Sexta-feira, 24 de Janeiro, 2020
Mundo

Provedor do leitor celebra trinta anos na imprensa brasileira

A análise e a autocrítica são um ponto fulcral do trabalho jornalístico, principalmente para manter a confiança dos leitores, independentemente do formato ou do suporte da publicação.

Assim, surge a necessidade de criar espaços interactivos de forma a auxiliar a produção jornalística através de uma “inspecção” regular, sendo importante manter a interacção com os leitores, os profissionais da área e outros sectores que consideram o jornalismo relevante.

As primeiras iniciativas de crítica editorial surgiram nos Estados Unidos. Sob a designação de newsombudsman, a figura do provedor tomou lugar nos jornais Louisville Courier Journal e Louisville Times, no estado de Kentucky, em 1967.  

No Brasil, o primeiro ombudsman apareceu em 1989, no jornal Folha de S. Paulo. Desde 1989, o Brasil passou por muitas situações que tiveram um grande impacto na vida das pessoasnos, cabendo ao jornalismo relatar esses acontecimentos.

A partir dos anos 90, outros jornais diários começaram a implementar a análise sistemática da produção jornalística, como foi o caso do Correio da ParaíbaO PovoDiário do PovoA Notícia (1995/1997), Jornal da Manhã (2007/2011).

Também os sites, os periódicos semanais, mensais e revistas adoptaram o conceito de ter espaço regular dedicado à crítica, como ombudsman ou em outros formatos, como o conselho de leitores.

Apesar de celebrar trinta anos nos jornais diários brasileiros, a figura e o espaço dedicado ao ombudsman já só existe em dois jornais: a Folha de S.Paulo e O Povo.

O jornalista e Professor Sérgio Luiz Gadini escreveu um artigo sobre o tema no site do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Num momento de reavaliação da função, foi publicadoo ensaio “Ombudsman no jornalismo brasileiro”, um livro organizado por Sérgio Luiz Gadini e Elaine Javorski, antigos provedoresdo Jornal da Manhã.

 

Juliana Rosas, autora de um capítulo na colectânea, considera que jornalismo brasileiro, apesar de se querer mostrar “accountable”, “não quer ser transparente”, motivo pelo qual não mantém de forma regular o espaço crítico.

 

Paula Cesarino Costa defende que “o cargo de ombudsman continua a ser importante na busca por uma imprensa melhor, mas também precisa de enfrentar o desafio de se reinventar perante o jornalismo digital e a comunicação directa, proporcionadas pelas redes sociais”.

O autor do texto conclui que o mais difícil é constatar que três décadas depois da sua implementação, os gestores dos media não percebam que o papel do ombudsman é fundamental em qualquer área profissional e dificilmente seria diferente no jornalismo.

Em Portugal, a função de provedor dos leitores, também caíu em desuso e está praticamente em vias de extinção.

Mais informação em Observatório da Imprensa.

Connosco
Jornalistas europeus a leste não escapam às restrições dos "media"... Ver galeria

A Europa sempre foi considerada segura para a imprensa, mas, nem o velho continente escapa à crescente violência contra os “media”. Um estudo do Reuters Institute indica que os jornalistas europeus estão sob  pressão crescente, particularmente, no Leste do continente.

Nos últimos três anos, foram assassinados três jornalistas europeus, todos por terem reportado casos de corrupção e crime organizado, aos quais não eram alheios os respectivos governos. Foram os casos Daphne Caruana Galizia, em Malta, Ján Kuciak, na Eslováquia, e Viktoria Marinova, na Bulgária.

Os indicadores de liberdade de imprensa apontam para valores preocupantes, especialmente em países como a Polónia, a Hungria e a Eslováquia, onde os “media” são ameaçados por políticos, mas, igualmente  por jornalistas. Neste inquérito, 63% dos jornalistas afirmam já ter sido, publicamente, criticados por uma figura pública, quer directamente, quer através das redes sociais.


... E “comité” de jornalistas elabora “top 10” da censura aos “media” Ver galeria

A Eritreia é o país onde a censura é exercida de uma forma mais implacável, segundo  uma lista divulgada pelo CPJ - Comité para a Protecção dos Jornalistas. Essa lista integra 10 países, e é baseada numa pesquisa da organização sobre leis repressivas e vigilância de jornalistas, incluíndo restrições no acesso à internet e às redes sociais.

A lista abrange apenas os países onde o governo controla, rigidamente, os “media”. As condições para jornalistas e liberdade de imprensa em países como a Síria, Iémen e Somália são, também, extremamente difíceis, quer pela censura do governamental, quer, ainda, devido a conflitos armados. 

Nos três países onde a censura mais se faz sentir - Eritreia, Coreia do Norte e Turquemenistão – os “media” funcionam como porta-voz do Estado, e qualquer tentativa de jornalismo independente só é viável a partir do exterior. Os poucos jornalistas estrangeiros autorizados a entrar nesses países são seguidos, de perto, pelas autoridades. Outros usam uma combinação de medidas contundentes, como assédio e detenção arbitrária, bem como vigilância sofisticada. A Arábia Saudita, China, Vietname e Irão são especialmente adeptos destes comportamentos. 

Segue-se a lista dos “10 mais” em matéria de censura aos “media”:


O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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