Sexta-feira, 24 de Janeiro, 2020
Media

A privacidade e dados pessoais correm risco de ficar reféns da internet

internet, uma das maiores obras concebidas pela Humanidade, tem vindo a degenerar numa ameaça aos princípios da liberdade.

Actualmente, no sistema capitalista, tudo se tornou numa mercadoria, incluindo os dados dos utilizadores. Como consequência, a perda da privacidade parece algo aceitável e inevitável. 

Na navegação online, facultamos os nossos dados ao Facebook e ao Google, entre outras entidades, em troca de um “acesso gratuito” às suas plataformas. Essas entidades recolhem, analisam e vendem os dados dos utilizadores que, posteriormente, acedem às suas contas repletas de publicidade personalizada e conteúdos patrocinados.

Para Enrique Dans, especialista em tecnologia e inovação, a privacidade é “um bem comum que temos de defender, debater e legislar adequadamente”.

Miguel Ormaetxea, editor do Media-Tics, refere que “o modelo para o qual a Internet deriva, baseado em plataformas, algoritmos, inteligência artificial e sensores, é profundamente antidemocrático”. Num artigo publicado no site, o autor compara-o a “um golpe de Estado silencioso”, que se “apresenta quase benevolente, discreto e bondoso”. 

A sociedade de vigilância tem-se espalhado rapidamente e, em muitos países, a monitorização constante nas ruas é aceite como uma garantia de segurança.

 

Na China, a videovigilância capta quase todos os movimentos nas cidades, imagens que são posteriormente analisadas pelas autoridades competentes. O reconhecimento facial e a inteligência artificial permitem, aliás, que sejam identificados em tempo real os cidadãos, usando o seu registo completo.

 

A Índia desenvolveu um sistema de identificação biométrica e anunciou que pretende implementar um sistema de reconhecimento facial, tal como Singapura e a França, além da China.

 

Will.i.am, fundador da I.AM+ – uma empresa de serviços electrónicos e assistentes de voz com inteligência artificial –, publicou no The Economist um manifesto no qual defende que “os dados pessoais devem ser considerados como um direito humano, como é, por exemplo, o direito de acesso à água”.

 

As redes sociais têm sido uma ferramenta para influenciar momentos de decisão, como eleições ou referendos, recorrendo frequentemente a contas falsas. 

 

Segundo um relatório divulgado por investigadores da Universidade de Oxford, a utilização de técnicas de desinformação por parte dos governos tem vindo a crescer, como forma de difamar os opositores e de combater opiniões opostas.

 

Os países com campanhas de desinformação aumentaram para 70 nos últimos dois anos, sendo que o Facebook continua a ser um dos meios de maior disseminação.

 

Note-se que, em Espanha, o presidente da Telefónica, José María Álvarez-Pallete, afirmou que "mais da metade do tráfego que circula pelas redes não é humano e, portanto, mais da metade é malicioso".

 

Mais informação em Media-tics.

Connosco
Jornalistas europeus a leste não escapam às restrições dos "media"... Ver galeria

A Europa sempre foi considerada segura para a imprensa, mas, nem o velho continente escapa à crescente violência contra os “media”. Um estudo do Reuters Institute indica que os jornalistas europeus estão sob  pressão crescente, particularmente, no Leste do continente.

Nos últimos três anos, foram assassinados três jornalistas europeus, todos por terem reportado casos de corrupção e crime organizado, aos quais não eram alheios os respectivos governos. Foram os casos Daphne Caruana Galizia, em Malta, Ján Kuciak, na Eslováquia, e Viktoria Marinova, na Bulgária.

Os indicadores de liberdade de imprensa apontam para valores preocupantes, especialmente em países como a Polónia, a Hungria e a Eslováquia, onde os “media” são ameaçados por políticos, mas, igualmente  por jornalistas. Neste inquérito, 63% dos jornalistas afirmam já ter sido, publicamente, criticados por uma figura pública, quer directamente, quer através das redes sociais.


... E “comité” de jornalistas elabora “top 10” da censura aos “media” Ver galeria

A Eritreia é o país onde a censura é exercida de uma forma mais implacável, segundo  uma lista divulgada pelo CPJ - Comité para a Protecção dos Jornalistas. Essa lista integra 10 países, e é baseada numa pesquisa da organização sobre leis repressivas e vigilância de jornalistas, incluíndo restrições no acesso à internet e às redes sociais.

A lista abrange apenas os países onde o governo controla, rigidamente, os “media”. As condições para jornalistas e liberdade de imprensa em países como a Síria, Iémen e Somália são, também, extremamente difíceis, quer pela censura do governamental, quer, ainda, devido a conflitos armados. 

Nos três países onde a censura mais se faz sentir - Eritreia, Coreia do Norte e Turquemenistão – os “media” funcionam como porta-voz do Estado, e qualquer tentativa de jornalismo independente só é viável a partir do exterior. Os poucos jornalistas estrangeiros autorizados a entrar nesses países são seguidos, de perto, pelas autoridades. Outros usam uma combinação de medidas contundentes, como assédio e detenção arbitrária, bem como vigilância sofisticada. A Arábia Saudita, China, Vietname e Irão são especialmente adeptos destes comportamentos. 

Segue-se a lista dos “10 mais” em matéria de censura aos “media”:


O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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