O Instituto Internacional de Imprensa (IPI) divulgou uma nova ferramenta para moderadores online dos media lidarem com situações de abuso que ocorrem nas redes sociais.
As ferramentas e estratégias para gerir os debates no Facebook e no Twitter fazem parte da plataforma do IPI Newsrooms Ontheline, que reúne várias sugestões sobre como combater o assédio online contra jornalistas.
O objectivo é explicar de que forma os moderadores podem gerir as redes sociais e como devem aplicar essas ferramentas, bem como as opções disponíveis pelas próprias plataformas das redes, de forma a conseguirem dar resposta ao abuso online e às ameaças contra os media e jornalistas individuais.
As medidas definidas são o resultado de várias entrevistas com peritos em audiências dos principais media da Europa. Devido à constante evolução, estas estratégias estão sujeitas a revisão e actualização constantes.
A maioria dos peritos, consultados pela IPI, salienta que existem várias ferramentas que podem ser utilizadas para a moderação de mensagens abusivas no Twitter, entre as quais o muting e o bloqueio.
Em relação ao Facebook, os moderadores podem apagar os comentários, esconder comentários com conteúdo abusivo, banir um utilizador das páginas do medium, remover o utilizador de uma página, desactivar os comentários, bloquear determinadas palavras ou, ainda, reportar uma página ou um post.
O muting permite que os moderadores silenciem determinadas contas e pode ser aplicado em situações de abuso online, que violem os padrões dos media ou da comunidade doTwitter. A opção dilui o impacto directo do abuso, pois o alvo deixará de receber notificações da conta silenciada. Por sua vez, o utilizador também não tem conhecimento que foi “silenciado”, o que pode evitar possíveis reacções.
O “silenciamento” também permite que os moderadores continuem a ter conhecimento dos conteúdos que os utilizadores estão a produzir, podendo permanecer atentos a eventuais ameaças.
O bloqueio, por norma, deve ser aplicado quando existem contas que enviam spam ou quando se trata de bots. Esta medida é adoptada apenas em último caso, para evitar reacções negativas dos utilizadores bloqueados, uma vez que estes são notificados. Esta acção também impede que o moderador possa controlar qualquer ameaça iminente.
Os moderadores identificam, ainda, ao Twitter, através de relatórios, os tweets ou contas que produzem as ameaças, possivelmente reais e iminentes, ou que contêm imagens violentas.
No caso das opções disponíveis no Facebook, os moderadores podem apagar os comentários quando estes tiverem conteúdo agressivo ou ameaçador e no caso de conterem palavras ou insultos depreciativos. No caso de críticas, estas são permitidas, independentemente do quão duras forem.
A opção de esconder comentários com conteúdo abusivo é pouco utilizada, uma vez que o utilizador e os seus “amigos” continuam a ter acesso ao conteúdo.
Banir um utilizador das páginas do meio de comunicação pode ser aplicado em situações em que o utilizador publica repetidamente comentários de ódio e outros abusivos, mesmo depois de ter sido advertido.
Remover o utilizador de uma página pode ser uma forma de dissuadir comentários abusivos. A opção é menos definitiva do que “banir”, uma vez que o utilizador pode voltar a seguir a página.
Desactivar os comentários é uma opção que apenas se encontra disponível em posts de vídeo, por norma, a opção é utilizada quando não há forma de moderar o fluxo de comentários, como nos casos de vídeos ao vivo.
O Facebook tem, também, um filtro de “profanação”, e esta é uma opção útil que permite bloquear determinadas palavras nos comentários.
Os moderadores podem, ainda, denunciar uma página ou um post, caso considerem que foram violados os padrões do Facebook ou dos media. Ao denunciar conteúdos, a política declarada da plataforma é que avaliará a necessidade de bloqueio ou remoção da informação em questão.
Mais informação em IPI.
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.