Sexta-feira, 5 de Junho, 2020
Media

O populismo em expansão ameaça o jornalismo em Itália

De acordo com um relatório da Plataforma do Conselho da Europa para a Protecção do Jornalismo e Segurança dos Jornalistas, a Itália registou o maior aumento de alertas de liberdade de imprensa em 2018. A Itália, a Rússia, Bósnia-Herzegóvina, Azerbaijão e Turquia não responderam às solicitações da Plataforma do Conselho da Europa.

Os jornalistas italianos destacam a violência exercida contra profissionais da informação e a mudança contínua na relação entre política e jornalismo.

A diminuição dos financiamentos destinados a organizações noticiosas, aliada à crise económica do sector, tem trazido grandes desafios ao jornalismo italiano.

Os jornalistas confirmaram, em entrevistas ao IPI, o ambiente de deterioração para a imprensa. Apesar deste registo estar entre os mais problemáticos da Europa Ocidental, muito analistas destacam que o “quadro constitucional, as instituições e a longa tradição democrática do país oferecem um forte protecção”.

De facto, os jornalistas concordam que a sua situação não pode ser comparada à repressão sofrida na Hungria, Polónia, Turquia ou Rússia, mas não escondem as suas apreensões.
A jornalista Giulia Shaughnessy escreveu um artigo, publicado no site do IPI, no qual aborda o tema.

A crise económica e a nova actualidade política têm vindo a gerar um clima cada vez mais adverso em relação à imprensa. Entre Junho de 2018 a Agosto de 2019, o presidente italiano, Sergio Mattarella, interveio doze vezes para defender e reforçar o artigo 21 da Constituição italiana – que garante o direito à liberdade de expressão e liberdade de imprensa –, em resposta aos ataques do governo contra a liberdade de imprensa.

 

O Movimento 5 Estrelas e a Liga utilizaram as redes sociais para comunicar com os eleitores, procurando desacreditar a fiabilidade do jornalismo. Tanto Matteo Salvini como Luigi Di Maio, usaram aquelas redes para propagar as suas mensagens politicas, conseguindo assim evitar as perguntas dos jornalistas. Esta alteração de paradigma conduziu a uma mudança da dinâmica entre jornalistas e políticos.

 

Giulia Shaughnessy refere no artigo que os próprios meios de comunicação italianos “passam cada vez mais tempo a correr atrás de declarações extremistas ou absurdas dos políticos, em vez de cobrirem temas de maior interesse público”.

 

Na última década, também os apoios directos e indirectos, através de financiamentos destinados a organizações noticiosas, diminuiu o valor, que desceu de 170 milhões de euros em 2007 para 62 milhões de euros em 2017.

 

Os cortes anunciados pela anterior coligação iriam afectar ainda mais as organizações locais e paralisar a indústria jornalística. A lei de orçamentos de 2019 prevê uma redução gradual do dinheiro público atribuído aos media nos próximos três anos, com o objectivo de eliminar totalmente esse financiamento até 2022.

 

Entre as maiores dificuldades enfrentadas pelos jornalistas, destacam-se os processos de difamação, que os obrigam a gastar muito tempo e dinheiro para se defenderem.

 

A difamação é uma infracção penal em Itália, pelo que os jornalistas podem enfrentar penas até seis anos de prisão ou ficarem sujeitos ao pagamento de indeminizações avultadas. Este tipo de condicionamento, provoca, amiúde, autocensura, devido à falta de possibilidades de contestar e combater estes processos.

 

Às ameaças legais, juntam-se ainda os ataques físicos. A violência parece ser legitimada pela clara hostilidade demonstrada por parte do Movimento 5 Estrelas e da Liga em relação aos jornalistas.

 

Existem profissionais que têm necessitado de protecção, pois são alvo de tentativas de silenciamento. "Tornou-se um costume para os políticos intimidar e ameaçar qualquer jornalista que faça reportagens sobre certos temas, como imigração, homossexualidade e diversidade em geral", disse Roberto Giulietti, presidente da Federação de Jornalistas italianos.

Mais infromação em International Press Institute.

Connosco
Inteligência artificial inventa "robots" na China e Rússia mas não substitui papel do jornalista Ver galeria

A inteligência artificial está a ser introduzida em todos os sectores e os “media” não são excepção, recorda um editorial do jornal indiano “Policy Times”.

As redacções estão a adoptar sistemas automáticos para verificar factos, encontrar fontes, transcrever entrevistas, e detectar plágios.

Além disso, empresas de tecnologia, como a Microsoft, estão a dispensar os seus jornalistas, substituindo-os por sistemas artificiais, programados para redigir artigos com base em notícias já publicadas.

A equipa que desenvolvia o “site” não escrevia artigos originais, mas exercia controlo editorial, publicando conteúdos e manchetes, para que estas se adequassem ao perfil da plataforma.

Na China e na Rússia, a automatização está, ainda, mais avançada, agora que alguns canais já colocaram “robots” a apresentar os telejornais. Apesar de inovadora, esta iniciativa foi mal recebida pelo público, que estranhou não ter um humano a estabelecer uma “ponte” entre a informação e os cidadãos.


Como o “Monde” desenvolveu um “lifeblog” durante a emergência Ver galeria

Perante a pandemia e o risco de isolamento, muitas publicações desenvolveram novos projectos e adoptaram diversas ferramentas para estabelecer contacto com as audiências, mas, talvez a iniciativa do “Le Monde” tenha sido a mais ambiciosa.

Durante 83 dias, sem interrupções, os jornalistas do “Monde” desenvolveram um “lifeblog”, com actualizações ao minuto, e com um “chat” aberto, onde os leitores deixaram as suas dúvidas e sugestões.

A audiência média diária foi de um milhão.

Findo o projecto, a equipa do jornal preparou um artigo para explicar a fórmula adoptada para o desenvolvimento do “lifeblog” mais longo da  sua história.

De acordo com o jornal, o projecto contou com a colaboração de  45 jornalistas, incluindo correspondentes sediados no estrangeiros.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas