Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Mundo

Jornalistas apostam no digital para evitar perseguições na Venezuela

A jornalista Luz Mely Reyes, directora e co-fundadora do site Efecto Cocuyo, esteve presente na conferência “Media e democracia em tempos de ódio digital e polarização na América Latina”, na Universidade do Texas, em Austin, onde falou sobre a forma de trabalhar em jornalismo na Venezuela, apesar das restrições à imprensa.

Em 2000 verificou-se o início do assédio aos media de rádio e o encerramento de fontes públicas de informação, bem como agressões a jornalistas e proprietários de media.

A jornalista explica que sempre acreditaram num “confronto natural e normal entre um líder muito carismático e os media”, concluindo que há 20 anos não tinham media fortes, por isso não tinham, também, uma democracia forte.

Nos anos seguintes, a Venezuela continuou a assistir ao encerramento de canais de televisão e estações de rádio, a ataques contra sites de informação, aquisição de estatal dos media impressos, entre outros.

Numa altura de crise e perseguição aos media, em que muitos sites independentes são bloqueados, o projecto Efecto Cocuyo leva a informação às pessoas, independentemente da sua localização, através do WhatsApp, das redes sociais e do serviço de streaming de vídeo Periscope.

O Knight Center, que organizou a conferência, publicou um artigo a propósito no seu site.

Desde 2015 que a Venezuela enfrenta uma crise que levou 4,5 milhões de pessoas a deixar o país, segundo dados da ONU, entre as quais muitos jornalistas independentes.

Luz Mely Reyes fala de uma “primavera dos media digitais”, numa altura em que surgiram vários sites de informação independentes – incluindo o que fundou, Efecto Cocuyo –, muitos liderados por jornalistas que deixaram os media tradicionais.

Actualmente, esses sites são fontes de informação independentes de um país onde a independência dos media foi erradicada.

"Estamos a criar o novo sistema de media na Venezuela", explica Reyes, reforçando que se trata de um "trabalho muito exigente" e obriga a aproveitar as mudanças que se têm verificado no sector e experimentar como será o futuro dos media.

Para aproveitar essas mudanças, a equipa do Efecto Cocuyo tem usado um método peculiar: “guayoyos”, ou seja encontram-se com os leitores para um café e conversam com eles, ouvindo as suas opiniões.

Reyes falou ainda das três lições que aprendeu nas últimas duas décadas: a primeira é produzir "mais e melhor jornalismo"; a segunda é que a "polarização é uma armadilha"; e a terceira é que "ser jornalista é estar com o povo".

Mais informação em Knight Center.

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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