Quarta-feira, 22 de Setembro, 2021
Media

O declínio acelerado dos jornais à venda nos supermercados

A compra de jornais em papel é um negócio em declínio. Depois da diminuição visível das bancas independentes de jornais, agora as cadeias de supermercados, como o Aldi no Reino Unido e a Kroger nos Estados Unidos, vêm anunciar o fim das prateleiras dedicadas aos jornais.

O Starbucks também abandonou a venda de jornais impressos na América, passando a disponibilizar a versão digital durante um período limitado por utilizador.

Os espaços dedicados às secções de jornais e revistas estão a ser substituídos por produtos mais lucrativos. Este retrocesso nas lojas é apenas o mais recente caso de retalhistas que se afastam da imprensa.

O tema do desaparecimento das prateleiras de jornais foi abordado pela jornalista Laura Hazarrd Owen, num artigo publicado no site do Nieman Lab.

Um representante da Kroger disse ao Memphis Business Journal que esta alteração se deve ao facto de as publicações estarem a mudar para formatos digitais, o que tem levado à diminuição do consumo do formato impresso. As editoras locais que pagavam à distribuidora DistribuTech pelo espaço nestas lojas não estão contentes com a decisão. A Association of Alternative News Media lançou uma campanha, na tentativa de fazer com que mantivessem as publicações gratuitas.

 

Berl Schwartz, editor do City Pulse in Lansing, Michigan, escreveu que os leitores de publicações impressas pagas, tal como os jornais diários, estão em declínio. Os leitores optam pelas versões digitais, porque o papel é caro e o digital é relativamente barato. Segundo o editor, as edições impressas de jornais gratuitos, como o City Pulse, beneficiaram com o aumento do preço dos jornais, tendo aumentado o número de leitores.

 

O jornal deixou de ser visto como uma ferramenta para atrair clientes, agora é só algo que ocupa espaço “valioso” nos balcões.

As bancas de jornais independentes também já haviam diminuído exponencialmente. Em Harvard, o Out of Town News, depois de tentar subsistir durante anos, gerando uma quebra nas vendas de exemplares, que costumavam ser uma parte mais importante das suas vendas diárias.

 

Em 2011, o Sunday Des Moines Register vendeu cerca de 59 mil cópias por semana. Em 2014, os números caíram para 28 mil e a partir do segundo trimestre de 2019 caíram para 13 mil. Esta quebra de vendas é muito mais acentuada do que nos números de assinaturas impressas e de entrega em casa.

 

No caso do Washington Post, em 2011, vendeu uma média de 56 mil cópias diárias (excluindo domingos). Em 2014, cerca de 30 mil e hoje são 12 mil. Aos domingos também se verificou um declínio de 127 mil para 75 mil e, actualmente, para 35 mil.

 

Mais informação em NiemanLab.

Connosco
World Press Photo em exposição no Parque dos Poetas em Oeiras Ver galeria

A 64.ª edição da World Press Photo estará patente no Parque dos Poetas, Entrada do Templo da Poesia, até ao dia 15 de Outubro, com entrada gratuita

Além da visita à exposição, haverá “workshops” de fotografia aos sábados, com fotojornalistas de renome. Estão já confirmados, nesta iniciativa, Arlindo Camacho, Rita Ferro Alvim, Gonçalo F. Santos e Marcos Borga.

Criado em 1955 pela organização homónima, o concurso World Press Photo premeia, anualmente, fotografias que dão a conhecer ao público questões e momentos cruciais e fracturantes, que marcam a actualidade de povos e de sociedades em todo o mundo.

Neste ano, o concurso recebeu 4 315 fotógrafos de 130 países, com 74 470 imagens inscritas. Os vencedores do concurso anual de fotografia World Press Photo são 45 fotógrafos de 28 países: Argentina, Arménia, Austrália, Bangladesh, Bielorrússia, Brasil, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos da América, França, Grécia, Holanda, Índia, Indonésia, Itália, Irão, Irlanda, México, Myanmar, Peru, Filipinas, Polónia, Portugal, Rússia, Eslovénia, Espanha, Suécia e Suíça.

Publicações "online" devem diversificar oferta de conteúdos para captar jovens Ver galeria

Com a chegada da era digital, os jornais “online” passaram a focar-se na retenção de uma audiência jovem, como forma de conquistar a sua lealdade enquanto consumidores de notícias e de garantir a sustentabilidade financeira a longo prazo.

Apesar de todos os esforços, os jovens têm-se demonstrado reticentes quanto à subscrição de serviços noticiosos digitais, preferindo a consulta de informação através das redes sociais.

Agora, um estudo realizado pela Agência de Imprensa Alemã DPA, em conjunto com Associação Alemã de Editores Digitais e Editores de Jornais (BDZV), revelou o principal motivo deste fenómeno: os jovens não gostam de ser tratados como um grupo homogéneo.

Isto significa, conforme indica o documento, que, de forma a alcançarem o seu objectivo, as publicações “online” devem diversificar a sua oferta de conteúdos, indo ao encontro dos diferentes tópicos e problemáticas sociais.

Além disso, a pesquisa, atesta que há grandes diferenças dentro da mesma faixa etária. “Adolescentes e jovens têm hábitos de consumo, interesses, exigências e necessidades diferentes em relação ao conteúdo das notícias. Dentro da mesma faixa etária, as orientações são muito diferentes ”.

“Mais concretamente -- acrescenta o relatório -- enquanto alguns usam quase exclusivamente fontes jornalísticas para satisfazer a sua grande sede de informação (...), outros utilizadores preferem os conteúdos de comunicadores individuais, como actores e influenciadores”.

O estudo revela, da mesma forma, que os jovens sentem necessidade de ter uma relação próxima com as fontes de informação, como se as publicações falassem, especificamente, sobre os problemas que enfrentam no dia a dia.

O Clube


Recomeçamos. A pausa de agosto foi um tempo de análise e de reflexão sobre as delicadas circunstâncias que rodeiam e condicionam os media portugueses e as associações representativas do sector.
Enquanto as redacções encolhem e os jornais lutam pela sobrevivência, as grandes plataformas digitais tornam-se omnipresentes e absorvem a melhor publicidade.
Um estudo da ERC revela que dois terços dos inquiridos utiliza a internet, mas que, depois das televisões, as redes sociais aparecem já como fonte noticiosa preferencial, suplantando os jornais impressos.


A dificuldade da imprensa, com tiragens minguadas, influenciou a principal distribuidora de jornais e revistas no sentido de lançar uma taxa diária a cobrar aos quiosques e outros postos de venda.
Por agora, a cobrança está suspensa, no seguimento de uma providência cautelar aceite pelo tribunal, mas nada garante que o desfecho não venha a penalizar mais ainda a circulação da Imprensa.
A fragilidade das empresas de media agravou a sua dependência, e tornou-as gradualmente mais permeáveis aos desígnios do poder político.
Seja no audiovisual, seja nas publicações impressas, observa-se uma crescente uniformidade noticiosa, a par de uma actuação comprometida com as prioridades da agenda do Executivo.
Neste contexto, as associações do sector não têm a vida facilitada, quer pelo enfraquecimento do mecenato, quer pela apatia já antiga que se nota nos jornalistas no tocante ao associativismo.
Com 40 anos feitos de actividade ininterrupta, o Clube Português de Imprensa tem neste site uma forma de ligação privilegiada com associados e outros profissionais do sector, bem como com os estudantes dos cursos de jornalismo, apoiado em parcerias que são preciosas fontes complementares de informação e de análise.
Por aqui continuamos, com a consciência do desafio e do risco envolventes, e com a noção de partilha e de serviço que nos anima desde o início.


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