Sexta-feira, 24 de Janeiro, 2020
Media

O risco da “estratégia de ódio” incidir sobre os jornalistas

Com o avanço tecnológico, a presença activa nas redes sociais tornou-se essencial para os jornalistas. 

Esta presença online requer um certo tipo de precauções, podendo estar sujeita a directrizes, de forma a manter a pertinência dos seus trabalhos e a não comprometer a segurança dos jornalistas.

Assim, a era digital exerce um novo tipo de pressão sobre os profissionais e essa exposição online faz com que os jornalistas também fiquem expostos a haters.

Os movimentos de ódio fomentados contra um grupo específico têm, muitas das vezes, fins políticos.

Quando o objecto de ódio são os jornalistas, a questão torna-se mais complexa, uma vez que pode condicionar a liberdade de expressão e de imprensa, bem como o seu bem-estar físico e psicológico. 

Os media têm sido alvo de acusações por parte de políticos populistas, que tentam descredibilizar o seu trabalho e que utilizam exclusivamente, as redes sociais para comunicar com os seus eleitores.

A presença online dos jornalistas expõem-os a uma pressão constante, tornando-os frequentemente alvo dos movimentos haters.

 

Políticos como Donald Trump e Jair Bolsonaro têm um relacionamento muito conflituoso com os media e estão constantemente a tentar descredibilizá-los, a desvalorizar o seu trabalho e a tentar boicotá-los.

 

Essas acções não configuram uma atitude critica perante a imprensa, mas, sim, uma estratégia política específica do populismo. 

Jay Rosen, jornalista e autor do PressThink – um blog sobre jornalismo e suas provações –, explica que a base do populismo é obter “ganhos políticos”, através da propagação de sentimentos de animosidade face a pessoas consideradas perigosas. “O líder promete lidar duramente com esse grupo desprezado e fazer justiça ao povo”, que é o centro da sua acção política.

 

No caso concreto brasileiro, Bolsonaro encara os opositores e os jornalistas como um perigo potencial. Os profissionais recebem feedback de uma forma imediata, contudo, isso não os impedirá de exercerem o seu trabalho. Algumas redacções implementaram determinadas formas para auxiliar os jornalistas no uso das redes sociais, de forma a garantir que a sua “isenção” não seja posta em causa.

 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 140 milhões de pessoas estão activas nas redes sociais, dos quais 130 milhões acedem à internet através de um smartphone, o que representa 62% da população.

 

No caso de Jair Bolsonaro, o presidente tem 5,2 milhões de seguidores no Twitter e utiliza maioritariamente as redes sociais para inserir comunicados oficiais, marginalizando a imprensa.

 

internet e a as redes sociais funcionam como uma “arena pública” de informação e debate e os políticos populistas estão a torná-las os “meios de comunicação privados”.

 

É necessário que os jornalistas reajam para enfrentar esta situação, mas sem comprometer a sua ética profissional. 

 

Mais informação em Objethos.

Connosco
Jornalistas europeus a leste não escapam às restrições dos "media"... Ver galeria

A Europa sempre foi considerada segura para a imprensa, mas, nem o velho continente escapa à crescente violência contra os “media”. Um estudo do Reuters Institute indica que os jornalistas europeus estão sob  pressão crescente, particularmente, no Leste do continente.

Nos últimos três anos, foram assassinados três jornalistas europeus, todos por terem reportado casos de corrupção e crime organizado, aos quais não eram alheios os respectivos governos. Foram os casos Daphne Caruana Galizia, em Malta, Ján Kuciak, na Eslováquia, e Viktoria Marinova, na Bulgária.

Os indicadores de liberdade de imprensa apontam para valores preocupantes, especialmente em países como a Polónia, a Hungria e a Eslováquia, onde os “media” são ameaçados por políticos, mas, igualmente  por jornalistas. Neste inquérito, 63% dos jornalistas afirmam já ter sido, publicamente, criticados por uma figura pública, quer directamente, quer através das redes sociais.


... E “comité” de jornalistas elabora “top 10” da censura aos “media” Ver galeria

A Eritreia é o país onde a censura é exercida de uma forma mais implacável, segundo  uma lista divulgada pelo CPJ - Comité para a Protecção dos Jornalistas. Essa lista integra 10 países, e é baseada numa pesquisa da organização sobre leis repressivas e vigilância de jornalistas, incluíndo restrições no acesso à internet e às redes sociais.

A lista abrange apenas os países onde o governo controla, rigidamente, os “media”. As condições para jornalistas e liberdade de imprensa em países como a Síria, Iémen e Somália são, também, extremamente difíceis, quer pela censura do governamental, quer, ainda, devido a conflitos armados. 

Nos três países onde a censura mais se faz sentir - Eritreia, Coreia do Norte e Turquemenistão – os “media” funcionam como porta-voz do Estado, e qualquer tentativa de jornalismo independente só é viável a partir do exterior. Os poucos jornalistas estrangeiros autorizados a entrar nesses países são seguidos, de perto, pelas autoridades. Outros usam uma combinação de medidas contundentes, como assédio e detenção arbitrária, bem como vigilância sofisticada. A Arábia Saudita, China, Vietname e Irão são especialmente adeptos destes comportamentos. 

Segue-se a lista dos “10 mais” em matéria de censura aos “media”:


O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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