Quinta-feira, 9 de Julho, 2020
Media

Publicidade digital pode enfrentar uma crise de crescimento

A trajectória do jornal americano The New York Times é um exemplo de sucesso na transição para o meio digital.

Os dados publicados para o terceiro trimestre mostraram um sólido crescimento superior a 273 mil assinantes nos media digitais, mas a receita de publicidade digital caiu 5,4%, depois de vários anos de aumentos apreciáveis.

A previsão para o quarto trimestre é ainda pior, reflectindo uma quebra de 15%. 

Segundo o eMarketer, em 2018, gastou-se, em todo o mundo, 273 mil milhões de dólares em anúncios digitais, dos quais o Google arrecadou 116 mil milhões de dólares e o Facebook 54,4 mil milhões. Poderá haver uma concertação e manipulação da publicidade online por parte do Facebook, Google e Amazon?

Cada vez mais as plataformas tecnológicas são absorvidas pelos anúncios digitais, um mercado que está a originar bolhas crescentes. A publicidade deixou de ser uma arte para passar a ser exclusivamente um negócio, cujo único objectivo é captar a atenção dos possíveis consumidores.

Miguel Ormaetxea, editor do Media-Tics, fez uma análise aos modelos publicitários na imprensa mundial e espanhola.

O autor cita um artigo publicado no The Correspondent, "The new dot com bubble is here: it's called online advertising", citado por Enrique Dans, que refere a suspeita de uma certa manipulação relativamente à publicidade online, cada vez mais dominada por plataformas como Facebook, Google e Amazon.

 

Em Espanha, os últimos dados tratados pela associação patronal de editores de imprensa da AMI, revelam que as suas associadas facturaram cerca de 34,2 milhões de euros em Setembro, através do formato impresso (-12,9% face ao ano anterior), face aos 23,37 milhões de euros em digital (11,97%).

 

Miguel Ormaetxea refere que “os seis principais generalistas estão confiantes de que a publicidade digital continuará a crescer e que a publicidade tradicional suportará a conhecida inércia histórica deste negócio. Se a publicidade digital abrandar ou o seu crescimento abrandar, terão um problema adicional. Diversificar os fluxos de receita será vital, mas não exagere nas pay walls. Muitos editores na Europa e nos EUA estão a utilizar uma diversificação arrojada, que resulta em 12 a 15 fluxos de receitas”.

 

Um estudo recente realizado pelo Centro Internacional de Jornalistas (ICFJ) concluiu que a publicidade deixou de ser a principal fonte de rendimento da maioria dos títulos, uma vez que estes diversificaram as suas fontes de financiamento. Em 54% dos gestores editoriais é referido que a publicidade não é sua principal fonte de rendimento, pois dependem de outras contribuições e subsídios, fundos governamentais, conteúdos patrocinados, assinaturas impressas, assinaturas online e outros.

 

Mais informação em Media-tics.

Connosco
Jornalistas independentes em Hong Kong podem vir a ser expulsos Ver galeria

Os jornalistas estrangeiros radicados em Hong Kong podem vir a ser expulsos do território,  caso “cruzem a linha” ao reportarem pedidos pela independência da região, advertiu Charles Ho, membro da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês.

“Se um jornalista promover apelos pela independência de Hong Kong, é óbvio que será expulso”, afirmou Ho, que é, também, chefe do grupo de imprensa de Hong Kong Sing Tao News Corporation. “Hong Kong continuará a gozar de liberdade de expressão e os jornalistas ainda serão capazes de reportar sobre questões de independência, mas não deverão ser vistos como motivadores da causa”.

Recorde-se que a China aprovou, recentemente, a lei de segurança nacional de Hong Kong, visando punir “actos de secessão, subversão, terrorismo e conluio com forças estrangeiras para pôr em risco a segurança nacional”.

O documento exige, ainda, que o governo de Hong Kong reforce a “orientação, supervisão e regulamentação” da imprensa local.

O documento foi aprovado na sequência repetidas advertências do poder comunista chinês contra a dissidência em Hong Kong, abalada em 2019 por sete meses de manifestações em defesa de reformas democráticas e quase sempre marcadas por confrontos com a polícia, que levaram à detenção de mais de nove mil pessoas.


EUA equacionam banir acesso à aplicação chinesa TikTok Ver galeria

Os EUA estão a considerar restringir o acesso dos utilizadores norte-americanos à aplicação chinesa TikTok, alegando a possibilidade de o regime chinês usar a plataforma como forma de monitorizar e distribuir propaganda.

Em declarações à cadeia televisiva Fox, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, observou que está, em conjunto com o Presidente Donald Trump, a “levar a sério essa possibilidade”.

Mike Pompeo alertou, ainda, os cidadãos norte-americanos a serem cautelosos no uso do TikTok, caso não queiram que as suas informações privadas caiam “nas mãos do Partido Comunista Chinês”.

Entretanto, um porta-voz da empresa rejeitou as acusações, afirmando que “o TikTok é liderado por um CEO americano, com centenas de funcionários e líderes em segurança, protecção, produtos e políticas públicas aqui nos EUA”.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague