Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

O jornalismo arrisca ficar refém da “cultura dos cliques”

Os jornalistas são cada vez mais vistos como produtores de conteúdos. A devoção perante os “cliques” demonstra a mercantilização do jornalismo, cada vez mais refém do número de visualizações para aumentar as receitas. Actualmente, um artigo com maior número de visitas é mais importante do que um artigo de maior qualidade e relevância pública.

As métricas calculadas por softwares, como o Google Analytics, ajudam a que as redações possam identificar quais os artigos e temas que geram mais visualizações.

Os jornalistas têm conhecimento de que quanto mais visualizações os seus artigos tiverem mais recebe a publicação através de publicidade, mas muitos não têm conhecimento das métricas avaliadas ou dos montantes em questão.

A análise destes dados pode ser importante para distinguir os conteúdos que geram “cliques” como o “clickbait”, daqueles que geram novos assinantes, como é o caso de conteúdos de maior relevância e de reportagens distintas.

Matt Skibinski realizou a análise de algumas métricas e explicou a sua importância através de um artigo publicado no site do NiemanLab.

 

O Google analytics é um software que consegue monitorizar o percurso dos utilizadores nos sites e mostra a origem dos acessos, as páginas mais visitadas e o tempo de permanência por página, entre outros números. Estas métricas ajudam as redacções a ter em conta que tipo de notícias devem produzir em função do seu potencial número visualizações.

 

Uma das medidas a ter em conta é a duração da assinatura, comum em empresas que utilizam o sistema em causa e que analisam a receita média gerada por um novo subscritor.

 

Outra das medidas utilizadas pelos editores é a da Receita de Publicidade digital por mil impressões (RPM).

 

As informações mais partilhadas com os jornalistas são apenas métricas de alcance total como as visualizações. É claro que muitas vezes as leituras feitas desses dados resultam em “peças com manchetes sensacionalistas e de ‘clickbait’ que recebem mais visualizações”, o que leva os jornalistas a tomarem essa informação como base para a criação de conteúdos.

 

Mais informação em NiemanLab.

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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