Sexta-feira, 5 de Junho, 2020
Media

Google pressiona editores europeus por causa dos conteúdos

Enquanto os EUA ficaram obcecados com o processo de “impeachment “ do presidente em exercício, os editores de notícias europeus estavam focados em algo bem diferente - a decisão do Google de pressionar as empresas dos media franceses na questão dos conteúdos.

A menos que as editoras francesas digam que querem especificamente que o Google o faça, o gigante das buscas electrónicas não vai incluir mais trechos curtos de notícias . Em vez disso, haverá apenas uma manchete.

Não está exactamente claro como isso se fará na prática. Numa maqueta anterior que a Google forneceu sobre os resultados de pesquisa, havia apenas um grande espaço em branco onde o trecho e a imagem deveriam aparecer. Escusado será dizer que não é algo que receba muitos cliques.

Por que é que a Google o fez ? Porque o governo francês aprovou recentemente uma lei que exige que a empresa pague aos editores se usar trechos curtos da sua produção nas suas páginas.


A lei francesa é uma variação local de uma directiva de direitos de autor da União Europeia recentemente adoptada, conhecida como Artigo 11, que diz que os editores têm direito a indemnização pelo uso de pequenos pedaços de texto, um pagamento que alguns chamam de "imposto de link".


A Alemanha tentou o mesmo em 2013, a Espanha tentou também com uma lei semelhante em 2014. Na Alemanha, vários editores tiveram os seus resultados removidos do Google News quando se recusou a pagá-los, mas depois cederam quando o seu tráfego foi recusado em 40%. O Google acabou por remover a Espanha completamente do índice do Google News.


O gigante informático defende que os trechos de notícias devolvem aos editores uma quantidade enorme de tráfego, como destacou o responsável da empresa, Richard Gingras.


Os editores, no entanto, observam que a receita com anúncios está a diminuir, em parte porque a Google e o Facebook controlam a maior parte do mercado.


A News Initiative, começou em 2006, quando a Bélgica foi o primeiro país a processar o Google por usar conteúdo de editores locais sem o seu consentimento. Os dois lados finalmente chegaram a acordo, e a Google concordou em financiar a pesquisa e o desenvolvimento para a indústria e, em seguida, propôs acordos semelhantes à França e a outros países.


Por mais bem-vindo que seja esse tipo de financiamento para as redacções , também serve para tornar as empresas de media ainda mais dependentes do universo do Google.


A realidade é que a maioria dos editores digitais dependem do tráfego do Google, quer gostem ou não.


A decisão da empresa não deveria surpreender ninguém , porque enquanto a União Europeia debatia se devia implementar o artigo 11 da Directiva sobre os direitos de autor no mercado único digital, Gingras disse que a empresa pode eliminar o Google News da Europa por completo, exactamente como fez em Espanha.


Por que é que a França pensou que poderia ter sucesso onde Espanha e Alemanha falharam é difícil dizer. A esperança parece consistir em forçar a Google a pagar aos editores o link para suas notícias, contribuindo assim para minimizar os seus problemas financeiros.


Pagar directamente aos editores é algo que o Facebook disse, recentemente, estar a planear com empresas seleccionadas. Mas não há sinais de que a Google pretenda voltar atrás na sua posição.


O ministro da cultura francês, Frank Riester, afirmou que a resposta da Google à nova lei era inaceitável e "contrária ao espírito e ao texto da legislação”.


Um estudo publicado no ano passado por investigadores da Universidade de Stanford e da Universidade de Michigan, analisaram o que aconteceu com o consumo de notícias em Espanha depois do Google News ter sido encerrado e descobriu que a perda do serviço afectava, principalmente o tráfego de pequenos editores, enquanto alguns dos maiores permaneceram inalterados.


Pesquisas noutros países, evidenciaram quedas superiores a dois dígitos quando os editores foram removidos do índice.

 

Mais informação na Columbia Journalism Review 

Connosco
Inteligência artificial inventa "robots" na China e Rússia mas não substitui papel do jornalista Ver galeria

A inteligência artificial está a ser introduzida em todos os sectores e os “media” não são excepção, recorda um editorial do jornal indiano “Policy Times”.

As redacções estão a adoptar sistemas automáticos para verificar factos, encontrar fontes, transcrever entrevistas, e detectar plágios.

Além disso, empresas de tecnologia, como a Microsoft, estão a dispensar os seus jornalistas, substituindo-os por sistemas artificiais, programados para redigir artigos com base em notícias já publicadas.

A equipa que desenvolvia o “site” não escrevia artigos originais, mas exercia controlo editorial, publicando conteúdos e manchetes, para que estas se adequassem ao perfil da plataforma.

Na China e na Rússia, a automatização está, ainda, mais avançada, agora que alguns canais já colocaram “robots” a apresentar os telejornais. Apesar de inovadora, esta iniciativa foi mal recebida pelo público, que estranhou não ter um humano a estabelecer uma “ponte” entre a informação e os cidadãos.


Como o “Monde” desenvolveu um “lifeblog” durante a emergência Ver galeria

Perante a pandemia e o risco de isolamento, muitas publicações desenvolveram novos projectos e adoptaram diversas ferramentas para estabelecer contacto com as audiências, mas, talvez a iniciativa do “Le Monde” tenha sido a mais ambiciosa.

Durante 83 dias, sem interrupções, os jornalistas do “Monde” desenvolveram um “lifeblog”, com actualizações ao minuto, e com um “chat” aberto, onde os leitores deixaram as suas dúvidas e sugestões.

A audiência média diária foi de um milhão.

Findo o projecto, a equipa do jornal preparou um artigo para explicar a fórmula adoptada para o desenvolvimento do “lifeblog” mais longo da  sua história.

De acordo com o jornal, o projecto contou com a colaboração de  45 jornalistas, incluindo correspondentes sediados no estrangeiros.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
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Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas