Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Media

"Estadão" muda estratégia digital com o apoio do Google

Estadão procedeu a uma transformação digital, com vista ao futuro para o jornalismo. 

O maior desafio do jornalismo contemporâneo é, precisamente, compreender a forma como as pessoas consomem notícias e conseguir criar produtos que satisfaçam as suas necessidades de consumidores.

Para além disso, é suposto modernizar a estrutura da equipa, de forma a desenvolver actividades que não existiam, como é o caso da análise de dados e de audiência.

O Estado de S. Paulo, além da revisão dos seus produtos e processos, também tem realizado transformações radicais na cultura da empresa. Essas alterações trouxeram resultados positivos, e o modelo foi sustentado através da utilização de diversas soluções, ferramentas e suporte do Google.

Desde então, o jornal tem registado um crescimento na audiência, um aumento na receita de publicidade.

Estadão enfrentou uma grande diminuição da circulação impressa e, em 2017, o Grupo decidiu desenvolver uma estratégia digital consistente e reinventar o seu formato de negócios sem pôr em causa a sua identidade.

Bel Curado, líder em estratégica, escreveu, a propósito, num artigo sobre o processo de transformação do jornal. 

O primeiro passo foi desenvolver uma cultura interna focada nos dados e no utilizador, pelo que as equipas de redacção, marketing, assinaturas e vendas passaram a acompanhar as mesmas métricas, entendendo a importância do uso de dados para tomada de decisões.

 

De acordo com Vitor Mena, head of business intelligence no Grupo, "somado a um programa de treinamento interno, estamos a mudar de forma gradual a cultura da organização para um foco na melhoria contínua da experiência e satisfação do cliente, sempre por meio de insights e testes pautados em dados."

 

Assim, com um foco estratégico bem definido e, com base nos principais pilares de negócios da organização (Publicidade e Vendas, Assinaturas e Redacção), foram traçados três objectivos para a transformação digital: melhorar a experiência do utilizador, aumentar a receita publicitária e impulsionar o negócio de assinaturas digitais.

 

O jornal adoptou o Google Analytics 360, que permite compreender o comportamento dos leitores em ambientes digitais. A ferramenta foi integrada ao Google Ad Manager 360 e ao sistema de CRM da empresa, o que facilitou a análise da performance de anúncios, o nível de interacção do conteúdo e traçar uma análise comportamental dos assinantes.

 

News Consumer Insights (NCI) ajudou o jornal a definir os perfis da sua audiência e a construir uma segmentação desses mesmos perfis, de forma a poder realizar ofertas de assinaturas direccionadas. 

 

Os leitores que não conheciam o conteúdo do jornal eram incentivados a assinar anewsletter, enquanto que para os leitores fidelizados, a estratégia passava por oferecer boas ofertas de assinaturas e facilitar o processo de compra. Para assinantes, foi feita uma oferta directa de conteúdo premium.

 

A página de ofertas foi reformulada para proporcionar uma navegação mais simples e implementou o produto Subscribe with Google, que simplificava o fluxo de compra. 

 

A estratégia funcionou e o número de assinantes aumentou. O tráfego gerado como resultado de SEO nas páginas do Estadão cresceu em 65%, o tempo de carregamento do site também foi reduzido e a receita gerada com publicidade duplicou.

 

Google News Initiative (GNI) proporcionou uma adaptação ao meio digital de sucesso. O Estadão e a Google já estão a desenvolver outro projecto com base nos quatro novos pilares para inovação: Dados, Anúncios, Performance e AMP

Mais informação em Think with Google.

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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