Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Media

Jornal francês de esquerda suspendeu publicação

O jornal L’Écho, criado há 76 anos, publicou a sua última edição. O título da publicação era claro: "Esta edição de L'Écho é a última", dizendo "Adieu aux lecteurs".

O jornal optou por encerrar antes que a liquidação judicial da editora fosse declarada, justificando que “asfixiado economicamente, o jornal não terá sobrevivido à crise da imprensa”.

O jornal foi criado em 1943, sob o nome Valmy, e era distribuído clandestinamente durante a Guerra, como folha da Resistência.

Com uma linha editorial antiliberal, depois da Guerra, o jornal era "porta-voz rigoroso do Partido Comunista", segundo foi publicado no  site. Contudo, no final do século tornou-se independente do Partido Comunista Francês.

Em 2012, L’Écho foi colocado em liquidação judicial, mas com um défice de 1,7 milhões de euros, não conseguiu resolver a situação. “Não conseguimos vencer o desafio", explica Frédéric Sénamaud, presidente da associação de assinantes.

Sénamaud salientou, ainda, que o desfecho do jornal se deve à falta de leitores: "infelizmente já não tinha leitores suficientes, já não tinha publicidade suficiente, já não tinha anúncios suficientes para garantir a próxima remuneração dos 42 funcionários do Echo e assegurar a sua própria sustentabilidade".

 

Apesar das tentativas recentes de implementação de uma nova fórmula, "a realidade surgiu, e finalmente fomos apanhados pelo declínio das receitas e o volume dos passivos associados ao pedido de falência de 2012”.

 

O Tribunal de Comércio de Limoges devia pronunciar-se sobre o destino do jornal e dos seus 42 empregados, a maioria jornalistas.

Depois de terem conhecimento do futuro do jornal, os leitores deslocaram-se ao Tribunal de Comércio para apoiar a publicação e o Clube de Imprensa de Limousin.

 

"O desaparecimento de L'Écho é o fim da pluralidade da informação, tida como necessária e parte do dever ético", disse a presidente, Anne-Marie Muia.

 

Frédéric Sénamaud responsabilizou "a diminuição da publicidade, que nos fez perder 800 mil euros por ano, a lenta erosão dos leitores (...) e a crise económica de 2008".

 

Mais informação em L’Express e Le Monde.

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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