Sexta-feira, 21 de Fevereiro, 2020
Media

O jornalismo arrisca ficar refém da “cultura dos cliques”

Os jornalistas são cada vez mais vistos como produtores de conteúdos. A devoção perante os “cliques” demonstra a mercantilização do jornalismo, cada vez mais refém do número de visualizações para aumentar as receitas. Actualmente, um artigo com maior número de visitas é mais importante do que um artigo de maior qualidade e relevância pública.

As métricas calculadas por softwares, como o Google Analytics, ajudam a que as redações possam identificar quais os artigos e temas que geram mais visualizações.

Os jornalistas têm conhecimento de que quanto mais visualizações os seus artigos tiverem mais recebe a publicação através de publicidade, mas muitos não têm conhecimento das métricas avaliadas ou dos montantes em questão.

A análise destes dados pode ser importante para distinguir os conteúdos que geram “cliques” como o “clickbait”, daqueles que geram novos assinantes, como é o caso de conteúdos de maior relevância e de reportagens distintas.

Matt Skibinski realizou a análise de algumas métricas e explicou a sua importância através de um artigo publicado no site do NiemanLab.

 

O Google analytics é um software que consegue monitorizar o percurso dos utilizadores nos sites e mostra a origem dos acessos, as páginas mais visitadas e o tempo de permanência por página, entre outros números. Estas métricas ajudam as redacções a ter em conta que tipo de notícias devem produzir em função do seu potencial número visualizações.

 

Uma das medidas a ter em conta é a duração da assinatura, comum em empresas que utilizam o sistema em causa e que analisam a receita média gerada por um novo subscritor.

 

Outra das medidas utilizadas pelos editores é a da Receita de Publicidade digital por mil impressões (RPM).

 

As informações mais partilhadas com os jornalistas são apenas métricas de alcance total como as visualizações. É claro que muitas vezes as leituras feitas desses dados resultam em “peças com manchetes sensacionalistas e de ‘clickbait’ que recebem mais visualizações”, o que leva os jornalistas a tomarem essa informação como base para a criação de conteúdos.

 

Mais informação em NiemanLab.

Connosco
Literacia mediática como ferramenta contra desinformação Ver galeria

Para além da infecção provocada pelo novo coronavírus, identificado na China, estamos, agora, a assistir à disseminação indiscriminada de notícias falsas sobre o tema, conforme refere Ricardo Torres, num artigo publicado na revista “objETHOS”.

De acordo com Torres, o volume e a nocividade das informações propagadas através dos “media” digitais, são o reflexo de formatos comunicacionais imersos num “ecossistema” que favorece a desinformação.

Em temas sensíveis, como a saúde, os riscos da disseminação maciça de informações falsas são ampliados e podem, mesmo, conduzir ao caos social e a um estado de pânico generalizado. 

A OMS tem tentado evitar situações de pânico e insegurança, fortalecendo a posição científica, desmistificando rumores e esclarecendo dúvidas. No entanto, o cenário difuso e hiperbólico, fortalecido pelo sensacionalismo, torna a missão informativa confusa e complexa.

A era digital veio complicar a narrativa jornalística Ver galeria

A era digital e a revolução tecnológica vieram alterar o panorama do jornalismo. Se, anteriormente, os jornalistas apenas tinham de  preocupar-se com o conteúdo produzido na redacção onde trabalhavam, hoje, terão de manter-se competitivos com outras plataformas, e escrever com base nos artigos de outros jornais.

Muitos jornalistas, da chamada “velha guarda”, ainda não  conseguiram adaptar-se à nova realidade, e continuam a depender de uma cultura profissional baseada num jornalismo linear e sequencial, o que impede, por vezes, a tão desejada diversidade dos formatos de apresentação informativa.

O jornalista Carlos Castilho, especializado em “media” digitais, escreveu um artigo para o “Observatório da Imprensa”, no qual reflecte sobre a urgência de adaptação aos novos modelos. 

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...