O aparecimento e desenvolvimento da internet afectou a economia geral dos media e levou a grandes alterações no sector. “Gigantes digitais” como a Google, Amazon, Facebook, Apple, Microsoft, alteraram completamente a dinâmica da distribuição de conteúdos online.
Os investigadores Nikos Smyrnajos e Franck Rebillard estudaram a influência desses “gigantes” na produção de notícias online, e identificaram que o seu lugar central, no ambiente digital, se deve ao papel como “intermediários da informação”.
Os intermediários seleccionam, hierarquizam e disponibilizam a informação online de forma personalizada para os utilizadores, tornando os media dependentes dos resultados dos “motores de buscas” e dos seus algoritmos, que estão em constante alteração.
Os maiores geradores de tráfego para sites de notícias são o Google e o Facebook.
Se por um lado a mudança digital permitiu reduzir os custos de transmissão e alargar as audiências à escala global, por outro gerou disputas entre os media e os intermediários sobre as receitas de publicidade.
O impacto destes “gigantes digitais” nos media foi analisado no artigo da revista Médiacritiques, publicado no site ACRIMED.
Outro grande impacto no sector da informação, foi a criação do Google News. O serviço permite que os algoritmos da Google organizem informação para uma consulta individual, a partir de inúmeras fontes. O sucesso da plataforma fez com que a empresa se tornasse o maior intermediário entre o conteúdo dos sites de notícias e os utilizadores da internet.
Todas estas iniciativas parecem revelar uma relação de interdependência: os media fornecem conteúdos e os intermediários ajudam a aumentar o seu alcance e audiência. Contudo, em vez de uma relação de “cooperação”, acaba por ser uma disputa pelo mercado da publicidade online.
Em 2017, em França, para além das receitas publicitárias associadas às actividades dos motores de busca – dois mil milhões de euros captados, dos quais 90% pelo Google –, a publicidade contextual representou 1,45 mil milhões de euros, distribuídos entre redes sociais (669 milhões de euros), imprensa escrita (234 milhões de euros) e televisão.
Os intermediários apresentam um lucro consideravelmente mais elevado do que os sites das empresas, pois as referências dos conteúdos online permitem um acesso a um público mais vasto, o que, consequentemente, gera mais lucro a partir dos anúncios publicitários.
Os editores de jornais, desde a década de 2000, tiveram de se adaptar aos requisitos da Optimização de Motores de Busca (SEO), ou seja, tiveram de adaptar os conteúdos dos seus artigos de forma a aumentar a sua visibilidade nos motores de busca. Estas limitações passaram a ter de ser consideradas pelos jornalistas e influenciam a escolha dos temas e a produção dos conteúdos (artigos, vídeos, etc.).
Em 2013, o Google criou um fundo (Fonds pour l'innovation numérique dans la presse), gerido em parceria com uma associação composta por representantes das principais revistas francesas e diários nacionais (Association de la presse d'information politique et générale), que substituiu parte da ajuda pública à imprensa.
A 5 de setembro de 2019, o Facebook anunciou novas parcerias com Le Monde, Brut e BFM-TV, com o objectivo de produzir conteúdo exclusivo para o Facebook Watch, uma plataforma de vídeo da rede social. No caso do Le Monde, além dos fundos concedidos pelo Facebook combater as “fake news", o jornal produziu uma série de 44 episódios semanais dedicados ao meio ambiente.
A mudança digital também contribuiu para reduzir custos de emissão, disponibilizar informações a uma audiência global e ainda o desenvolvimento e crescimento de medias independentes.
Mais informação em ACRIMED.
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.