Sexta-feira, 10 de Julho, 2020
Media

Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas...

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Owen cita um artigo – a ser publicado na próxima edição do American Behavioral Scientist–, de Brian Weeks, professor assistente da Universidade de Michigan, e Homero Gil de Zúñiga, da Universidade de Viena, onde se descrevem as "questões críticas" que poderão ser o foco da pesquisa em comunicação política.

 

Os autores pedem que os investigadores de comunicação política, que estão ligados a questões de desinformação, se concentrem nas mais urgentes. 


Apesar de admitirem que a informação falsa é um conceito complexo, os autores defendem que dedicar muito tempo a hierarquias noticiosas e a definições é um desperdício.

 

O importante é perceber quem está exposto a essa informação e quais os seus efeitos. Até ao momento, ainda não se percebeu, por exemplo, a frequência da exposição a este tipo de informação.

 

Os políticos, as elites e os membros do governo são fontes de fake news pouco estudada. Independentemente do espaço público valorizar ou não as afirmações oriundas desses grupos, o impacto do que dizem deverá implicar uma rotina de análise. 

 

A autora refere, ainda, um guia publicado pela First Draft News"Responsible Reporting in the Age of Information Disorder", elaborado por Victoria Kwapela, editora de ética e padrões da First Draft.

 

O guia destina-se a organizações jornalísticas e repórteres que "enfrentam uma série de novos desafios éticos” e é composto por temas como o “ponto de inflexão” e como tomar a decisão de cobrir uma história e de que maneira se devem cobrir assuntos como o extremismo, as teorias da conspiração e os conteúdos manipulados.

Mais informação em NiemanLab.

Connosco
Quando há códigos éticos associados ao jornalismo Ver galeria

O jornalismo está em constante mudança e, como tal, os códigos éticos associados à profissão deve ser actualizados, em permanência.


Há, contudo, alguns elementos que se vão mantendo, mais ou menos, constantes, como as ideologias associadas aos jornais.

Confrontado com este cenário, Pedro Pablo Bermúdez, um estudante colombiano de jornalismo, decidiu questionar os colaboradores da Fundación Gabo quanto à sua opinião sobre os posicionamentos políticos da imprensa e dos jornalistas.

Feita a consulta, alguns jornalistas da Fundação exprimiram os seus pontos de vista.

Assim, para a jornalista Mónica González, a isenção da imprensa é uma utopia. Assim, os jornais devem tentar ser o mais transparentes possível sobre a sua posição ideológica, para que os leitores consigam distinguir uma notícia de uma falácia construída em detrimento da oposição.

Da mesma forma, as empresas mediáticas deverão revelar quais as suas fontes de financiamento e o nome dos seus investidores.


A importância da deontologia nas notícias sensíveis Ver galeria

Desde o início do século XX que o jornalismo passou a  reger-se por códigos deontológicos, que ditam as normas éticas da profissão, e que ajudam os jornalistas a solucionarem dilemas.

Estes princípios são, por norma, semelhantes, independentemente do “media” ou do país, e  podem ser resumidos em: verdade; verificação; relevância; diferenciação entre notícia e opinião;  lealdade para com o cidadão; e rectificação.

Tudo isto pode ser alargado com mais conceitos e raciocínios, desde a presunção de inocência à atribuição e transparência de fontes e citações , bem como à boa gestão de conflitos de interesse.

No entanto, afirmou o jornalista Fernando González Urbaneja num artigo publicado nos “Cuadernos de Periodistas” -- editados pela APM, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- o incumprimento de qualquer um dos seis elementos enunciados é imperdoável.

Isto aplica-se, especialmente, às reportagens de cariz mais sensível. O dever de informar e o direito de conhecer os cidadãos são o coração, a espinha dorsal, a natureza do trabalho dos jornalistas. É necessário ter em conta as consequências, os efeitos, mas o essencial é satisfazer o direito de saber.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague