Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Media

Liberdade de imprensa comprometida devido à propriedade dos “media” checos

A República Checa caiu 27 lugares, em cinco anos, no índice 

da Liberdade de Imprensa elaborado pelos Repórteres Sem Fronteiras, passando do 13º lugar, em 2014, para 40º, em 2019. 

De facto, o primeiro-ministro, Andrej Babiš, era o proprietário – e ainda é o “proprietário fantasma” – de 30% dos meios de comunicação privados no país. 

Por isso, várias associações internacionais de jornalistas e de media, além dos RSF, produziram um relatório que avaliou a situação da comunicação social na República Checa. 

Para esse trabalho foi constituído um grupo que contou com o apoio de jornalistas, editores, directores, professores, políticos e fundadores de media checos, do serviço público e privado.

Apurou-se, com o relatório, que a ligação do primeiro ministro aos media, dos quais é proprietário, é totalmente inadmissível em democracia. 

O relatório destacou, também, a facilidade com que o Parlamento e o Governo exercerem pressão sobre os media públicos, através da eleição de administradores executivos, entre outros recursos.

Todos os elementos consultados convergiram na identificação do primeiro ministro como titular de meios de comunicação privados.

 

Quando foi eleito para o cargo de primeiro-ministro, Andrej Babiš, transferiu os meios de comunicação que possuía para um fundo, mas, de acordo com os inquiridos, este foi um expediente que continua a favorecê-lo.

 

A situação representa um grande conflito de interesses. Por esse motivo, o relatório elaborado recomenda que a República Checa reveja a legislação relativa à possibilidade de os membros do governo e os parlamentares serem detentores de meios de comunicação social.

 

Com base, ainda, no relatório, pode concluir-se que a maioria dos cidadãos checos não tem acesso a uma informação independente e imparcial, expurgada dos interesses políticos em jogo.

 

Mais informação em EFJ.
Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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