Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Media

"Newsweek" com bónus de tráfego estimula "jornalismo viral"...

site da revista Newsweek está a usar um sistema de bónus financeiros para estimular os jornalistas no sentido de conseguirem mais tráfego para os seus artigos.

No início do ano, Nancy Cooper, editora chefe da Newsweek, impôs quatro requisitos para qualquer artigo ser publicado: primeiro, conter uma reportagem original; segundo, fornecer um ângulo único ou novas informações; terceiro, o tema ter interesse ou ser uma preocupação do leitor; e quarto, as notícias serem, efectivamente, ser notícias.

Os jornalistas devem, ainda, escrever um mínimo de quatro histórias por dia, sendo que a primeira deve estar publicada até às nove da manhã, depois de ter sido, previamente, apresentada a um editor sob a forma de “manchete”. 

Os editores acabam por escolher as “manchetes” mais virais ou recorrem ao Google Trends ou ao Chartbeat. O facto de não estarem à vontade com um tópico, ou de não terem conhecimento sobre o mesmo, não os impede de defleccionar as histórias, o que terá motivado, inclusivamente, a Newsweek a publicar notícias erradas.

Newsweek utiliza, basicamente, as “manchetes” em função das pesquisas em “motores de busca”, chegando ao ponto de estas poderem definir as notícias do dia.

O jornalista Daniel Tovrov analisou a situação da Newsweek num artigo, publicado no siteColumbia Journalism Review.

Mesmo a pressão de Cooper, em relação a escrever reportagens originais, deve-se aos algoritmos do Google News, que dão primazia a esses conteúdos nos resultados de pesquisa. 

Alguns editores exigem novas histórias em apenas uma hora. Para dar resposta a este pedido, se dois jornalistas estiverem a cobrir a mesma história, mas com ângulos diferentes, o processo é utilizar o mesmo resumo, alterando apenas a informação do “lead”.

Newsweek tem dispensado vários jornalistas com mais experiência, optando pela contratação de jovens, que trabalham quarenta horas semanais por quinze dólares por hora, o salário mínimo em Nova Iorque. 

A revista impunha, ainda, que os jornalistas recém-contratados e inexperientes realizassem a mesma quantidade de trabalho que os assalariados.

“Quando fui contratado, era um dos dois repórteres que cobriam as ‘notícias do mundo’. O meu contrato original estipulava que tinha de realizar um mínimo de dez mil leitores por mês, um número tão alto que meu editor me disse para ignorar.”

Convencidos de que o clickbait traria receitas, muitos jornalistas adoptaram pseudónimos e escreveram sobre temas como “a última profecia do dia do juízo final”. Nesta fase, os gestores decidiram aplicar o “bónus de tráfego” e começaram a classificar os jornalistas num painel, em função do tráfego que estes geravam. 

A situação, de classificação em folhas de cálculo do Google, também gerava muita competição entre os jornalistas que ocupavam os primeiros lugares.

Assim, os salários base eram mais baixos em relação à generalidade das publicações, embora, os bónus prometessem que o vencimento seria superior. Porém, se os jornalistas não escrevessem clickbait, esses bónus eram difíceis de obter e, sem eles, ficavam em risco de desemprego.

As exigências das quatro regras impostas por Cooper também deixaram de fazer sentido, uma vez que o importante passou a ser que os jornalistas atingissem as marcas diárias de tráfego.

Todas as publicações têm apresentado dificuldades em obter lucros, contudo, muitos dos métodos adoptados para combater as dificuldades acabam por sabotar o objectivo de criar uma audiência constante e confiável.

Apesar da sua autoridade e do status, a publicação “redirecciona cada vez mais para o trabalho de outros, embalando-o como seu”, segundo Daniel Tovrov. 

“Os repórteres e editores dizem-me que estão dispostos a fazer um bom trabalho; a questão é se a Newsweek está disposta, ou mesmo capaz, de encontrar um modelo de negócio que lhes permita fazer isso.”

 

Mais informação em Columbia Journalism Review.
Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
O caso do novo secretário de Estado com a tutela da comunicação social é assaz curioso. Nuno Artur Silva foi dono, até há dias, das Produções Fictícias, empresa que incluía a RTP no seu portfólio de clientes, facto que não o inibiu de aceitar  ser administrador daquele operador público, com a responsabilidade dos conteúdos. Cumprido o primeiro mandato, sem abdicar da...
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Agenda
16
Nov
19
Nov
Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
19
Nov
19
Nov
Dia da Comunicação
10:00 @ Teatro Tivoli