null, 5 de Julho, 2020
Media

O jornalismo arrisca ficar refém da “cultura dos cliques”

Os jornalistas são cada vez mais vistos como produtores de conteúdos. A devoção perante os “cliques” demonstra a mercantilização do jornalismo, cada vez mais refém do número de visualizações para aumentar as receitas. Actualmente, um artigo com maior número de visitas é mais importante do que um artigo de maior qualidade e relevância pública.

As métricas calculadas por softwares, como o Google Analytics, ajudam a que as redações possam identificar quais os artigos e temas que geram mais visualizações.

Os jornalistas têm conhecimento de que quanto mais visualizações os seus artigos tiverem mais recebe a publicação através de publicidade, mas muitos não têm conhecimento das métricas avaliadas ou dos montantes em questão.

A análise destes dados pode ser importante para distinguir os conteúdos que geram “cliques” como o “clickbait”, daqueles que geram novos assinantes, como é o caso de conteúdos de maior relevância e de reportagens distintas.

Matt Skibinski realizou a análise de algumas métricas e explicou a sua importância através de um artigo publicado no site do NiemanLab.

 

O Google analytics é um software que consegue monitorizar o percurso dos utilizadores nos sites e mostra a origem dos acessos, as páginas mais visitadas e o tempo de permanência por página, entre outros números. Estas métricas ajudam as redacções a ter em conta que tipo de notícias devem produzir em função do seu potencial número visualizações.

 

Uma das medidas a ter em conta é a duração da assinatura, comum em empresas que utilizam o sistema em causa e que analisam a receita média gerada por um novo subscritor.

 

Outra das medidas utilizadas pelos editores é a da Receita de Publicidade digital por mil impressões (RPM).

 

As informações mais partilhadas com os jornalistas são apenas métricas de alcance total como as visualizações. É claro que muitas vezes as leituras feitas desses dados resultam em “peças com manchetes sensacionalistas e de ‘clickbait’ que recebem mais visualizações”, o que leva os jornalistas a tomarem essa informação como base para a criação de conteúdos.

 

Mais informação em NiemanLab.

Connosco
Lei de transparência aprovada no Brasil encontra resistências Ver galeria

Os “fact-checkers” brasileiros uniram-se contra a aprovação da “Lei Brasileira de Liberdade, Responsabilidade e Transparência na Internet”.

Segundo aqueles profissionais, esta lei aumenta o poder do Senado perante os “media”, porque lhes permite distinguir, oficialmente, o que é informação do que é “fake news”

O texto estabelece, ainda, que as autoridades podem rastrear mensagens replicadas nas redes sociais.

Em entrevista ao instituto Poynter, Natália Leal, coordenadora da empresa de “fact-checking” Agência Lupa, constatou, ainda, que o documento permite ao Governo definir o que é a verificação de factos, e levantar condicionantes às suas actividades. Até porque, alguma figuras políticas, que apoiaram a aprovação da lei, consideram que o “fact-checking” não é mais do que um posicionamento ideológico.


A distribuidora Presstalis reaparece como France Messagerie Ver galeria

A Presstalis -- principal distribuidora de imprensa em França -- foi salva, depois de o Tribunal de Comércio de Paris ratificar a oferta de aquisição, apresentada pela Cooperativa de jornais diários franceses. 

A empresa, que foi rebaptizada de "France Messagerie", passará a empregar cerca de 300 pessoas, o que representa uma redução da força laboral para um terço.

"A prioridade da France Messagerie é, agora, construir relações de confiança, transparentes e duradouras com todos os actores do sector", sublinhou, num comunicado à imprensa Louis Dreyfus, Presidente da Cooperativa dos jornais diários, France Messagerie e do Conselho de Administração do Grupo Le Monde.

O “rebranding” da distribuidora é, contudo, apenas um primeiro passo, já que a empresa deverá fundir as operações com a Messageries Lyonnaises de Presse (MLP), no prazo de três anos.


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague