Sexta-feira, 24 de Janeiro, 2020
Tecnologias

Novas ferramentas para gerir os "media online"

O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais. 

As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.

O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.

A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio. 

Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.

muting permite que os moderadores silenciem determinadas contas e pode ser aplicado em situações de abuso online, que violem os padrões dos media ou da comunidade doTwitter. A opção dilui o impacto directo do abuso, pois o alvo deixará de receber notificações da conta silenciada. Por sua vez, o utilizador também não tem conhecimento que foi “silenciado”, o que pode evitar possíveis reacções. 

 

O “silenciamento” também permite que os moderadores continuem a ter conhecimento dos conteúdos que os utilizadores estão a produzir, podendo permanecer atentos a eventuais ameaças.

 

O bloqueio, por norma, deve ser aplicado quando existem contas que enviam spam ou quando se trata de bots. Esta medida é adoptada apenas em último caso, para evitar reacções negativas dos utilizadores bloqueados, uma vez que estes são notificados. Esta acção também impede que o moderador possa controlar qualquer ameaça iminente.


Os moderadores identificam, ainda, ao Twitter, através de relatórios, os tweets ou contas que produzem as ameaças, possivelmente reais e iminentes, ou que contêm imagens violentas.

 

No caso das opções disponíveis no Facebook, os moderadores podem apagar os comentários quando estes tiverem conteúdo agressivo ou ameaçador e no caso de conterem palavras ou insultos depreciativos. No caso de críticas, estas são permitidas, independentemente do quão duras forem.

 

A opção de esconder comentários com conteúdo abusivo é pouco utilizada, uma vez que o utilizador e os seus “amigos” continuam a ter acesso ao conteúdo.

 

Banir um utilizador das páginas do meio de comunicação pode ser aplicado em situações em que o utilizador publica repetidamente comentários de ódio e outros abusivos, mesmo depois de ter sido advertido.

 

Remover o utilizador de uma página pode ser uma forma de dissuadir comentários abusivos. A opção é menos definitiva do que “banir”, uma vez que o utilizador pode voltar a seguir a página.

 

Desactivar os comentários é uma opção que apenas se encontra disponível em posts de vídeo, por norma, a opção é utilizada quando não há forma de moderar o fluxo de comentários, como nos casos de vídeos ao vivo.

 

O Facebook tem, também, um filtro de “profanação”, e esta é uma opção útil que permite bloquear determinadas palavras nos comentários.

 

Os moderadores podem, ainda, denunciar uma página ou um post, caso considerem que foram violados os padrões do Facebook ou dos media. Ao denunciar conteúdos, a política declarada da plataforma é que avaliará a necessidade de bloqueio ou remoção da informação em questão. 

 

Mais informação em IPI.

Connosco
Jornalistas europeus a leste não escapam às restrições dos "media"... Ver galeria

A Europa sempre foi considerada segura para a imprensa, mas, nem o velho continente escapa à crescente violência contra os “media”. Um estudo do Reuters Institute indica que os jornalistas europeus estão sob  pressão crescente, particularmente, no Leste do continente.

Nos últimos três anos, foram assassinados três jornalistas europeus, todos por terem reportado casos de corrupção e crime organizado, aos quais não eram alheios os respectivos governos. Foram os casos Daphne Caruana Galizia, em Malta, Ján Kuciak, na Eslováquia, e Viktoria Marinova, na Bulgária.

Os indicadores de liberdade de imprensa apontam para valores preocupantes, especialmente em países como a Polónia, a Hungria e a Eslováquia, onde os “media” são ameaçados por políticos, mas, igualmente  por jornalistas. Neste inquérito, 63% dos jornalistas afirmam já ter sido, publicamente, criticados por uma figura pública, quer directamente, quer através das redes sociais.


... E “comité” de jornalistas elabora “top 10” da censura aos “media” Ver galeria

A Eritreia é o país onde a censura é exercida de uma forma mais implacável, segundo  uma lista divulgada pelo CPJ - Comité para a Protecção dos Jornalistas. Essa lista integra 10 países, e é baseada numa pesquisa da organização sobre leis repressivas e vigilância de jornalistas, incluíndo restrições no acesso à internet e às redes sociais.

A lista abrange apenas os países onde o governo controla, rigidamente, os “media”. As condições para jornalistas e liberdade de imprensa em países como a Síria, Iémen e Somália são, também, extremamente difíceis, quer pela censura do governamental, quer, ainda, devido a conflitos armados. 

Nos três países onde a censura mais se faz sentir - Eritreia, Coreia do Norte e Turquemenistão – os “media” funcionam como porta-voz do Estado, e qualquer tentativa de jornalismo independente só é viável a partir do exterior. Os poucos jornalistas estrangeiros autorizados a entrar nesses países são seguidos, de perto, pelas autoridades. Outros usam uma combinação de medidas contundentes, como assédio e detenção arbitrária, bem como vigilância sofisticada. A Arábia Saudita, China, Vietname e Irão são especialmente adeptos destes comportamentos. 

Segue-se a lista dos “10 mais” em matéria de censura aos “media”:


O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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