Sexta-feira, 27 de Novembro, 2020
Media

“Ombudsman” (ou Provedor dos “Media”) figura em vias de extinção

A figura do ombudsman dos media, corresponde a um mediador que promove a interacção entre os órgãos de comunicação social e o público, tendo também uma responsabilidade crítica. 

A função, na sua origem, passava por “ouvir” os leitores, ouvintes e telespectadores em relação aos conteúdos dos media

A palavra surgiu na Suécia, a partir do termo justitiombudsman, e tinha um carácter público. Nos Estados Unidos decidiram adoptar a expressão para definir o defensor do leitor, surgindo assim o ombudsman. A terminologia varia de país para país, desde “defensor del lector” em Espanha, “médiateur” em França e “provedor do leitor” em Portugal.

O cargo de provedor surgiu em Portugal, apenas em 1990, o que pode ser considerado relativamente tardio, quando comparado com os Estados Unidos – onde o newsombudsman surgiu nos jornais Louisville Courier Journal e Louisville Times, no estado de Kentucky, em 1967 – e no Brasil o primeiro ombudsman apareceu em  1989, no jornal Folha de S. Paulo.

Apesar de tardio, o Provedor do Leitor (do Ouvinte ou do Telespectador) entrou em declínio e está em vias de extinção nos media portugueses.

Juliana Rosas, pesquisadora do objETHOS, publicou um oportuno artigo no site do Observatório da Imprensa do Brasil, com o qual o CPI tem um acordo de parceria, no qual reflecte sobre o tema.


No Brasil, o ombudsman de imprensa tinha como missão: ouvir o leitor e criticar não só o seu jornal, mas igualmente os media em geral. Já nos Estados Unidos a função era menos crítica.

 

O provedor teve o seu apogeu durante os anos 90, numa fase de reforço da democracia no Brasil e no mundo, marcada pelo fim da Guerra Fria e pela queda do Muro de Berlim. 

 

O primeiro jornal português generalista a criar o cargo foi o Diário de Notícias, em 1997, que foi assegurado pelo actual vice-presidente da ERC, Mário Mesquita. Anteriormente, já o desportivo Record tinha criado a mesma figura, em 1992, confiada a David Borges.

 

Apesar do boom inicial, a partir dos anos 2000 já se observava uma quebra acentuada de provedorias. Não é possível proceder a   uma análise precisa dos números, uma vez que a Organization of News Ombudsmen and Standards Editors tem a informação desactualizada.

 

No Brasil, apenas os jornais Folha de S.Paulo e O Povo, no Ceará, mantêm o cargo de ombudsman

 

A autora refere que o jornalismo “é um negócio que presta serviço público” e esta ambivalência pode ser uma das razões que levou à extinção do cargo.

 

Há que considerar, contudo, que a existência de um ombudsman pode ser uma forma de garantir a transparência e a responsabilidade das empresas de comunicação, promovendo a sua credibilidade.

Mais informação em Observatório da Imprensa do Brasil.

Connosco
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O Presidente da Associação de Imprensa de Madrid -- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera essencial que os “media” continuem a promover a dimensão social do jornalismo.

No discurso inaugural do Congresso da Comunicação Especializada na Sociedade da Informação, Juan Caño recordou que, com a crise pandémica, esta função "tem sido exercida de forma exemplar por vários meios de comunicação social", que, durante meses, não se esqueceram de "encorajar a população a superar a calamidade”.

Porém, ultimamente, começou a registar-se um “cansaço dos media', perante demasiada informação", recordou Caño. 

Este fenómeno tem vindo a ocorrer "à medida que a informação se foi tornando repetitiva e deixou de oferecer soluções viáveis", acrescentou.

Esta afirmação é sustentada pelo Relatório Anual da Profissão Jornalística 2020 da APM -- a ser publicado a 16 de Dezembro -- que revela que 43% dos espanhóis considerou excessiva a cobertura da pandemia.


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O jornalismo deve ser encarado como um produto, para que os “media” possam prosperar de forma sustentável, defendeu o jornalista Rich Gordon num artigo publicado no “site” do Knight Center.

De acordo com o autor, os profissionais dos “media” rejeitam, por norma, esta ideia, já que para a maioria defende o jornalismo como sendo, única e exclusivamente, um serviço público.

E, embora Gordon acredite que esta deve ser a principal premissa dos jornalistas, considera, igualmente, essencial que a imprensa siga as tendências de mercado.

Como tal, reuniu, numa lista, seis razões pelos quais os “media” devem encarar os seus conteúdos como um produto.

Em primeiro lugar, Gordon recorda que os “websites”, os jornais, as “newsletters” são “mercadorias” -- os cidadãos decidem se querem ou não consumi-las, perante uma imensidão de escolhas. Além disso, a popularidade destes produtos depende do seu nível de inovação e de qualidade.

Este tipo de mentalidade existe há dois séculos -- os jornais do século XIX seguiam as exigências do mercado, a lei da oferta e da procura. A estratégia consistia em distribuir o máximo de jornais, a um preço reduzido, esperando conseguir o apoio de anunciantes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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