Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Opinião

Quando a ética não é flor que se cheire…

por Dinis de Abreu

O caso do novo secretário de Estado com a tutela da comunicação social é assaz curioso. Nuno Artur Silva foi dono, até há dias, das Produções Fictícias, empresa que incluía a RTP no seu portfólio de clientes, facto que não o inibiu de aceitar  ser administrador daquele operador público, com a responsabilidade dos conteúdos.

Cumprido o primeiro mandato, sem abdicar da participação societária nas Produções Fictícias, o Conselho Geral Independente da estação pública fez saber ao gestor  que  “a sua continuidade na RTP era incompatível com a irresolução do conflito de interesses entre a sua posição na empresa e os seus interesses patrimoniais privados, cuja manutenção não é aceitável”. E não foi reconduzido.

De facto, Nuno Artur Silva continuava a ser dono das Produções Fictícias e do Canal K, embora tivesse cessado funções de administrador da produtora.

Agora, fia mais fino. Nas vésperas de ser indigitado para o Governo, Nuno Artur Silva vendeu as acções da sua empresa a um sobrinho e sentiu-se livre de suspeições, à luz da nova lei das incompatibilidades, cujo regime aplicável lhe passa ao lado.

Trocado por miúdos, isto significa que,  de acordo com a  nova lei da transparência para detentores de cargos públicos, nada impedirá,  doravante,  as Produções Fictícias de celebrar contratos com o Estado ou participar em concursos públicos.

Um alivio, decerto, para o novo governante, que nem se esquivou a considerar, peremptório, que, com a  venda efectuada, e atento “o regime jurídico“ agora em vigor,  já  “não se verificam quaisquer incompatibilidades e impedimentos”  para o exercício do  cargo.

Admitamos que tem razão, até porque a legislação neste particular, depois de estar adormecida durante vários anos, adaptou-se ao “l`air du temps”, para poupar as “famílias” no governo a mais desgostos.  Ou sarilhos.

Mas se já era bizarro (para ficar por aqui) um fornecedor de conteúdos da RTP, “saltar a barreira” e passar a geri-la na mesma área, como se fosse a coisa mais natural desta vida, até o impedirem de continuar, então ir tutelar a mesma casa, de onde saiu por causa de uma situação de reconhecido conflito de interesses, é algo absolutamente kafkiano.

O versátil “ajudante” de António Costa, compondo uma santa ingenuidade que não lhe fica bem, alegou até, em comunicado, que enquanto secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Média, não irá “intervir nas decisões relativas à negociação, celebração e execução de contratos referentes à programação e conteúdos das mesmas”, pois “tais decisões competem aos respectivos conselhos de administração”.

É preciso topete. E não fazer a menor ideia das regras elementares que distinguem a ética da apetência por uma sinecura…. Ou quando a ética não é flor que se cheire!...

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
Agenda
16
Nov
19
Nov
Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
19
Nov
19
Nov
Dia da Comunicação
10:00 @ Teatro Tivoli