Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Media

HuffPost renova imagem e perfil dos conteúdos

Huffington Post, que apresentou mais acessos do que o New York Times, alterou o seu título para HuffPost, em 2017, em todas as plataformas e canais sociais. Alterou, também, o design do site, adoptando um novo logotipo. Esta foi a primeira reformulação da marca e do site em 12 anos de história, com a nova editora-chefe Lydia Polgreen.

The Huffington Post, que se descrevia desde o início como um "jornal da Internet", alterou a tendência na sua abordagem editorial.

O jornal sempre teve um óptimo SEO, o que permitiu atrair, desde cedo, um grande público, incluindo o segmento mais conservador.

Com a nova editora, o HuffPost inclinou-se para uma tendência tabloide e mais dedicado “àqueles que se sentem marginalizados do poder”. 

O novo slogan do site – "É pessoal" – é indicador dessas alterações, que surgem num momento em que muitos gostariam de esquecer a política.

Huffpost tem um novo objectivo: colocar as pessoas em primeiro lugar e ajudar a que todos estejam informados sobre os acontecimentos no mundo e sobre a forma como estes afectam cada um.

O jornalista Joshua Benton analisa as alterações da publicação num artigo publicado no site do NiemanLab.

O jornal foi redesenhado para exibir a maior variedade de histórias, propondo não só mostrar as últimas notícias sobre a Casa Branca, mas igualmente a crise habitacional, a luta pelo direito de voto, a batalha nos cuidados de saúde e a desigualdade, entre outros temas mais específicos e direccionados, que terão como objectivo ajudar o leitor na sua vida pessoal. Trata-se de um “jornalismo de serviço”.

 

Actualmente, com o meio digital, as notícias já não respeitam secções, não são separadas como nos jornais impressos. O novo modelo conceptual procura, então, classificar o conteúdo em “hard” e “soft”, de forma a realizar uma separação mais concreta dos conteúdos.

 

Segundo o autor do texto, a alteração justifica-se, “numa altura de infinitas alternativas digitais, provar explicitamente a sua utilidade é fundamental para captar a lealdade do leitor. E esse foco, nas histórias pessoais, poderia ser uma maneira de aproveitar parte do poder do populismo, alimentado pela internet, sem ser arrastado pelos seus ângulos mais obscuros”.

 

Esta nova abordagem, surge depois da notícia, recente, avançada pelo Financial Times de que a proprietária do HuffPost está à procura de um comprador.

 

Joshua Benton refere, ainda, que “a companhia terá perdido o interesse no que era, até há pouco tempo atrás, um plano para construir uma potência editorial digital, que poderia transformar-se numa terceira alternativa para os anunciantes do Google e do Facebook. Nesse contexto, o território mais favorável aos anunciantes, com conselhos parentais e finanças pessoais, tem um apelo compreensível”.

 

HuffPost é a principal plataforma de media global, tendo já vencido um Pulitzer, como fonte de notícias, comentários, entretenimento e estilo de vida. 

 

Mais informação NiemanLab.

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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