Quarta-feira, 8 de Abril, 2020
Media

Como os "media" ficaram dependentes dos “gigantes digitais”

O aparecimento e desenvolvimento da internet afectou a economia geral dos media e levou a grandes alterações no sector. “Gigantes digitais” como a Google, Amazon, Facebook, Apple, Microsoft, alteraram completamente a dinâmica da distribuição de conteúdos online.

Os investigadores Nikos Smyrnajos e Franck Rebillard estudaram a influência desses “gigantes” na produção de notícias online, e identificaram que o seu lugar central, no ambiente digital, se deve ao papel como “intermediários da informação”.

Os intermediários seleccionam, hierarquizam e disponibilizam a informação online de forma personalizada para os utilizadores, tornando os media dependentes dos resultados dos “motores de buscas” e dos seus algoritmos, que estão em constante alteração.

Os maiores geradores de tráfego para sites de notícias são o Google e o Facebook.

Se por um lado a mudança digital permitiu reduzir os custos de transmissão e alargar as audiências à escala global, por outro gerou disputas entre os media e os intermediários sobre as receitas de publicidade.

O impacto destes “gigantes digitais” nos media foi analisado no artigo da revista Médiacritiques, publicado no site ACRIMED.

Outro grande impacto no sector da informação, foi a criação do Google News. O serviço permite que os algoritmos da Google organizem informação para uma consulta individual, a partir de inúmeras fontes. O sucesso da plataforma fez com que a empresa se tornasse o maior intermediário entre o conteúdo dos sites de notícias e os utilizadores da internet.

 

Todas estas iniciativas parecem revelar uma relação de interdependência: os media fornecem conteúdos e os intermediários ajudam a aumentar o seu alcance e audiência. Contudo, em vez de uma relação de “cooperação”, acaba por ser uma disputa pelo mercado da publicidade online.

 

Em 2017, em França, para além das receitas publicitárias associadas às actividades dos motores de busca – dois mil milhões de euros captados, dos quais 90% pelo Google –, a publicidade contextual representou 1,45 mil milhões de euros, distribuídos entre redes sociais (669 milhões de euros), imprensa escrita (234 milhões de euros) e televisão.

 

Os intermediários apresentam um lucro consideravelmente mais elevado do que os sites das empresas, pois as referências dos conteúdos online permitem um acesso a um público mais vasto, o que, consequentemente, gera mais lucro a partir dos anúncios publicitários.

 

Os editores de jornais, desde a década de 2000, tiveram de se adaptar aos requisitos da Optimização de Motores de Busca (SEO), ou seja, tiveram de adaptar os conteúdos dos seus artigos de forma a aumentar a sua visibilidade nos motores de busca. Estas limitações passaram a ter de ser consideradas pelos jornalistas e influenciam a escolha dos temas e a produção dos conteúdos (artigos, vídeos, etc.).

 

Em 2013, o Google criou um fundo (Fonds pour l'innovation numérique dans la presse), gerido em parceria com uma associação composta por representantes das principais revistas francesas e diários nacionais (Association de la presse d'information politique et générale), que substituiu parte da ajuda pública à imprensa.

 

A 5 de setembro de 2019, o Facebook anunciou novas parcerias com Le Monde, Brut e BFM-TV, com o objectivo de produzir conteúdo exclusivo para o Facebook Watch, uma plataforma de vídeo da rede social. No caso do Le Monde, além dos fundos concedidos pelo Facebook combater as “fake news", o jornal produziu uma série de 44 episódios semanais dedicados ao meio ambiente.

 

A mudança digital também contribuiu para reduzir custos de emissão, disponibilizar informações a uma audiência global e ainda o desenvolvimento e crescimento de medias independentes.

 

Mais informação em ACRIMED.

Connosco
Editores descontentes com projecto de apoio aos jornais "à medida das televisões" Ver galeria

Na sequência de apelos de várias empresas mediáticas, o Governo está, finalmente, a preparar um conjunto de medidas de apoio aos “media”, gravemente afectados pela crise instalada no país, na sequência da pandemia de Covid-19. 

Tudo indica, contudo, que o pacote destinado a compensar a quebra de receitas de circulação e publicidade não irá ao encontro das necessidades dos editores de jornais e revistas nem, tão pouco, de quem as distribui.

Isto porque as medidas que o Governo está a preparar terão como base a quebra de receitas da publicidade, omitindo, porém, o valor perdido com a diminuição abrupta na circulação, problema que não afecta as televisões.
"O pacote, como está neste momento, é feito à medida das televisões, porque não tem em conta os jornais e revistas, os meios mais prejudicados com a crise de saúde e económica que estamos a viver", explicou Afonso Camões, administrador do Grupo Global Media. "Sem imprensa escrita, é ,em primeira e última análise, o direito à informação, o Estado de direito e a Democracia que ficam em causa".

Perseguição à imprensa gera divisão ideológica no Brasil Ver galeria

Apesar dos esforços dos “media” para alcançar um consenso perante a pandemia do coronavírus, o discurso do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem contribuído para a polarização ideológica dos cidadãos, referiu Francisco Fernandes Ladeira, num artigo publicado no Observatório da Imprensa.

Isto porque, segundo Ladeira, Bolsonaro tem contrariado as directivas da imprensa para a contenção do coronavírus, apontadas pela OMS e pelo próprio ministério da Saúde brasileiro, acusando os “media” de disseminarem o pânico, deliberadamente, e sem fundamento.
Até meados do mês de Março, com a divulgação dos primeiros casos de covid-19 no Brasil, havia um relativo consenso entre a população sobre a quarentena transversal ser a melhor alternativa para evitar a rápida propagação do coronavírus.
Porém, devido aos discursos “inflamados” do Presidente os “media” têm sido descredibilizados. Essas premissas incentivaram, mesmo, aviolência sob jornalistas, que têm encontrado cada vez mais obstáculos ao exercício da profissão.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Jornalismo Empreendedor
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17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun