Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

Como ganhar a batalha contra a desinformação

Decorreu na Sede da APM a conferência "A emergência de falsas notícias: como ganhar a batalha contra a desinformação", que tratou assuntos como a proliferação de notícias falsas em Espanha e as medidas que estão a ser tomadas.

A conferência organizada pela Federação das Associações de Jornalistas de Espanha contou com vários oradores e com Nemesio Rodríguez, Presidente da Federação das Associações de Jornalistas de Espanha.

Nemesio Rodriguez deu início ao debate, introduzindo que a desinformação permite que os meios de comunicação se destaquem como uma fonte fiável de informação - ao contrário das fake news que circulam nas redes -, principalmente devido à implementação de modelos de pagamento, pelo que só terão sucesso se optarem por realizar jornalismo de qualidade.

"Também não tenho dúvidas de que sem boas equipas de jornalistas, dignamente pagos, os editores nunca serão capazes de fazer o jornalismo de qualidade que precisam para convencer os utilizadores de que é preciso pagar por ele”, acrescentou ainda o Presidente da FAPE.

Rodriguez nomeou quatro factores que considera fundamentais para o crescimento da desinformação:

1-   O facto de os media terem perdido a exclusividade como intermediários entre a informação e os cidadãos;

2-   A facilidade de disseminação de boatos, fraudes e mentiras a partir das redes sociais;

3-   O crescente uso de estratégias de desinformação, tentando disfarçar a verdade através da manipulação de palavras e actos (ex: Zapatero fala de "desaceleração transitória" para não mencionar a palavra crise);

4-   O abandono da disciplina de verificação e das fontes fiáveis, que era a base da credibilidade e do prestígio dos jornalistas.

 

Á introdução, feita pelo Presidente, seguiram-se duas mesas redondas. A primeira, intitulada "Análise do fenómeno global da proliferação de fraudes e notícias falsas. Situação na Espanha”, foi moderada por Lorena García, directora e apresentadora de “Noticias de la Mañana”, na Antena 3.

 

No debate, Alba Precedo, do Infolibre, falou do papel do Instagram e do Whatsapp na desinformação, bem como da falta de controlo que existe nestas redes.

 

Raphael Minder, correspondente do New York Times em Espanha, fez referência ao papel do poder político na luta contra a desinformação e à duplicação do número de governos que fizeram campanhas com base em fake news.

 

Jose Cepeda, senador e membro do Conselho da Europa, afirmou que o Conselho está preocupado com a desinformação, pois a informação verdadeira e objectiva é fundamental na sociedade para o exercício do voto.

 

M.ª Luz Peinado, chefe de redacção da Verne, constatou que há muito que os meios de comunicação social perderam o monopólio da informação e que as redes sociais, e outros canais alternativos, estão fora do controlo dos media.

 

Para David Ferrero, porta-voz da Vost Madrid, o custo das notícias falsas é alto, “em alguns casos vidas humanas, como aconteceu na India e no México” e, por isso, é necessário dar à população meios para distinguir as notícias verdadeiras das falsas.

 

O segundo debate, com o título “a batalha contra a desinformação, que medidas estão a ser tomadas pelas plataformas tecnológicas, media e jornalistas?”, contou com os oradores Olga Lambea, Clara Jiménez, César González e teve Jon Ariztimuño, director de informação da Radio Televisión de Madrid, como moderador.

 

Olga Lambea, jornalista da RTVE, expressou preocupação pela forma como os políticos se dirigem aos cidadãos através das redes sociais, sem o filtro dos jornalistas.

 

O gerente de Relações Institucionais da Google, Antonio Vargas, promoveu o desafio de tentar encontrar um equilíbrio no meio digital, de forma a garantir que as notícias sejam verdadeiras, bem como o direito à liberdade de expressão e à informação.

 

Clara Jiménez, co-fundadora da Maldita.es, aposta na literacia mediática e digital, ressalvando que “a vida online é a vida real que temos como cidadãos”, e refere que os jornalistas têm de trabalhar com as grandes plataformas e exigir maior transparência.

 

César González, director, de informação de LaSexta, assegurou que é necessário um controlo maior sobre as fake news por parte das grandes plataformas, sugerindo sanções caso não cumpram. Falou, também, da mudança no sector da informação, devido à partilha de conteúdos por parte dos espectadores, que passam a ser uma forma de difusão de informação, mas sem os conhecimentos ou a ética esperada por parte dos media.

Mais informação em APM.

 

Connosco
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Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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