Quinta-feira, 4 de Junho, 2020
Media

"Newsweek" com bónus de tráfego estimula "jornalismo viral"...

site da revista Newsweek está a usar um sistema de bónus financeiros para estimular os jornalistas no sentido de conseguirem mais tráfego para os seus artigos.

No início do ano, Nancy Cooper, editora chefe da Newsweek, impôs quatro requisitos para qualquer artigo ser publicado: primeiro, conter uma reportagem original; segundo, fornecer um ângulo único ou novas informações; terceiro, o tema ter interesse ou ser uma preocupação do leitor; e quarto, as notícias serem, efectivamente, ser notícias.

Os jornalistas devem, ainda, escrever um mínimo de quatro histórias por dia, sendo que a primeira deve estar publicada até às nove da manhã, depois de ter sido, previamente, apresentada a um editor sob a forma de “manchete”. 

Os editores acabam por escolher as “manchetes” mais virais ou recorrem ao Google Trends ou ao Chartbeat. O facto de não estarem à vontade com um tópico, ou de não terem conhecimento sobre o mesmo, não os impede de defleccionar as histórias, o que terá motivado, inclusivamente, a Newsweek a publicar notícias erradas.

Newsweek utiliza, basicamente, as “manchetes” em função das pesquisas em “motores de busca”, chegando ao ponto de estas poderem definir as notícias do dia.

O jornalista Daniel Tovrov analisou a situação da Newsweek num artigo, publicado no siteColumbia Journalism Review.

Mesmo a pressão de Cooper, em relação a escrever reportagens originais, deve-se aos algoritmos do Google News, que dão primazia a esses conteúdos nos resultados de pesquisa. 

Alguns editores exigem novas histórias em apenas uma hora. Para dar resposta a este pedido, se dois jornalistas estiverem a cobrir a mesma história, mas com ângulos diferentes, o processo é utilizar o mesmo resumo, alterando apenas a informação do “lead”.

Newsweek tem dispensado vários jornalistas com mais experiência, optando pela contratação de jovens, que trabalham quarenta horas semanais por quinze dólares por hora, o salário mínimo em Nova Iorque. 

A revista impunha, ainda, que os jornalistas recém-contratados e inexperientes realizassem a mesma quantidade de trabalho que os assalariados.

“Quando fui contratado, era um dos dois repórteres que cobriam as ‘notícias do mundo’. O meu contrato original estipulava que tinha de realizar um mínimo de dez mil leitores por mês, um número tão alto que meu editor me disse para ignorar.”

Convencidos de que o clickbait traria receitas, muitos jornalistas adoptaram pseudónimos e escreveram sobre temas como “a última profecia do dia do juízo final”. Nesta fase, os gestores decidiram aplicar o “bónus de tráfego” e começaram a classificar os jornalistas num painel, em função do tráfego que estes geravam. 

A situação, de classificação em folhas de cálculo do Google, também gerava muita competição entre os jornalistas que ocupavam os primeiros lugares.

Assim, os salários base eram mais baixos em relação à generalidade das publicações, embora, os bónus prometessem que o vencimento seria superior. Porém, se os jornalistas não escrevessem clickbait, esses bónus eram difíceis de obter e, sem eles, ficavam em risco de desemprego.

As exigências das quatro regras impostas por Cooper também deixaram de fazer sentido, uma vez que o importante passou a ser que os jornalistas atingissem as marcas diárias de tráfego.

Todas as publicações têm apresentado dificuldades em obter lucros, contudo, muitos dos métodos adoptados para combater as dificuldades acabam por sabotar o objectivo de criar uma audiência constante e confiável.

Apesar da sua autoridade e do status, a publicação “redirecciona cada vez mais para o trabalho de outros, embalando-o como seu”, segundo Daniel Tovrov. 

“Os repórteres e editores dizem-me que estão dispostos a fazer um bom trabalho; a questão é se a Newsweek está disposta, ou mesmo capaz, de encontrar um modelo de negócio que lhes permita fazer isso.”

 

Mais informação em Columbia Journalism Review.
Connosco
O paradoxo no Brasil entre a ética jornalística e a ética empresarial Ver galeria

Os jornalistas brasileiros estão a ser confrontados com novos obstáculos, impostos à profissão pela Covid-19. É o caso teletrabalho,  que veio alterar, profundamente, o “modus operandi” das redacções e da investigação jornalística. 

Há, contudo, outras questões, ainda mais preocupantes, a serem discutidas por estes profissionais, como é o caso da ética jornalística, reiterou Silvia Meirelles Leite num artigo publicado na revista “objETHOS” e reproduzido no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, enquanto os jornalistas continuam a desempenhar as suas funções e a manter a população informada, as empresas detentoras dos “media” têm de garantir apoios financeiros.

Isto leva a que, não raramente, a televisão pública seja obrigada a suprimir certas peças jornalísticas. Caso contrário, este serviço deixaria de receber financiamento governamental.

A cobertura do coronavírus reforçou a credibilidade jornalística Ver galeria

A pandemia de Covid-19 afectou praticamente todos os sectores da sociedade e influenciou a vida dos cidadãos, um pouco por todo o mundo.

Assim, os jornalistas têm vindo a assumir um papel essencial, mantendo a  população informada sobre os impactos da doença, bem como sobre as suas mutações.

Desta forma, os “media” tradicionais voltaram a merecer a atenção e “lealdade” do público, que deixou de informar-se através das redes sociais que são, tendencialmente, uma plataforma de desinformação,

considerou o jornalista Michel Ribeiro num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Perante a actual crise sanitária, recorda o autor, o jornalismo televisivo conquistou uma audiência significativa e os jornais “online” registaram um tráfego sem precedentes. Da mesma forma, mais consumidores decidiram assinar fontes de informação fidedignas e ouvir rádio para se manterem informados.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas