null, 8 de Dezembro, 2019
Media

As “muletas” de linguagem de que o jornalismo abusa…

A atenção à gramática é fundamental no jornalismo.

Contudo, talvez devido à assimilação da internet, o sector jornalístico adoptou e passou a usar gírias a toda a hora, que são as chamadas “muletas”.

Existem algumas palavras e frases que são excessivamente utilizadas no jornalismo e, por isso mesmo, perderam o seu significado. A sua leitura já não permite reconhecer o sentido original da palavra.

O artigo de Alexandria Neason, publicado no Columbia Journalism Review, faz referência a algumas dessas palavras e explica porque deveria haver uma campanha para mantê-las fora das páginas das publicações.

- “Acordou/ Despertou” (woke em inglês): a autora considera que a utilização desta palavra é demasiado vaga e paternalista, portanto, deverá ser abandonada.

- “Conteúdo”: a palavra “conteúdos” é utilizada constantemente. Para a autora não há justificação para não explicar o que são esses conteúdos.

- “Sem precedentes”: muitas das vezes a palavra serve para implicar “drama” na notícia, mas raramente é devidamente utilizada.

- “Problemático”: apesar de ser muitas vezes utilizada para descrever comportamentos, a palavra não é precisa e não específica nada. A palavra deverá ser substituída por outra, que descreva com precisão o comportamento de qualquer pessoa ou instituição a que se refere.

- “Perturbar”/“disruptivo”/interromper”: (disrupt em inglês): Usamos, principalmente, esta palavra para descrever pessoas ou empresas cujo comportamento, em geral, é destrutivo.

- "As questões”: frequentemente utilizado em relatórios políticos como um substituto para "problemas". Tratar o problema como uma “questão” suaviza a sua urgência.

- “Não descrito”: a utilização desta expressão não faz sentido para a autora, pois trata-se de desistir de uma descrição enquanto se faz essa mesma descrição. “Ou descrevem a coisa, ou não descrevem”.

 


Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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Opinião
Apoiar a comunicação social
Francisco Sarsfield Cabral
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