Sábado, 1 de Outubro, 2022
Media

O risco da “estratégia de ódio” incidir sobre os jornalistas

Com o avanço tecnológico, a presença activa nas redes sociais tornou-se essencial para os jornalistas. 

Esta presença online requer um certo tipo de precauções, podendo estar sujeita a directrizes, de forma a manter a pertinência dos seus trabalhos e a não comprometer a segurança dos jornalistas.

Assim, a era digital exerce um novo tipo de pressão sobre os profissionais e essa exposição online faz com que os jornalistas também fiquem expostos a haters.

Os movimentos de ódio fomentados contra um grupo específico têm, muitas das vezes, fins políticos.

Quando o objecto de ódio são os jornalistas, a questão torna-se mais complexa, uma vez que pode condicionar a liberdade de expressão e de imprensa, bem como o seu bem-estar físico e psicológico. 

Os media têm sido alvo de acusações por parte de políticos populistas, que tentam descredibilizar o seu trabalho e que utilizam exclusivamente, as redes sociais para comunicar com os seus eleitores.

A presença online dos jornalistas expõem-os a uma pressão constante, tornando-os frequentemente alvo dos movimentos haters.

 

Políticos como Donald Trump e Jair Bolsonaro têm um relacionamento muito conflituoso com os media e estão constantemente a tentar descredibilizá-los, a desvalorizar o seu trabalho e a tentar boicotá-los.

 

Essas acções não configuram uma atitude critica perante a imprensa, mas, sim, uma estratégia política específica do populismo. 

Jay Rosen, jornalista e autor do PressThink – um blog sobre jornalismo e suas provações –, explica que a base do populismo é obter “ganhos políticos”, através da propagação de sentimentos de animosidade face a pessoas consideradas perigosas. “O líder promete lidar duramente com esse grupo desprezado e fazer justiça ao povo”, que é o centro da sua acção política.

 

No caso concreto brasileiro, Bolsonaro encara os opositores e os jornalistas como um perigo potencial. Os profissionais recebem feedback de uma forma imediata, contudo, isso não os impedirá de exercerem o seu trabalho. Algumas redacções implementaram determinadas formas para auxiliar os jornalistas no uso das redes sociais, de forma a garantir que a sua “isenção” não seja posta em causa.

 

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 140 milhões de pessoas estão activas nas redes sociais, dos quais 130 milhões acedem à internet através de um smartphone, o que representa 62% da população.

 

No caso de Jair Bolsonaro, o presidente tem 5,2 milhões de seguidores no Twitter e utiliza maioritariamente as redes sociais para inserir comunicados oficiais, marginalizando a imprensa.

 

internet e a as redes sociais funcionam como uma “arena pública” de informação e debate e os políticos populistas estão a torná-las os “meios de comunicação privados”.

 

É necessário que os jornalistas reajam para enfrentar esta situação, mas sem comprometer a sua ética profissional. 

 

Mais informação em Objethos.

Connosco
Gazeta Wyborcza da Polónia recebe prémio da liberdade de imprensa Ver galeria

A Gazeta Wyborcza e a Fundação Gazeta Wyborcza, da Polónia, receberam, no World News Media Congress 2022, das mãos do Rei Felipe VI, o prémio da liberdade de imprensa da Associação Mundial de Editores Noticiosos (WAN-IFRA).

Para a WAN-IFRA, o prémio reconheceu “um meio que se apresenta como um farol de independência e um baluarte contra o autoritarismo”, além se ser “um jornal de referência que demonstra os seus valores diariamente, através das suas páginas, apoiando jovens jornalistas, na promoção de notícias locais e trabalhando através das fronteiras em solidariedade com colegas necessitados”.

Estes são valores que, para a Associação, representam o que se defende para os media a nível mundial, e que demonstram a importância de continuar a defender uma imprensa livre, para além da demonstração de solidariedade.

A Gazeta Wyborcza criou, em 2019, a Fundação A Gazeta Wyborcza, de forma a salvaguardar o futuro da publicação e a fortalecer o jornalismo de qualidade na Polónia. Os seus projectos denunciaram já organizações neofascistas, combateram a desinformação, a polarização, entre outras questões que marcaram a actualidade.

Tendo em conta a deterioração da democracia polaca, que se encontra em 64º lugar no “Ranking de Liberdade de Imprensa” dos Repórteres Sem Fronteiras, “o compromisso cívico é mais necessário do que nunca”, conforme referiu Joanna Krawczyk, directora da Gazeta Wyborcza e presidente do Conselho da Fundação.

Organizações preocupadas com “Lei Classificada” em Espanha propõem reformulação Ver galeria

As organizações Hay Derecho, Más Democracia, Access Info e Transparencia Internacional España emitiram um comunicado conjunto, no Dia Internacional do Acesso Universal à Informação, acerca do Segredo de Estado.

Alegam, designadamente, que o Projecto de Lei sobre a Lei Classificada não garante um equilíbrio entre a classificação da informação e o direito à liberdade de informação, responsabilidade e transparência.

A lei “não pode permitir, em nome de uma alegada segurança nacional, potenciais violações dos direitos humanos, quanto mais crimes contra a humanidade”, realçaram. Além disso, admitiram uma “reserva temporária”, mas acreditam que a “transparência deve prevalecer no final desse tempo legalmente estabelecido”.

As principais preocupações para com o Projecto de Lei apresentado pelo Governo espanhol devem-se a questões como a motivação para a classificação, a legitimação de quem classifica, os direitos fundamentais, os prazos para desclassificar a informação, a legitimação para recorrer das decisões e o incumprimento do próprio processo.

Para as organizações, é preciso que seja justificada e pertinente a classificação de uma informação como “Segredo de Estado”, já que há tópicos assim classificados que em nada têm a ver com a segurança nacional. Também, o facto de existirem diversos cargos políticos aos quais se dá o direito de classificar uma informação como tal, revelou-se um problema.

Além de ter de assegurar o respeito pelos direitos fundamentais no âmbito da liberdade à informação, as associações consideraram que o Projecto de Lei deveria clarificar os prazos para desclassificar a informação como “secreta”, já que existe informação há mais de 50 anos nesta condição.

O Clube


Lançado em novembro de 2016, este site do Clube Português de Imprensa tem mantido, desde então, uma actividade regular, com actualizações diárias, quer sobre iniciativas próprias da Associação, quer sobre a actualidade relacionada com os media portugueses e internacionais.

O site tem sido, ainda, um fórum de debate e de reflexão sobre as questões que se colocam ao jornalismo e aos jornalistas, reunindo a opinião de vários colunistas e textos editados por instituições com as quais celebrámos parcerias, desde o Observatório de Imprensa do Brasil à Asociacion de la Prensa de Madrid ou ao jornal “A Tribuna” de Macau.

Em seis anos de presença online constante, com um crescimento assinalável de visitantes, é natural que o site deva corresponder a essa procura, reinventando-se e procedendo a uma actualização tecnológica.

Pela sua natureza, essa modernização conceptual implicará algumas modificações na frequência e rotatividade de conteúdos, já a partir de outubro. É uma transição necessária.

Continuamos a contar com o interesse e adesão dos associados, além dos muitos milhares de frequentadores deste site, que constituem um valioso incentivo para quem contribui, sem outras ambições nem dependências, para um suporte digital que é um dos principais “cartões de visita” do Clube Português de Imprensa, fundado em 1980.  

 

A Direcção


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Opinião
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