Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

Agrava-se em Hong Kong a violência contra jornalistas

Em Hong Kong, os confrontos entre as forças de segurança e manifestantes intensificaram-se. O clima cada vez mais hostil tem dificultado a cobertura das manifestações em segurança. Nos últimos dias, surgiram vários relatos que identificam situações de violência contra jornalistas e fotógrafos. 

Há registo de um jornalista atingido com líquido corrosivo e outro ficou cego de um olho depois de ter sido atingido na cara por uma bala da polícia.

Internacional Press Institute (IPI) condenou os ataques dirigidos contra os jornalistas e fotógrafos que estão a cobrir as manifestações e apelou às autoridades de Hong Kong para porem termo à violência. A Associação de Jornalistas de Hong Kong também já condenou os incidentes de violência contra a imprensa. 

O texto redigido por Jamie Wiseman, colaborador International Press Institute, identifica várias destas agressões.

Com a crescente tensão entre manifestantes e forças policiais nas manifestações de Hong Kong, os jornalistas estão a ser vítimas de violentos ataques, levando alguns meios de comunicação a retirarem as suas equipas das linhas da frente. 

 

"Sinto como se o dedo do gatilho da polícia tivesse ficado mais lasso em direção à imprensa", disse ao IPI Aiden Anderson, um fotojornalista freelancer, que tem realizado a cobertura dos protestos em Hong Kong nas últimas semanas. 

 

Anderson relatou ter sido atingido por uma lata de gás lacrimogéneo, que foi atirada por um polícia directamente contra ele. "Há cada vez menos hesitação em disparar spray de pimenta ou qualquer tipo de arma contra nós", disse.

 

O vídeo do jornalista e documentarista Martin Buzora, que cobriu também os protestos nas ruas durante a semana passada, disse ao IPI que "os jornalistas locais, em particular, são terrivelmente tratados”.

 

Ravi R. Prasad, director do IPI, condenou a crescente violência contra a imprensa: "As autoridades de Hong Kong devem garantir que os jornalistas sejam capazes de desempenhar seu papel com segurança e investigar, minuciosamente, quaisquer incidentes de violência contra a imprensa”.

 

Entre os jornalistas feridos encontra-se Veby Mega Indah, uma jornalista indonésia de 39 anos e editora do Suara Hong Kong News, que foi alvejada pela polícia na cara. A jornalista estava a utilizar um colete de sinalização e um capacete que a identificava como parte da imprensa. Segundo avançou o seu advogado, Veby ficará cega de forma permanente no olho direito.

 

No dia 1 de Outubro, vários jornalistas foram feridos enquanto cobriam os protestos do “dia de luto”, que marcaram o Dia nacional da China e o 70º aniversário do Partido Comunista Chinês. 

Pang Pui Yin, um jornalista do site de notícias Local Press, foi preso quando a polícia começou a dispersar a multidão. Inicialmente o jornalista foi acusado de reunião ilegal e, posteriormente, de agressão a um polícia.

 

A emissora pública RTHK também informou que um dos seus jornalistas tinha sido atingido na cabeça por um projéctil, e outro foi atingido no joelho por uma bala de borracha. Na sequência dos incidentes, a emissora retirou a sua equipa de reportagem da linha da frente por questões de segurança. 

 

site Apple Daily reportou que um dos seus jornalistas foi atingido no estômago, durante confrontos, por uma lata de gás lacrimogéneo em Wai Chai. Segundo a Associação de Jornalistas de Hong Kong, duas jornalistas do site Apple Daily foram também atingidas por balas de borracha enquanto entrevistavam um manifestante. 

 

Stand News também indicou que seis dos seus jornalistas tinham sido feridos durante o dia. Existem ainda outros incidentes de jornalistas e fotógrafos atingidos por líquidos corrosivos, objectos desconhecidos e outros. 

 

Mais informação em Internacional Press Institute.

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
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