Sexta-feira, 10 de Abril, 2020
Mundo

“Media” cubanos denunciam repressão do jornalismo independente

Foi publicado um comunicado conjunto, assinado por 19 meios de comunicação independentes, que denuncia a repressão que sofrem por parte do governo.

O comunicado está disponível no site CUBANET e, segundo a informação que consta no documento, desde janeiro de 2018 foram documentadas 183 agressões a jornalistas que trabalham em Cuba, tendo-se verificado um aumento deste tipo de crime nos últimos meses.

Os ataques têm como objectivo reprimir a imprensa independente, através de “detenções arbitrárias, interrogatórios, intimidação psicológica, agressões verbais, buscas domiciliárias, proibição de sair do país, assédio sexual, cyberbullying, difamação”, entre outros, refere o documento.

Os meios citam, também, que “estas agressões restringem o direito dos cidadãos cubanos à informação de interesse público, e, por conseguinte, impedem-nos de aceder e participar na tomada de decisões”.

O comunicado exige que o governo revogue as leis que violam o direito à liberdade de expressão e que legalizem os media independentes.

A jornalista Paola Nalvarte publicou um artigo, disponível no site Knight Center for Journalism in the Americas, no qual reporta a situação.

O jornalismo em Cuba continua marcado pela repressão governamental, a perseguição aos jornalistas independentes e a supressão das necessidades de informação da população.

 

A imprensa independente foi silenciada em Cuba na década de 60. O governo cubano controla quase todos os meios de comunicação e restringe o acesso ao exterior. Segundo a Constituição cubana, os meios de comunicação social são propriedade do Estado, não podendo ser privados.

 

A 18 de setembro, um grupo de 55 jornalistas, editores, investigadores e professores assinaram um manifesto que denunciava as violações da liberdade de imprensa e pedia o fim da repressão dos jornalistas independentes. Hoje esse manifesto conta com mais de mil assinaturas.

 

Entretanto, 19 meios de comunicação independentes –14ymedio, ADN Cuba, Alas Tensas, Árbol Invertido, Asociación Pro Libertad de Prensa (APLP), CiberCuba, Convivencia, CubaNet, Diario de Cuba, El Estornudo, Havana Times, Hypermedia Magazine, La Hora de Cuba, Play-Off Magazine, Proyecto Inventario, Puente a la Vista, Rialta, Tremenda Nota y YucaByte – publicaram um comunicado que denuncia a repressão e os ataques que sofrem por parte do governo de Miguel Díaz-Canel.

 

O comunicado condena os ataques à liberdade de imprensa, solicita a legalização da prática jornalística por parte dos meios independentes e não estatais, requer a revogação das leis e regulamentos que restringem a liberdade de expressão, a transparência da informação, entre outros.

 

O portal de notícias 14yMedio, que foi o primeiro meio de comunicação independente em Cuba em 50 anos, refere que graças à internet e às novas tecnologias surgiram vários meios de comunicação digitais independentes, que desafiam o controlo exercido pelo Partido Comunista. Frequentemente, o governo bloqueia o acesso aos sites e apenas uma fracção da população consegue aceder a estes meios independentes.

 

Para combater este crescimento e silenciar os meios independentes, em julho, o governo cubano anunciou um decreto-lei que declara que qualquer cubano que tiver um site num servidor estrangeiro será multado e os seus equipamentos apreendidos.

 

 

Mais informação em Knight Center for Journalism in the Americas.

 

Connosco
Associações apelam em Espanha para governo apoiar os “media” Ver galeria

Em Espanha, os “media” estão a atravessar dificuldades, espoletadas pelas quebras na publicidade e na circulação. Várias associações do sector apelaram, mesmo, ao governo, visando a elaboração de um plano de apoio.

Perante esta situação, a Associação Espanhola de Ética e Filosofia Política, solidária com a situação da imprensa no país, criou um documento de medidas que considera oportunas para a sustentabilidade do sector mediático.


Em resumo, a referida carta diz o seguinte:


“A Associação Espanhola de Ética e Filosofia Política pede ao governo que compense a perda de receitas e dos custos da manutenção de uma actividade essencial, nas actuais circunstâncias.
Semanas depois de terem sido decretadas medidas para a contenção da pandemia da COVID-19, a situação dos media é crítica.

Fundo de informação nos EUA faz doação para apoiar jornais Ver galeria

Os “media” estão a ressentir-se dos efeitos da crise, desencadeada pela epidemia de covid-19. Alguns jornais estão, mesmo, a fechar portas, devido à quebra nas receitas, que impede o pagamento de salários aos colaboradores, deixando várias comunidades sem meios de informação local.

Contudo, têm surgido várias vagasde solidariedade, por parte de entidades que consideram essencial o trabalho jornalístico, numa altura em que a população carece de notícias para se manter informada e segura.

Assim, um conjunto de associações norte-americanas doou 2,5 milhões de dólares ao Fundo de Informação Comunitária de Covid-19, sediado no Estado da Pensilvânia.

Criado pela IPMF -- Independence Public Media Foundation, em conjunto com outras fundações que apoiam os “media”,  o Fundo de Informação Comunitária de Covid-19 irá apoiar uma vasta gama jornais e de organizações comunitárias, que fornecem informações locais sobre a disseminação do vírus.

O Clube


A pandemia provocada pelo coronavírus está a provocar um natural alarme em todo o mundo e a obrigar a comunidade internacional a adoptar planos de contingência,  inéditos em tempo de paz, designadamente, obrigando a quarentenas e a restrições, cada vez mais gravosas, para tentar controlar o contágio. 

A par da Saúde e do dispositivo de segurança, são os “media” que estão na primeira linha para informar e esclarecer as populações, alguns já com as suas redacções a trabalhar em regime de teletrabalho.   

Este “site” do Clube Português de Imprensa , também em teletrabalho, procurará manter as suas actualizações regulares, para que os nossos Associados e visitantes em geral disponham de mais  uma fonte de consulta confiável, acompanhando o que se passa  com os “media”, em diferentes pontos do globo, e em comunhão estreita perante uma crise de Saúde com contornos singulares.

O jornalismo e os jornalistas têm especiais responsabilidades,  bem como   as associações do sector. Se os transportes, a Banca, e o abastecimento de farmácias e de bens essenciais são vitais  para assegurar o funcionamento do  País,  com a maior parte das portas fechadas, a informação atempada e rigorosa não o é menos.  

Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.  

 


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Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
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