Quarta-feira, 8 de Abril, 2020
Media

O risco da “estratégia de ódio” incidir sobre os jornalistas

Com o avanço tecnológico, a presença activa nas redes sociais tornou-se essencial para os jornalistas. 

Esta presença online requer um certo tipo de precauções, podendo estar sujeita a directrizes, de forma a manter a pertinência dos seus trabalhos e a não comprometer a segurança dos jornalistas.

Assim, a era digital exerce um novo tipo de pressão sobre os profissionais e essa exposição online faz com que os jornalistas também fiquem expostos a haters.

Os movimentos de ódio fomentados contra um grupo específico têm, muitas das vezes, fins políticos.

Quando o objecto de ódio são os jornalistas, a questão torna-se mais complexa, uma vez que pode condicionar a liberdade de expressão e de imprensa, bem como o seu bem-estar físico e psicológico. 

Os media têm sido alvo de acusações por parte de políticos populistas, que tentam descredibilizar o seu trabalho e que utilizam exclusivamente, as redes sociais para comunicar com os seus eleitores.

A presença online dos jornalistas expõem-os a uma pressão constante, tornando-os frequentemente alvo dos movimentos haters.

 

Políticos como Donald Trump e Jair Bolsonaro têm um relacionamento muito conflituoso com os media e estão constantemente a tentar descredibilizá-los, a desvalorizar o seu trabalho e a tentar boicotá-los.

 

Essas acções não configuram uma atitude critica perante a imprensa, mas, sim, uma estratégia política específica do populismo. 

Jay Rosen, jornalista e autor do PressThink – um blog sobre jornalismo e suas provações –, explica que a base do populismo é obter “ganhos políticos”, através da propagação de sentimentos de animosidade face a pessoas consideradas perigosas. “O líder promete lidar duramente com esse grupo desprezado e fazer justiça ao povo”, que é o centro da sua acção política.

 

No caso concreto brasileiro, Bolsonaro encara os opositores e os jornalistas como um perigo potencial. Os profissionais recebem feedback de uma forma imediata, contudo, isso não os impedirá de exercerem o seu trabalho. Algumas redacções implementaram determinadas formas para auxiliar os jornalistas no uso das redes sociais, de forma a garantir que a sua “isenção” não seja posta em causa.

 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 140 milhões de pessoas estão activas nas redes sociais, dos quais 130 milhões acedem à internet através de um smartphone, o que representa 62% da população.

 

No caso de Jair Bolsonaro, o presidente tem 5,2 milhões de seguidores no Twitter e utiliza maioritariamente as redes sociais para inserir comunicados oficiais, marginalizando a imprensa.

 

internet e a as redes sociais funcionam como uma “arena pública” de informação e debate e os políticos populistas estão a torná-las os “meios de comunicação privados”.

 

É necessário que os jornalistas reajam para enfrentar esta situação, mas sem comprometer a sua ética profissional. 

 

Mais informação em Objethos.

Connosco
Editores descontentes com projecto de apoio aos jornais "à medida das televisões" Ver galeria

Na sequência de apelos de várias empresas mediáticas, o Governo está, finalmente, a preparar um conjunto de medidas de apoio aos “media”, gravemente afectados pela crise instalada no país, na sequência da pandemia de Covid-19. 

Tudo indica, contudo, que o pacote destinado a compensar a quebra de receitas de circulação e publicidade não irá ao encontro das necessidades dos editores de jornais e revistas nem, tão pouco, de quem as distribui.

Isto porque as medidas que o Governo está a preparar terão como base a quebra de receitas da publicidade, omitindo, porém, o valor perdido com a diminuição abrupta na circulação, problema que não afecta as televisões.
"O pacote, como está neste momento, é feito à medida das televisões, porque não tem em conta os jornais e revistas, os meios mais prejudicados com a crise de saúde e económica que estamos a viver", explicou Afonso Camões, administrador do Grupo Global Media. "Sem imprensa escrita, é ,em primeira e última análise, o direito à informação, o Estado de direito e a Democracia que ficam em causa".

Perseguição à imprensa gera divisão ideológica no Brasil Ver galeria

Apesar dos esforços dos “media” para alcançar um consenso perante a pandemia do coronavírus, o discurso do Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, tem contribuído para a polarização ideológica dos cidadãos, referiu Francisco Fernandes Ladeira, num artigo publicado no Observatório da Imprensa.

Isto porque, segundo Ladeira, Bolsonaro tem contrariado as directivas da imprensa para a contenção do coronavírus, apontadas pela OMS e pelo próprio ministério da Saúde brasileiro, acusando os “media” de disseminarem o pânico, deliberadamente, e sem fundamento.
Até meados do mês de Março, com a divulgação dos primeiros casos de covid-19 no Brasil, havia um relativo consenso entre a população sobre a quarentena transversal ser a melhor alternativa para evitar a rápida propagação do coronavírus.
Porém, devido aos discursos “inflamados” do Presidente os “media” têm sido descredibilizados. Essas premissas incentivaram, mesmo, aviolência sob jornalistas, que têm encontrado cada vez mais obstáculos ao exercício da profissão.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Jornalismo Empreendedor
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Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun