null, 8 de Dezembro, 2019
Opinião

A “tabloidização” informativa nos “media”

por Dinis de Abreu

A “tabloidizacão” dos media portugueses parece imparável, com as televisões na dianteira, privadas e pública, sejam os canais generalistas ou temáticos.

A obsessão pelos “casos” que puxem ao drama, ao pasmo ou à lágrima, tomou conta dos telejornais e da Imprensa. A frenética disputa das audiências nas TVs e a queda continuada das vendas nos jornais são, normalmente, apontadas como a raiz dessa nova tendência para um “populismo “informativo.

Dois exemplos recentes: o bebé sem rosto, por negligência médica, e o bebé deitado ao lixo por uma mulher sem abrigo. Em ambas as situações-limite não está em causa o dever de noticiar e de investigar o que se passou, com objectividade e rigor. Mas não é defensável que temas tão delicados sejam explorados mediaticamente, dias a fio, como uma espécie de folhetim.

Com este procedimento, o que se procura é, simplesmente, aproveitar duas ocorrências singulares como “histórias que vendem”, porque emocionam e chegam ao coração das pessoas.

O alastramento desta “filosofia editorial”, que compromete o jornalismo, visa o efeito fácil, e invade territórios que precisariam de ser olhados com bom senso e respeito pelos dramas vividos, e que não são.


Por isso, começa a ser difícil distinguir os telejornais ou os títulos de Imprensa, separando os sérios de referência, dos tabloides populares. A realidade é que estão cada vez mais próximos e semelhantes, nos métodos e nas escolhas. Com um estilo mais crú ou elaborado, embarcam na mesma tentação.


É como a praga dos pseudo-debates sobre futebol que inundou as antenas, servida por um elenco de “comentadores” onde não faltam os “arruaceiros”, que se limitam a acicatar, de uma forma continuada, as paixões clubísticas, responsáveis, depois, pela violência nos estádios e pelas claques facciosas.


É tempo de parar para pensar. A menos que se queira isto mesmo, para distrair as atenções dos verdadeiros problemas que assolam o país, varridos invariavelmente para debaixo do tapete.

Mas se for essa a explicação escondida para o empolamento de certos casos ou para a zaragata em estúdio entre “comentadores ” da bola, então será legítimo suspeitar que se trata de  uma opção  política, promíscua e perigosa.

Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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Dia nacional da imprensa
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Dez
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15:00 @ Biblioteca Nacional de Portugal
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