o nosso conteúdo numa plataforma específica de media social para atingir o público das redes sociais", explica Springe.

 

Observa, também, que na Letónia, as pessoas vivem em “bolhas” de informação exclusivas, pelo que a colaboração jornalística é fundamental.

 

"Acho que os media perceberam que estamos a viver uma nova situação no mercado e não precisamos de lutar uns contra os outros, mas sim de nos mobilizarmos contra os gigantes da indústria de tecnologia, como Facebook e Google", refere, defendendo que a união é a única forma de poder vencer essa batalha.

 

De acordo com Springe, a chave para o sucesso da Re:Baltica, nos últimos anos, tem sido a sua determinação em conhecer o público e fornecer-lhe informações específicas e personalizadas.

 

Os jornalistas envolvidos no projecto também geram dinheiro, através de trabalho educacional – como palestras sobre literacia mediática –, moderação de eventos, trabalho de pesquisa e documentários.

 

A Re:Baltica colaborou com várias organizações profissionais e cívicas e com os meios de comunicação regionais, bem como com os seus parceiros regulares.

 

O modelo de negócios da Re:Baltica não depende de receitas de publicidade ou assinaturas. É baseado em vários fluxos alternativos de renda, cabendo a maior a doações.

 

Springe rejeita, contudo, a ideia de que existe o perigo deste projecto se tornar demasiado dependente dos doadores.

 

"Os seus valores nunca estiveram em conflito com os meus e os temas que lhes interessam também me interessam", explicou. Todos os doadores que dão mais de 4.999 euros têm de assinar um acordo, no qual concordam em respeitar a independência editorial da Re:Baltica.

 

A organização já se candidatou, inclusivamente, para se tornar um parceiro oficial da International Fact-Checking Network, dirigida pelo Instituto Poynter, o que significaria tornar-se um verificador de factos oficial do Facebook.

 

No que refere à partilha de conteúdos, Springe considera que "uma coisa que percebi é que dedicamos muito tempo à criação de conteúdo, mas não o suficiente para a distribuição”, sublinhando, que, como jornalista, não tem perspectivas de negócio, o que muitas vezes é um dos problemas deste tipo de iniciativas.

 

Mais informação em  GIJN.

Connosco
Quando há códigos éticos associados ao jornalismo Ver galeria

O jornalismo está em constante mudança e, como tal, os códigos éticos associados à profissão deve ser actualizados, em permanência.


Há, contudo, alguns elementos que se vão mantendo, mais ou menos, constantes, como as ideologias associadas aos jornais.

Confrontado com este cenário, Pedro Pablo Bermúdez, um estudante colombiano de jornalismo, decidiu questionar os colaboradores da Fundación Gabo quanto à sua opinião sobre os posicionamentos políticos da imprensa e dos jornalistas.

Feita a consulta, alguns jornalistas da Fundação exprimiram os seus pontos de vista.

Assim, para a jornalista Mónica González, a isenção da imprensa é uma utopia. Assim, os jornais devem tentar ser o mais transparentes possível sobre a sua posição ideológica, para que os leitores consigam distinguir uma notícia de uma falácia construída em detrimento da oposição.

Da mesma forma, as empresas mediáticas deverão revelar quais as suas fontes de financiamento e o nome dos seus investidores.


Agradecer a assinatura como forma de sensibilizar leitores Ver galeria

O modelo de negócio dos “media” está a mudar e cada vez mais títulos estão a optar pela implementação de um plano de subscrição.

Como tal, os editores procuram, naturalmente, conquistar um número crescente de leitores, que pagam, regularmente, pelo consumo dos seus conteúdos.

Ora, um estudo da Citizens and Technology Lab sugere que a forma ideal de alcançar esse objectivo passa, simplesmente, por agradecer aos subscritores pela sua contribuição.

Os responsáveis por este estudo analisaram as interacções no “site” Wikipedia, que depende de uma comunidade internacional, disposta a manter a plataforma actualizada, a custo zero. 


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague