Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

O declínio acelerado dos jornais à venda nos supermercados

A compra de jornais em papel é um negócio em declínio. Depois da diminuição visível das bancas independentes de jornais, agora as cadeias de supermercados, como o Aldi no Reino Unido e a Kroger nos Estados Unidos, vêm anunciar o fim das prateleiras dedicadas aos jornais.

O Starbucks também abandonou a venda de jornais impressos na América, passando a disponibilizar a versão digital durante um período limitado por utilizador.

Os espaços dedicados às secções de jornais e revistas estão a ser substituídos por produtos mais lucrativos. Este retrocesso nas lojas é apenas o mais recente caso de retalhistas que se afastam da imprensa.

O tema do desaparecimento das prateleiras de jornais foi abordado pela jornalista Laura Hazarrd Owen, num artigo publicado no site do Nieman Lab.

Um representante da Kroger disse ao Memphis Business Journal que esta alteração se deve ao facto de as publicações estarem a mudar para formatos digitais, o que tem levado à diminuição do consumo do formato impresso. As editoras locais que pagavam à distribuidora DistribuTech pelo espaço nestas lojas não estão contentes com a decisão. A Association of Alternative News Media lançou uma campanha, na tentativa de fazer com que mantivessem as publicações gratuitas.

 

Berl Schwartz, editor do City Pulse in Lansing, Michigan, escreveu que os leitores de publicações impressas pagas, tal como os jornais diários, estão em declínio. Os leitores optam pelas versões digitais, porque o papel é caro e o digital é relativamente barato. Segundo o editor, as edições impressas de jornais gratuitos, como o City Pulse, beneficiaram com o aumento do preço dos jornais, tendo aumentado o número de leitores.

 

O jornal deixou de ser visto como uma ferramenta para atrair clientes, agora é só algo que ocupa espaço “valioso” nos balcões.

As bancas de jornais independentes também já haviam diminuído exponencialmente. Em Harvard, o Out of Town News, depois de tentar subsistir durante anos, gerando uma quebra nas vendas de exemplares, que costumavam ser uma parte mais importante das suas vendas diárias.

 

Em 2011, o Sunday Des Moines Register vendeu cerca de 59 mil cópias por semana. Em 2014, os números caíram para 28 mil e a partir do segundo trimestre de 2019 caíram para 13 mil. Esta quebra de vendas é muito mais acentuada do que nos números de assinaturas impressas e de entrega em casa.

 

No caso do Washington Post, em 2011, vendeu uma média de 56 mil cópias diárias (excluindo domingos). Em 2014, cerca de 30 mil e hoje são 12 mil. Aos domingos também se verificou um declínio de 127 mil para 75 mil e, actualmente, para 35 mil.

 

Mais informação em NiemanLab.

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

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É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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