Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Mundo

Provedor do leitor celebra trinta anos na imprensa brasileira

A análise e a autocrítica são um ponto fulcral do trabalho jornalístico, principalmente para manter a confiança dos leitores, independentemente do formato ou do suporte da publicação.

Assim, surge a necessidade de criar espaços interactivos de forma a auxiliar a produção jornalística através de uma “inspecção” regular, sendo importante manter a interacção com os leitores, os profissionais da área e outros sectores que consideram o jornalismo relevante.

As primeiras iniciativas de crítica editorial surgiram nos Estados Unidos. Sob a designação de newsombudsman, a figura do provedor tomou lugar nos jornais Louisville Courier Journal e Louisville Times, no estado de Kentucky, em 1967.  

No Brasil, o primeiro ombudsman apareceu em 1989, no jornal Folha de S. Paulo. Desde 1989, o Brasil passou por muitas situações que tiveram um grande impacto na vida das pessoasnos, cabendo ao jornalismo relatar esses acontecimentos.

A partir dos anos 90, outros jornais diários começaram a implementar a análise sistemática da produção jornalística, como foi o caso do Correio da ParaíbaO PovoDiário do PovoA Notícia (1995/1997), Jornal da Manhã (2007/2011).

Também os sites, os periódicos semanais, mensais e revistas adoptaram o conceito de ter espaço regular dedicado à crítica, como ombudsman ou em outros formatos, como o conselho de leitores.

Apesar de celebrar trinta anos nos jornais diários brasileiros, a figura e o espaço dedicado ao ombudsman já só existe em dois jornais: a Folha de S.Paulo e O Povo.

O jornalista e Professor Sérgio Luiz Gadini escreveu um artigo sobre o tema no site do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Num momento de reavaliação da função, foi publicadoo ensaio “Ombudsman no jornalismo brasileiro”, um livro organizado por Sérgio Luiz Gadini e Elaine Javorski, antigos provedoresdo Jornal da Manhã.

 

Juliana Rosas, autora de um capítulo na colectânea, considera que jornalismo brasileiro, apesar de se querer mostrar “accountable”, “não quer ser transparente”, motivo pelo qual não mantém de forma regular o espaço crítico.

 

Paula Cesarino Costa defende que “o cargo de ombudsman continua a ser importante na busca por uma imprensa melhor, mas também precisa de enfrentar o desafio de se reinventar perante o jornalismo digital e a comunicação directa, proporcionadas pelas redes sociais”.

O autor do texto conclui que o mais difícil é constatar que três décadas depois da sua implementação, os gestores dos media não percebam que o papel do ombudsman é fundamental em qualquer área profissional e dificilmente seria diferente no jornalismo.

Em Portugal, a função de provedor dos leitores, também caíu em desuso e está praticamente em vias de extinção.

Mais informação em Observatório da Imprensa.

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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