Sexta-feira, 21 de Fevereiro, 2020
Mundo

Jornalistas apostam no digital para evitar perseguições na Venezuela

A jornalista Luz Mely Reyes, directora e co-fundadora do site Efecto Cocuyo, esteve presente na conferência “Media e democracia em tempos de ódio digital e polarização na América Latina”, na Universidade do Texas, em Austin, onde falou sobre a forma de trabalhar em jornalismo na Venezuela, apesar das restrições à imprensa.

Em 2000 verificou-se o início do assédio aos media de rádio e o encerramento de fontes públicas de informação, bem como agressões a jornalistas e proprietários de media.

A jornalista explica que sempre acreditaram num “confronto natural e normal entre um líder muito carismático e os media”, concluindo que há 20 anos não tinham media fortes, por isso não tinham, também, uma democracia forte.

Nos anos seguintes, a Venezuela continuou a assistir ao encerramento de canais de televisão e estações de rádio, a ataques contra sites de informação, aquisição de estatal dos media impressos, entre outros.

Numa altura de crise e perseguição aos media, em que muitos sites independentes são bloqueados, o projecto Efecto Cocuyo leva a informação às pessoas, independentemente da sua localização, através do WhatsApp, das redes sociais e do serviço de streaming de vídeo Periscope.

O Knight Center, que organizou a conferência, publicou um artigo a propósito no seu site.

Desde 2015 que a Venezuela enfrenta uma crise que levou 4,5 milhões de pessoas a deixar o país, segundo dados da ONU, entre as quais muitos jornalistas independentes.

Luz Mely Reyes fala de uma “primavera dos media digitais”, numa altura em que surgiram vários sites de informação independentes – incluindo o que fundou, Efecto Cocuyo –, muitos liderados por jornalistas que deixaram os media tradicionais.

Actualmente, esses sites são fontes de informação independentes de um país onde a independência dos media foi erradicada.

"Estamos a criar o novo sistema de media na Venezuela", explica Reyes, reforçando que se trata de um "trabalho muito exigente" e obriga a aproveitar as mudanças que se têm verificado no sector e experimentar como será o futuro dos media.

Para aproveitar essas mudanças, a equipa do Efecto Cocuyo tem usado um método peculiar: “guayoyos”, ou seja encontram-se com os leitores para um café e conversam com eles, ouvindo as suas opiniões.

Reyes falou ainda das três lições que aprendeu nas últimas duas décadas: a primeira é produzir "mais e melhor jornalismo"; a segunda é que a "polarização é uma armadilha"; e a terceira é que "ser jornalista é estar com o povo".

Mais informação em Knight Center.

Connosco
Literacia mediática como ferramenta contra desinformação Ver galeria

Para além da infecção provocada pelo novo coronavírus, identificado na China, estamos, agora, a assistir à disseminação indiscriminada de notícias falsas sobre o tema, conforme refere Ricardo Torres, num artigo publicado na revista “objETHOS”.

De acordo com Torres, o volume e a nocividade das informações propagadas através dos “media” digitais, são o reflexo de formatos comunicacionais imersos num “ecossistema” que favorece a desinformação.

Em temas sensíveis, como a saúde, os riscos da disseminação maciça de informações falsas são ampliados e podem, mesmo, conduzir ao caos social e a um estado de pânico generalizado. 

A OMS tem tentado evitar situações de pânico e insegurança, fortalecendo a posição científica, desmistificando rumores e esclarecendo dúvidas. No entanto, o cenário difuso e hiperbólico, fortalecido pelo sensacionalismo, torna a missão informativa confusa e complexa.

A era digital veio complicar a narrativa jornalística Ver galeria

A era digital e a revolução tecnológica vieram alterar o panorama do jornalismo. Se, anteriormente, os jornalistas apenas tinham de  preocupar-se com o conteúdo produzido na redacção onde trabalhavam, hoje, terão de manter-se competitivos com outras plataformas, e escrever com base nos artigos de outros jornais.

Muitos jornalistas, da chamada “velha guarda”, ainda não  conseguiram adaptar-se à nova realidade, e continuam a depender de uma cultura profissional baseada num jornalismo linear e sequencial, o que impede, por vezes, a tão desejada diversidade dos formatos de apresentação informativa.

O jornalista Carlos Castilho, especializado em “media” digitais, escreveu um artigo para o “Observatório da Imprensa”, no qual reflecte sobre a urgência de adaptação aos novos modelos. 

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...