Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Media

Imprensa generalista e “newsmagazine” continuam em queda

A APCT,que audita regularmente a imprensa generalista e as newsmagazine, divulgou a análise dos dados entre Janeiro a Agosto de 2019

A quebra na circulação da imprensa paga chegou aos 7,6%, uma vez que os três jornais generalistas venderam, em média, menos 10 770 exemplares por edição, face ao ano anterior.

CM mantém a liderança do segmento, com uma média de vendas de 74 348 exemplares por edição nos primeiros oito meses deste ano. Ainda assim, os resultados representam uma quebra de 9,05%, relativamente ao período homólogo em 2018.

O JN é o segundo mais vendido e apresentou números inferiores a 40 mil exemplares no mesmo período, o que reflecte uma quebra de 7,2%.

O Público apresentou uma circulação impressa paga de 17 430 exemplares, a menor quebra verificada, cerca de 1,5%.

A imprensa semanal sentiu, também, essa quebra. O jornal Expresso registou uma diminuição de 6,7%, verificando-se uma venda de 57 593 exemplares por edição, no período analisado. 

O Diário de Notícias, agora em versão semanal, apresentou uma circulação impressa paga com uma média de 5 651 exemplares por edição entre Janeiro e Agosto, menos 33,5% face ao mesmo período no ano anterior.

O Público foi o único generalista a apresentar um indicador positivo na circulação impressa paga, com um crescimento de vendas, superior a 7%. Os restantes jornais registaram uma quebra significativa: o CM diminuiu 9%, o JN 10%, o Expresso 7% e o DN apresentou a maior quebra, cerca de 38%.

A Visão perdeu a liderança do segmento das newsmagazines para a Sábado, que apresentou uma média de circulação impressa paga de 37 914 exemplares, um número que, apesar de positivo também traduz uma diminuição face ao ano anterior. A Visão tem uma média de 36 923 exemplares vendidos, entre Janeiro e Agosto deste ano, registando uma quebra de 10,2%. 

Apesar de as assinaturas digitais pagas serem uma tendência em crescimento em várias publicações, continua a não ser suficiente para compensar as quebras de circulação.

O Público foi o único jornal generalista a apresentar um saldo positivo, com o crescimento de 18,4% na circulação digital paga, passando de 12 109, na análise de 2018, para 14 334 no mesmo período deste ano, o que supera a quebra de 1,5% na circulação impressa paga.

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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