Sexta-feira, 10 de Julho, 2020
Media

A privacidade e dados pessoais correm risco de ficar reféns da internet

internet, uma das maiores obras concebidas pela Humanidade, tem vindo a degenerar numa ameaça aos princípios da liberdade.

Actualmente, no sistema capitalista, tudo se tornou numa mercadoria, incluindo os dados dos utilizadores. Como consequência, a perda da privacidade parece algo aceitável e inevitável. 

Na navegação online, facultamos os nossos dados ao Facebook e ao Google, entre outras entidades, em troca de um “acesso gratuito” às suas plataformas. Essas entidades recolhem, analisam e vendem os dados dos utilizadores que, posteriormente, acedem às suas contas repletas de publicidade personalizada e conteúdos patrocinados.

Para Enrique Dans, especialista em tecnologia e inovação, a privacidade é “um bem comum que temos de defender, debater e legislar adequadamente”.

Miguel Ormaetxea, editor do Media-Tics, refere que “o modelo para o qual a Internet deriva, baseado em plataformas, algoritmos, inteligência artificial e sensores, é profundamente antidemocrático”. Num artigo publicado no site, o autor compara-o a “um golpe de Estado silencioso”, que se “apresenta quase benevolente, discreto e bondoso”. 

A sociedade de vigilância tem-se espalhado rapidamente e, em muitos países, a monitorização constante nas ruas é aceite como uma garantia de segurança.

 

Na China, a videovigilância capta quase todos os movimentos nas cidades, imagens que são posteriormente analisadas pelas autoridades competentes. O reconhecimento facial e a inteligência artificial permitem, aliás, que sejam identificados em tempo real os cidadãos, usando o seu registo completo.

 

A Índia desenvolveu um sistema de identificação biométrica e anunciou que pretende implementar um sistema de reconhecimento facial, tal como Singapura e a França, além da China.

 

Will.i.am, fundador da I.AM+ – uma empresa de serviços electrónicos e assistentes de voz com inteligência artificial –, publicou no The Economist um manifesto no qual defende que “os dados pessoais devem ser considerados como um direito humano, como é, por exemplo, o direito de acesso à água”.

 

As redes sociais têm sido uma ferramenta para influenciar momentos de decisão, como eleições ou referendos, recorrendo frequentemente a contas falsas. 

 

Segundo um relatório divulgado por investigadores da Universidade de Oxford, a utilização de técnicas de desinformação por parte dos governos tem vindo a crescer, como forma de difamar os opositores e de combater opiniões opostas.

 

Os países com campanhas de desinformação aumentaram para 70 nos últimos dois anos, sendo que o Facebook continua a ser um dos meios de maior disseminação.

 

Note-se que, em Espanha, o presidente da Telefónica, José María Álvarez-Pallete, afirmou que "mais da metade do tráfego que circula pelas redes não é humano e, portanto, mais da metade é malicioso".

 

Mais informação em Media-tics.

Connosco
A importância da deontologia nas notícias sensíveis Ver galeria

Desde o início do século XX que o jornalismo passou a  reger-se por códigos deontológicos, que ditam as normas éticas da profissão, e que ajudam os jornalistas a solucionarem dilemas.

Estes princípios são, por norma, semelhantes, independentemente do “media” ou do país, e  podem ser resumidos em: verdade; verificação; relevância; diferenciação entre notícia e opinião;  lealdade para com o cidadão; e rectificação.

Tudo isto pode ser alargado com mais conceitos e raciocínios, desde a presunção de inocência à atribuição e transparência de fontes e citações , bem como à boa gestão de conflitos de interesse.

No entanto, afirmou o jornalista Fernando González Urbaneja num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas” -- editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- o incumprimento de qualquer um dos seis elementos enunciados é imperdoável.

Isto aplica-se, especialmente, às reportagens de cariz mais sensível. O dever de informar e o direito de conhecer os cidadãos são o coração, a espinha dorsal, a natureza do trabalho dos jornalistas. É necessário ter em conta as consequências, os efeitos, mas o essencial é satisfazer o direito de saber.


Agradecer a assinatura como forma de sensibilizar leitores Ver galeria

O modelo de negócio dos “media” está a mudar e cada vez mais títulos estão a optar pela implementação de um plano de subscrição.

Como tal, os editores procuram, naturalmente, conquistar um número crescente de leitores, que pagam, regularmente, pelo consumo dos seus conteúdos.

Ora, um estudo da Citizens and Technology Lab sugere que a forma ideal de alcançar esse objectivo passa, simplesmente, por agradecer aos subscritores pela sua contribuição.

Os responsáveis por este estudo analisaram as interacções no “site” Wikipedia, que depende de uma comunidade internacional, disposta a manter a plataforma actualizada, a custo zero. 


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague