Terça-feira, 26 de Outubro, 2021
Media

Como os "media" ficaram dependentes dos “gigantes digitais”

O aparecimento e desenvolvimento da internet afectou a economia geral dos media e levou a grandes alterações no sector. “Gigantes digitais” como a Google, Amazon, Facebook, Apple, Microsoft, alteraram completamente a dinâmica da distribuição de conteúdos online.

Os investigadores Nikos Smyrnajos e Franck Rebillard estudaram a influência desses “gigantes” na produção de notícias online, e identificaram que o seu lugar central, no ambiente digital, se deve ao papel como “intermediários da informação”.

Os intermediários seleccionam, hierarquizam e disponibilizam a informação online de forma personalizada para os utilizadores, tornando os media dependentes dos resultados dos “motores de buscas” e dos seus algoritmos, que estão em constante alteração.

Os maiores geradores de tráfego para sites de notícias são o Google e o Facebook.

Se por um lado a mudança digital permitiu reduzir os custos de transmissão e alargar as audiências à escala global, por outro gerou disputas entre os media e os intermediários sobre as receitas de publicidade.

O impacto destes “gigantes digitais” nos media foi analisado no artigo da revista Médiacritiques, publicado no site ACRIMED.

Outro grande impacto no sector da informação, foi a criação do Google News. O serviço permite que os algoritmos da Google organizem informação para uma consulta individual, a partir de inúmeras fontes. O sucesso da plataforma fez com que a empresa se tornasse o maior intermediário entre o conteúdo dos sites de notícias e os utilizadores da internet.

 

Todas estas iniciativas parecem revelar uma relação de interdependência: os media fornecem conteúdos e os intermediários ajudam a aumentar o seu alcance e audiência. Contudo, em vez de uma relação de “cooperação”, acaba por ser uma disputa pelo mercado da publicidade online.

 

Em 2017, em França, para além das receitas publicitárias associadas às actividades dos motores de busca – dois mil milhões de euros captados, dos quais 90% pelo Google –, a publicidade contextual representou 1,45 mil milhões de euros, distribuídos entre redes sociais (669 milhões de euros), imprensa escrita (234 milhões de euros) e televisão.

 

Os intermediários apresentam um lucro consideravelmente mais elevado do que os sites das empresas, pois as referências dos conteúdos online permitem um acesso a um público mais vasto, o que, consequentemente, gera mais lucro a partir dos anúncios publicitários.

 

Os editores de jornais, desde a década de 2000, tiveram de se adaptar aos requisitos da Optimização de Motores de Busca (SEO), ou seja, tiveram de adaptar os conteúdos dos seus artigos de forma a aumentar a sua visibilidade nos motores de busca. Estas limitações passaram a ter de ser consideradas pelos jornalistas e influenciam a escolha dos temas e a produção dos conteúdos (artigos, vídeos, etc.).

 

Em 2013, o Google criou um fundo (Fonds pour l'innovation numérique dans la presse), gerido em parceria com uma associação composta por representantes das principais revistas francesas e diários nacionais (Association de la presse d'information politique et générale), que substituiu parte da ajuda pública à imprensa.

 

A 5 de setembro de 2019, o Facebook anunciou novas parcerias com Le Monde, Brut e BFM-TV, com o objectivo de produzir conteúdo exclusivo para o Facebook Watch, uma plataforma de vídeo da rede social. No caso do Le Monde, além dos fundos concedidos pelo Facebook combater as “fake news", o jornal produziu uma série de 44 episódios semanais dedicados ao meio ambiente.

 

A mudança digital também contribuiu para reduzir custos de emissão, disponibilizar informações a uma audiência global e ainda o desenvolvimento e crescimento de medias independentes.

 

Mais informação em ACRIMED.

Connosco
Jornal finlandês troca "cadeados" por "diamantes" para atrair assinantes Ver galeria

Com a era digital, vários jornais passaram a apostar nos conteúdos “online”, recorrendo às “paywalls” para obter receitas.

Este novo modelo de negócio foi introduzido um pouco por toda a Europa, incluindo na Finlândia, onde o jornal “Helsingin Sanomat” conta com a subscrição de 48% de todos os assinantes de produtos noticiosos do país.

Conforme apontou Hanaa Tameez num artigo publicado no “Nieman Lab”, o "Helsingin Sanomat” foi fundado em 1889, quando a Finlândia ainda integrava o Império Russo. Agora, este jornal é detido pelo Grupo Sanoma, que controla 40 outras marcas mediáticas naquele país.

Em 2016, continuou Tameez, os editores do “Helsingin Sanomat” chegaram à conclusão de que a “paywall” não estava a obter os resultados esperados.

Por isso mesmo, os responsáveis por aquela publicação começaram a analisar o tipo de conteúdos que deveriam ser exclusivos para subscritores e, em vez de os assinalarem com um “cadeado”, passaram a identificá-los através de um “diamante”.

“O símbolo do cadeado passou a ser reconhecido mundialmente enquanto um identificador da ‘Paywall’”, disse o editor-executivo, Kaius Niemi, em entrevista para o “Nieman Lab”. “Sentimos, contudo, que o cadeado não simboliza valor acrescentado no jornalismo, ou ‘storytelling’ avançado. Por outro lado, acaba por ter uma conotação negativa, já que fecha a porta a um potencial subscritor. Os diamantes, por sua vez, ilustram o trabalho árduo dedicado a cada história”.

Graças a estas iniciativas, a equipa editorial daquele jornal finlandês percebeu que estava a apostar em temáticas que não chamavam a atenção dos leitores, e decidiram investir em artigos sobre sociedade, cultura e “lifestyle”.

Relatório aponta prioridade para o jornalismo isento e objectivo Ver galeria

As audiências valorizam a imparcialidade no jornalismo, e justificam a convicção de que os artigos noticiosos e as colunas de opinião devem ser, claramente, distinguidas, aponta o estudo The Relevance Of Impartial News In A Polarised World, encomendado pela Universidade de Oxford.

De acordo com este relatório -- que contou com 52 participantes, provenientes da Alemanha, do Brasil, dos Estados Unidos e do Reino Unido -- a informação objectiva e a contextualização devem estar no centro de qualquer formato noticioso.

Neste sentido, os participantes do estudo alertaram para o facto de as peças noticiosas e as colunas de opinião não serem facilmente identificáveis em formatos “online”, ao contrário do que acontece nas publicações em formato de papel.

“As audiências valorizam a opinião como um suplemento dos factos, mas, na sua generalidade, querem que a informação objectiva seja estabelecida em primeiro lugar. O público preocupa-se, também, com a mistura destes dois formatos”.

Os jornais assumem-se, assim, como a fonte noticiosa mais fiável, embora alguns leitores mais jovens considerem que estas publicações transmitem “ideais conservadores”, com os quais não se identificam.

Por outro lado, os participantes afirmam que as redes sociais não são boas fontes noticiosas, já que os seus algoritmos dão prioridade aos artigos de opinião, sem que estes estejam identificados como tal.

“Nas redes sociais, torna-se difícil distinguir entre notícias e a opinião, devido à falta de pistas. Algumas pessoas consideram que isto é um problema”, indica o relatório. “Alguns temem que o conteúdo de opinião esteja a contaminar as notícias. Outros assumem, simplesmente, que a opinião é uma característica inerente a estas plataformas”.

O Clube


Conhecidas as propostas do governo para o Orçamento de Estado, verifica-se que o sector dos media continua a ser o “parente pobre”, sem atrair medidas de reanimação capazes de corrigirem e de equilibrarem o plano inclinado em que se encontra a maioria das empresas jornalísticas, já periclitantes antes de serem fortemente flageladas pela pandemia.
O Sindicato dos Jornalistas lamenta-o e estranha que o OE ignore “completamente as dificuldades da comunicação social”. As associações do sector, como é o caso do CPI, certamente não menos.
O documento é omisso em medidas de apoio, que possam contribuir para inverter o declínio das vendas de jornais e revistas, sem pôr em causa a independência das publicações.
O bom jornalismo não precisa de ser subsidiado, mas implica redacções ágeis e com capacidade de resposta, que não dependam das redes sociais para medirem a realidade.
Com as contas no “vermelho”, as empresas editoriais não dispõem , contudo, de meios nem de condições propícias ao investimento, por exemplo, na reportagem de investigação.
Os jornalistas saem cada vez menos e a pandemia, com o teletrabalho, mais acentuou esse défice de contacto com o exterior.
É impossível não concordar com o SJ quando este defende várias medidas, como a criação de um voucher de 20 euros por agregado familiar para assinaturas ou compra de jornais e revistas, o desconto do IVA de produtos de media no IRS e a oferta de jornais ou de uma assinatura digital a todos os jovens que completem 18 anos.
Salva-se apenas a digitalização, a única que tem verbas disponíveis no âmbito do Programa de Recuperação e Resiliência (PRR). É importante. Mas não é exclusivamente por aí que se salvam os media em sérias dificuldades, que lutam pela sobrevivência. E que são um pilar da democracia. Eis um debate urgente ao qual nos associamos.


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Opinião
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O que une radicais de direita e de esquerda
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A perda da memória é um dos problemas do nosso jornalismo. E os 40 anos do Clube Português de Imprensa (CPI) reforçam essa ideia quando revejo a lista dos fundadores e encontro os nomes de Norberto Lopes e Raul Rego, dois daqueles a quem chamávamos mestres, à cabeça de uma lista de grandes carreiras na profissão. São os percursores de uma plêiade de figuras que enriqueceram a profissão, muitas deles premiados pelo Clube...
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Nov
22
Nov
28
Nov
LinkedIn para Jornalistas
10:00 @ Cenjor