Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Opinião

Manipular a RTP é destruir o serviço público

por Manuel Falcão

Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.

 

O programa, que devia ter retomado a sua exibição em Setembro, acabou por não ser emitido durante a campanha eleitoral por decisão da Direcção de Informação e apenas voltou na semana passada. Quem o viu perceberá o porquê da suspensão durante a campanha eleitoral - o trabalho de investigação sobre a exploração do lítio em Portugal e as concessões atribuídas gera desconforto no poder .

 

Tivesse ele sido exibido na altura prevista e um dos Ministros, agora reconduzido, João Galamba, teria sido pretexto para mais umas dores de cabeça de António Costa.

 

Galamba, que aliás é um dos bulldogs políticos de serviço ao PS, já se indignou sobre o programa, mostrando assim o seu conhecido apreço pela liberdade de opinião e de informação, evidenciando o que se pode ter passado nos bastidores da decisão. 

 

O que se passa é que, ao estimular comportamentos assim, quem esconde e adia programas como este está a prestar um péssimo serviço e a dar razão a todos os que querem acabar com o serviço público de televisão, dando pretexto a que surjam acusações de ingerência editorial. No news não é melhor que fake news.

 

Não se sabe, nem saberá, se a decisão de esconder o programa foi tomada por receio de ofender o poder ou por descarada intromissão deste, mas o que é facto é que uma das duas coisas existiu e isso não é bom. Até à data não ouvi nenhum dos bonzos do Conselho Geral Independente, essa inútil instituição criada por Poiares Maduro, pronunciar-se sobre o assunto, eles que eram supostos ser os guardiões da virtude.

 

O caso do “Sexta às 9” já proporcionou que alguns viessem clamar pela privatização da RTP e outras aleivosias do género, próprias de quem não entende das matérias sobre as quais se pronuncia.

 

Os mais liberais e avançados países europeus têm serviço público audiovisual forte e dinâmico, que é o fiel da balança na paisagem audiovisual desses países, que estimula o tecido económico da área e que é um bastião das respectivas culturas nacionais. Aqui a noção de serviço público é evitar incomodar os políticos, sobretudo os que estão no poder. E isso sim é que é preciso mudar. 

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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