Sábado, 1 de Outubro, 2022
Mundo

Provedor do leitor celebra trinta anos na imprensa brasileira

A análise e a autocrítica são um ponto fulcral do trabalho jornalístico, principalmente para manter a confiança dos leitores, independentemente do formato ou do suporte da publicação.

Assim, surge a necessidade de criar espaços interactivos de forma a auxiliar a produção jornalística através de uma “inspecção” regular, sendo importante manter a interacção com os leitores, os profissionais da área e outros sectores que consideram o jornalismo relevante.

As primeiras iniciativas de crítica editorial surgiram nos Estados Unidos. Sob a designação de newsombudsman, a figura do provedor tomou lugar nos jornais Louisville Courier Journal e Louisville Times, no estado de Kentucky, em 1967.  

No Brasil, o primeiro ombudsman apareceu em 1989, no jornal Folha de S. Paulo. Desde 1989, o Brasil passou por muitas situações que tiveram um grande impacto na vida das pessoasnos, cabendo ao jornalismo relatar esses acontecimentos.

A partir dos anos 90, outros jornais diários começaram a implementar a análise sistemática da produção jornalística, como foi o caso do Correio da ParaíbaO PovoDiário do PovoA Notícia (1995/1997), Jornal da Manhã (2007/2011).

Também os sites, os periódicos semanais, mensais e revistas adoptaram o conceito de ter espaço regular dedicado à crítica, como ombudsman ou em outros formatos, como o conselho de leitores.

Apesar de celebrar trinta anos nos jornais diários brasileiros, a figura e o espaço dedicado ao ombudsman já só existe em dois jornais: a Folha de S.Paulo e O Povo.

O jornalista e Professor Sérgio Luiz Gadini escreveu um artigo sobre o tema no site do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Num momento de reavaliação da função, foi publicadoo ensaio “Ombudsman no jornalismo brasileiro”, um livro organizado por Sérgio Luiz Gadini e Elaine Javorski, antigos provedoresdo Jornal da Manhã.

 

Juliana Rosas, autora de um capítulo na colectânea, considera que jornalismo brasileiro, apesar de se querer mostrar “accountable”, “não quer ser transparente”, motivo pelo qual não mantém de forma regular o espaço crítico.

 

Paula Cesarino Costa defende que “o cargo de ombudsman continua a ser importante na busca por uma imprensa melhor, mas também precisa de enfrentar o desafio de se reinventar perante o jornalismo digital e a comunicação directa, proporcionadas pelas redes sociais”.

O autor do texto conclui que o mais difícil é constatar que três décadas depois da sua implementação, os gestores dos media não percebam que o papel do ombudsman é fundamental em qualquer área profissional e dificilmente seria diferente no jornalismo.

Em Portugal, a função de provedor dos leitores, também caíu em desuso e está praticamente em vias de extinção.

Mais informação em Observatório da Imprensa.

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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