Sexta-feira, 5 de Junho, 2020
Media

Como ganhar a batalha contra a desinformação

Decorreu na Sede da APM a conferência "A emergência de falsas notícias: como ganhar a batalha contra a desinformação", que tratou assuntos como a proliferação de notícias falsas em Espanha e as medidas que estão a ser tomadas.

A conferência organizada pela Federação das Associações de Jornalistas de Espanha contou com vários oradores e com Nemesio Rodríguez, Presidente da Federação das Associações de Jornalistas de Espanha.

Nemesio Rodriguez deu início ao debate, introduzindo que a desinformação permite que os meios de comunicação se destaquem como uma fonte fiável de informação - ao contrário das fake news que circulam nas redes -, principalmente devido à implementação de modelos de pagamento, pelo que só terão sucesso se optarem por realizar jornalismo de qualidade.

"Também não tenho dúvidas de que sem boas equipas de jornalistas, dignamente pagos, os editores nunca serão capazes de fazer o jornalismo de qualidade que precisam para convencer os utilizadores de que é preciso pagar por ele”, acrescentou ainda o Presidente da FAPE.

Rodriguez nomeou quatro factores que considera fundamentais para o crescimento da desinformação:

1-   O facto de os media terem perdido a exclusividade como intermediários entre a informação e os cidadãos;

2-   A facilidade de disseminação de boatos, fraudes e mentiras a partir das redes sociais;

3-   O crescente uso de estratégias de desinformação, tentando disfarçar a verdade através da manipulação de palavras e actos (ex: Zapatero fala de "desaceleração transitória" para não mencionar a palavra crise);

4-   O abandono da disciplina de verificação e das fontes fiáveis, que era a base da credibilidade e do prestígio dos jornalistas.

 

Á introdução, feita pelo Presidente, seguiram-se duas mesas redondas. A primeira, intitulada "Análise do fenómeno global da proliferação de fraudes e notícias falsas. Situação na Espanha”, foi moderada por Lorena García, directora e apresentadora de “Noticias de la Mañana”, na Antena 3.

 

No debate, Alba Precedo, do Infolibre, falou do papel do Instagram e do Whatsapp na desinformação, bem como da falta de controlo que existe nestas redes.

 

Raphael Minder, correspondente do New York Times em Espanha, fez referência ao papel do poder político na luta contra a desinformação e à duplicação do número de governos que fizeram campanhas com base em fake news.

 

Jose Cepeda, senador e membro do Conselho da Europa, afirmou que o Conselho está preocupado com a desinformação, pois a informação verdadeira e objectiva é fundamental na sociedade para o exercício do voto.

 

M.ª Luz Peinado, chefe de redacção da Verne, constatou que há muito que os meios de comunicação social perderam o monopólio da informação e que as redes sociais, e outros canais alternativos, estão fora do controlo dos media.

 

Para David Ferrero, porta-voz da Vost Madrid, o custo das notícias falsas é alto, “em alguns casos vidas humanas, como aconteceu na India e no México” e, por isso, é necessário dar à população meios para distinguir as notícias verdadeiras das falsas.

 

O segundo debate, com o título “a batalha contra a desinformação, que medidas estão a ser tomadas pelas plataformas tecnológicas, media e jornalistas?”, contou com os oradores Olga Lambea, Clara Jiménez, César González e teve Jon Ariztimuño, director de informação da Radio Televisión de Madrid, como moderador.

 

Olga Lambea, jornalista da RTVE, expressou preocupação pela forma como os políticos se dirigem aos cidadãos através das redes sociais, sem o filtro dos jornalistas.

 

O gerente de Relações Institucionais da Google, Antonio Vargas, promoveu o desafio de tentar encontrar um equilíbrio no meio digital, de forma a garantir que as notícias sejam verdadeiras, bem como o direito à liberdade de expressão e à informação.

 

Clara Jiménez, co-fundadora da Maldita.es, aposta na literacia mediática e digital, ressalvando que “a vida online é a vida real que temos como cidadãos”, e refere que os jornalistas têm de trabalhar com as grandes plataformas e exigir maior transparência.

 

César González, director, de informação de LaSexta, assegurou que é necessário um controlo maior sobre as fake news por parte das grandes plataformas, sugerindo sanções caso não cumpram. Falou, também, da mudança no sector da informação, devido à partilha de conteúdos por parte dos espectadores, que passam a ser uma forma de difusão de informação, mas sem os conhecimentos ou a ética esperada por parte dos media.

Mais informação em APM.

 

Connosco
Inteligência artificial inventa "robots" na China e Rússia mas não substitui papel do jornalista Ver galeria

A inteligência artificial está a ser introduzida em todos os sectores e os “media” não são excepção, recorda um editorial do jornal indiano “Policy Times”.

As redacções estão a adoptar sistemas automáticos para verificar factos, encontrar fontes, transcrever entrevistas, e detectar plágios.

Além disso, empresas de tecnologia, como a Microsoft, estão a dispensar os seus jornalistas, substituindo-os por sistemas artificiais, programados para redigir artigos com base em notícias já publicadas.

A equipa que desenvolvia o “site” não escrevia artigos originais, mas exercia controlo editorial, publicando conteúdos e manchetes, para que estas se adequassem ao perfil da plataforma.

Na China e na Rússia, a automatização está, ainda, mais avançada, agora que alguns canais já colocaram “robots” a apresentar os telejornais. Apesar de inovadora, esta iniciativa foi mal recebida pelo público, que estranhou não ter um humano a estabelecer uma “ponte” entre a informação e os cidadãos.


Como o “Monde” desenvolveu um “lifeblog” durante a emergência Ver galeria

Perante a pandemia e o risco de isolamento, muitas publicações desenvolveram novos projectos e adoptaram diversas ferramentas para estabelecer contacto com as audiências, mas, talvez a iniciativa do “Le Monde” tenha sido a mais ambiciosa.

Durante 83 dias, sem interrupções, os jornalistas do “Monde” desenvolveram um “lifeblog”, com actualizações ao minuto, e com um “chat” aberto, onde os leitores deixaram as suas dúvidas e sugestões.

A audiência média diária foi de um milhão.

Findo o projecto, a equipa do jornal preparou um artigo para explicar a fórmula adoptada para o desenvolvimento do “lifeblog” mais longo da  sua história.

De acordo com o jornal, o projecto contou com a colaboração de  45 jornalistas, incluindo correspondentes sediados no estrangeiros.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas