Terça-feira, 26 de Outubro, 2021
Media

Os "media" tradicionais também têm casos de sucesso...

Apesar da crise vivenciada no jornalismo, alguns dos media tradicionais conseguiram ter sucesso. O processo de transição foi longo, houve necessidade de correr riscos, investir e alterar a forma como a informação era abordada. Apesar de tudo, a transição funcionou para publicações como o Guardian, o Economist, o Washington Post e o Telegraaf.

Guardian mantém a imposição que a própria notícia deve permanecer livre, por isso não implementaram paywalls na sua edição geral digital.

O semanário Economist duplicou a margem bruta nos últimos cinco anos, através de uma sofisticada estratégia focada no leitor. 

Washington Post desenvolveu um software de publicação, que se tornou o seu activo mais valioso. 

O Telegraaf é o jornal mais popular da Holanda e, mesmo tendo perdido metade da circulação impressa em 10 anos, conseguiu reverter a queda de receita de assinaturas, num período inferior a seis meses.

Miguel Ormaetxea, editor do Media-Tics, analisa os modelos e os casos de sucesso na imprensa tradicional, num artigo publicado no site.

O Guardian pertence ao Guardian Media Group, propriedade do Scott Trust, criado em 1936 com o objectivo de “assegurar a independência financeira e editorial do The Guardian em perpetuidade e para salvaguardar a liberdade jornalística e os valores liberais da publicação,sem interferência comercial ou política.”

 

Assim, os lucros são reinvestidos no jornalismo. A circulação impressa do jornal é de cerca de 280 mil exemplares, mas a sua edição online é a quinta mais lida do mundo. O Guardiantem uma edição digital no Reino Unido e, ainda, dois sites internacionais, o Guardian Australia e o Guardian US.

 

Apesar de ter enfrentado uma crise durante alguns anos, em Maio o jornal voltou a anunciar que se tinha tornado rentável, sendo que maior parte do seu rendimento tem origem no formato digital. Actualmente, o Guardian gera mais receitas através dos leitores do que da publicidade.

 

Apesar da queda nas receitas do jornal impresso, o crescimento proveniente digital tem permitido gerar lucro.

Depois de no ano passado ter lançado uma versão de assinatura digital “premium” – livre de anúncios, com palavras cruzadas e leitura offline –, o Guardian lançou, recentemente, uma nova aplicação: o Guardian Daily, que oferece uma colecção única e finita de histórias por dia, quase como um “jornal diário”.

 

O Economist é considerada a revista mais influente do mundo e a sua edição em papel tem uma circulação de 1,2 milhões de exemplares. A publicação tem uma paywall rígida e apresenta lucros crescentes, principalmente desde que adoptou a estratégia de colocar o “leitor primeiro”, que tem por base a análise sistemática dos leitores, de forma a identificar as suas preferências.

 

Actualmente, existem várias opções disponíveis para aceder ao conteúdo da publicação, desde o formato impresso, digital, newsletters, podcasts, etc. Com a alteração da sua estratégia, The Economist duplicou a margem bruta e aumentou as receitas dos leitores em mais de 50%.

 

O Economist tem 45 milhões de seguidores nas redes sociais, tem a quinta maior comunidade do mundo no Linkedin e as newsletters diárias são recebidas por mais de um milhão de assinantes. Nos podcasts continua a crescer, mas a sua mais recente oferta nesta área, chamada The Intelligence, já teve 17 milhões de downloads, desde que foi lançada em janeiro passado.

 

Washington Post, de Jeff Bezos, foi comprado, em 2013, por 250 milhões de dólares e desenvolveu um software de publicação, cujas licenças se tornaram os seus activos mais valiosos. 

 

Depois de vender a sua plataforma de gestão de conteúdos, Arc, à empresa petrolífera BP, o jornal espera que esta gere uma receita anual de 100 milhões de dólares nos próximos três anos. Este será o terceiro maior fluxo de receita do jornal, depois da publicidade e das assinaturas.

 

De Telegraaf é o jornal mais popular da Holanda, em 2000 a sua circulação ultrapassou os 800 mil exemplares. Contudo, no ano passado, a circulação rondou apenas cerca de 300 mil. 

 

John De Mol, um magnata holandês, adquiriu uma participação minoritária da empresa e realizou várias mudanças, e, em menos de seis meses, inverteu o declínio das receitas. Os membros da organização fizeram várias visitas aos leitores, de forma a ouvir as suas opiniões.

 

O crescimento anual das assinaturas da publicação é de cerca de 66%, mesmo com um orçamento de marketing consideravelmente inferior. 

 

A conclusão a que se pode chegar é que, talvez, o caminho para o sucesso seja o mais básico e se resuma a um maior foco nos interesses dos leitores.

 

Mais informação em Media-tics.

Connosco
Jornal finlandês troca "cadeados" por "diamantes" para atrair assinantes Ver galeria

Com a era digital, vários jornais passaram a apostar nos conteúdos “online”, recorrendo às “paywalls” para obter receitas.

Este novo modelo de negócio foi introduzido um pouco por toda a Europa, incluindo na Finlândia, onde o jornal “Helsingin Sanomat” conta com a subscrição de 48% de todos os assinantes de produtos noticiosos do país.

Conforme apontou Hanaa Tameez num artigo publicado no “Nieman Lab”, o "Helsingin Sanomat” foi fundado em 1889, quando a Finlândia ainda integrava o Império Russo. Agora, este jornal é detido pelo Grupo Sanoma, que controla 40 outras marcas mediáticas naquele país.

Em 2016, continuou Tameez, os editores do “Helsingin Sanomat” chegaram à conclusão de que a “paywall” não estava a obter os resultados esperados.

Por isso mesmo, os responsáveis por aquela publicação começaram a analisar o tipo de conteúdos que deveriam ser exclusivos para subscritores e, em vez de os assinalarem com um “cadeado”, passaram a identificá-los através de um “diamante”.

“O símbolo do cadeado passou a ser reconhecido mundialmente enquanto um identificador da ‘Paywall’”, disse o editor-executivo, Kaius Niemi, em entrevista para o “Nieman Lab”. “Sentimos, contudo, que o cadeado não simboliza valor acrescentado no jornalismo, ou ‘storytelling’ avançado. Por outro lado, acaba por ter uma conotação negativa, já que fecha a porta a um potencial subscritor. Os diamantes, por sua vez, ilustram o trabalho árduo dedicado a cada história”.

Graças a estas iniciativas, a equipa editorial daquele jornal finlandês percebeu que estava a apostar em temáticas que não chamavam a atenção dos leitores, e decidiram investir em artigos sobre sociedade, cultura e “lifestyle”.

Relatório aponta prioridade para o jornalismo isento e objectivo Ver galeria

As audiências valorizam a imparcialidade no jornalismo, e justificam a convicção de que os artigos noticiosos e as colunas de opinião devem ser, claramente, distinguidas, aponta o estudo The Relevance Of Impartial News In A Polarised World, encomendado pela Universidade de Oxford.

De acordo com este relatório -- que contou com 52 participantes, provenientes da Alemanha, do Brasil, dos Estados Unidos e do Reino Unido -- a informação objectiva e a contextualização devem estar no centro de qualquer formato noticioso.

Neste sentido, os participantes do estudo alertaram para o facto de as peças noticiosas e as colunas de opinião não serem facilmente identificáveis em formatos “online”, ao contrário do que acontece nas publicações em formato de papel.

“As audiências valorizam a opinião como um suplemento dos factos, mas, na sua generalidade, querem que a informação objectiva seja estabelecida em primeiro lugar. O público preocupa-se, também, com a mistura destes dois formatos”.

Os jornais assumem-se, assim, como a fonte noticiosa mais fiável, embora alguns leitores mais jovens considerem que estas publicações transmitem “ideais conservadores”, com os quais não se identificam.

Por outro lado, os participantes afirmam que as redes sociais não são boas fontes noticiosas, já que os seus algoritmos dão prioridade aos artigos de opinião, sem que estes estejam identificados como tal.

“Nas redes sociais, torna-se difícil distinguir entre notícias e a opinião, devido à falta de pistas. Algumas pessoas consideram que isto é um problema”, indica o relatório. “Alguns temem que o conteúdo de opinião esteja a contaminar as notícias. Outros assumem, simplesmente, que a opinião é uma característica inerente a estas plataformas”.

O Clube


Conhecidas as propostas do governo para o Orçamento de Estado, verifica-se que o sector dos media continua a ser o “parente pobre”, sem atrair medidas de reanimação capazes de corrigirem e de equilibrarem o plano inclinado em que se encontra a maioria das empresas jornalísticas, já periclitantes antes de serem fortemente flageladas pela pandemia.
O Sindicato dos Jornalistas lamenta-o e estranha que o OE ignore “completamente as dificuldades da comunicação social”. As associações do sector, como é o caso do CPI, certamente não menos.
O documento é omisso em medidas de apoio, que possam contribuir para inverter o declínio das vendas de jornais e revistas, sem pôr em causa a independência das publicações.
O bom jornalismo não precisa de ser subsidiado, mas implica redacções ágeis e com capacidade de resposta, que não dependam das redes sociais para medirem a realidade.
Com as contas no “vermelho”, as empresas editoriais não dispõem , contudo, de meios nem de condições propícias ao investimento, por exemplo, na reportagem de investigação.
Os jornalistas saem cada vez menos e a pandemia, com o teletrabalho, mais acentuou esse défice de contacto com o exterior.
É impossível não concordar com o SJ quando este defende várias medidas, como a criação de um voucher de 20 euros por agregado familiar para assinaturas ou compra de jornais e revistas, o desconto do IVA de produtos de media no IRS e a oferta de jornais ou de uma assinatura digital a todos os jovens que completem 18 anos.
Salva-se apenas a digitalização, a única que tem verbas disponíveis no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR). É importante. Mas não é exclusivamente por aí que se salvam os media em sérias dificuldades, que lutam pela sobrevivência. E que são um pilar da democracia. Eis um debate urgente ao qual nos associamos.


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Opinião
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O que une radicais de direita e de esquerda
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A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
Agenda
01
Nov
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Nov
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10:00 @ Evento "Online" da GIJN
18
Nov
22
Nov
28
Nov
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor