Sábado, 26 de Setembro, 2020
Mundo

“Media” cubanos denunciam repressão do jornalismo independente

Foi publicado um comunicado conjunto, assinado por 19 meios de comunicação independentes, que denuncia a repressão que sofrem por parte do governo.

O comunicado está disponível no site CUBANET e, segundo a informação que consta no documento, desde janeiro de 2018 foram documentadas 183 agressões a jornalistas que trabalham em Cuba, tendo-se verificado um aumento deste tipo de crime nos últimos meses.

Os ataques têm como objectivo reprimir a imprensa independente, através de “detenções arbitrárias, interrogatórios, intimidação psicológica, agressões verbais, buscas domiciliárias, proibição de sair do país, assédio sexual, cyberbullying, difamação”, entre outros, refere o documento.

Os meios citam, também, que “estas agressões restringem o direito dos cidadãos cubanos à informação de interesse público, e, por conseguinte, impedem-nos de aceder e participar na tomada de decisões”.

O comunicado exige que o governo revogue as leis que violam o direito à liberdade de expressão e que legalizem os media independentes.

A jornalista Paola Nalvarte publicou um artigo, disponível no site Knight Center for Journalism in the Americas, no qual reporta a situação.

O jornalismo em Cuba continua marcado pela repressão governamental, a perseguição aos jornalistas independentes e a supressão das necessidades de informação da população.

 

A imprensa independente foi silenciada em Cuba na década de 60. O governo cubano controla quase todos os meios de comunicação e restringe o acesso ao exterior. Segundo a Constituição cubana, os meios de comunicação social são propriedade do Estado, não podendo ser privados.

 

A 18 de setembro, um grupo de 55 jornalistas, editores, investigadores e professores assinaram um manifesto que denunciava as violações da liberdade de imprensa e pedia o fim da repressão dos jornalistas independentes. Hoje esse manifesto conta com mais de mil assinaturas.

 

Entretanto, 19 meios de comunicação independentes –14ymedio, ADN Cuba, Alas Tensas, Árbol Invertido, Asociación Pro Libertad de Prensa (APLP), CiberCuba, Convivencia, CubaNet, Diario de Cuba, El Estornudo, Havana Times, Hypermedia Magazine, La Hora de Cuba, Play-Off Magazine, Proyecto Inventario, Puente a la Vista, Rialta, Tremenda Nota y YucaByte – publicaram um comunicado que denuncia a repressão e os ataques que sofrem por parte do governo de Miguel Díaz-Canel.

 

O comunicado condena os ataques à liberdade de imprensa, solicita a legalização da prática jornalística por parte dos meios independentes e não estatais, requer a revogação das leis e regulamentos que restringem a liberdade de expressão, a transparência da informação, entre outros.

 

O portal de notícias 14yMedio, que foi o primeiro meio de comunicação independente em Cuba em 50 anos, refere que graças à internet e às novas tecnologias surgiram vários meios de comunicação digitais independentes, que desafiam o controlo exercido pelo Partido Comunista. Frequentemente, o governo bloqueia o acesso aos sites e apenas uma fracção da população consegue aceder a estes meios independentes.

 

Para combater este crescimento e silenciar os meios independentes, em julho, o governo cubano anunciou um decreto-lei que declara que qualquer cubano que tiver um site num servidor estrangeiro será multado e os seus equipamentos apreendidos.

 

 

Mais informação em Knight Center for Journalism in the Americas.

 

Connosco
“Media” franceses publicam carta de apoio ao “Charlie Hebdo” Ver galeria

Cerca de uma centena de “media” franceses publicaram uma carta aberta de apoio à revista “Charlie Hebdo”, em resposta a um apelo do director da publicação, Riss. Aliás, as antigas instalações da revista voltaram a testemunhar a violência: em 25 de Setembro, quatro pessoas ficaram feridas, naquele local, noutro ataque desta vez com arma branca.

Em declarações à agência de notícias France-Presse, Riss afirmou que a revista satírica francesa tinha sido “mais uma vez ameaçada por organizações terroristas”, em pleno julgamento dos atentados de Janeiro de 2015, visando, igualmente, “todos os meios de comunicação e, mesmo, o Presidente”.

“Achámos necessário sugerir aos ‘media’ que pensassem na resposta colectiva que merecia ser dada a esta situação”, explicou.

Na carta aberta, intitulada “Juntos, vamos defender a liberdade”, os órgãos de comunicação social apelaram, então,  à defesa da imprensa.  “Hoje, em 2020, alguns de vós estão a receber ameaças de morte nas redes sociais quando expõem opiniões. Os meios de comunicação social são, abertamente, visados por organizações terroristas internacionais. Os Estados exercem pressões sobre os jornalistas franceses [considerados] ‘culpados’ de publicarem artigos críticos”, pode ler-se no documento.


Liberdade de imprensa em Hong Kong continua a deteriorar-se Ver galeria

As autoridades de Hong Kong estão a apertar  as restrições à liberdade de imprensa, tendo anunciado que vão deixar de aceitar determinadas acreditações jornalísticas.

Assim, só serão aceites acreditações fornecidas por organizações noticiosas registadas no sistema de informação governamental. Desta forma, as centenas de  jornalistas membros daHong Kong Journalists Association (HKJA) e da Hong Kong Press Photographers Association (HKPPA) não poderão comparecer a conferências de imprensa. 

Entretanto, a  HKJA, a HKPPA, e cinco outros sindicatos, exigiram que a nova política fosse retirada. "A emenda permite às autoridades decidirem quem é considerado repórter, o que altera, fundamentalmente, o sistema existente em Hong Kong.  (...) Isto condicionará, gravemente, a liberdade de imprensa, conduzindo a cidade a um regime autoritário".

Numa carta remetida ao Hong Kong Foreign Correspondents Club , um superintendente da polícia, Kwok Ka-chuen,  tentou justificar a aplicação da emenda, afirmando que as manifestações da região semi-autónoma "atraem, frequentemente centenas de repórteres, que participam em protestos, e que agridem a polícia”.  "Isto sobrecarrega a aplicação da lei”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo