Sexta-feira, 5 de Junho, 2020
Tecnologias

O 5G nas comunicações e a reinvenção do jornalismo

A 5.ª Geração de comunicações móveis traz o aumento da velocidade da transmissão de dados e, também, o aumento da conectividade entre dispositivos. Esta tecnologia vai transformar a comunicação e, possivelmente, o mundo profissional, criando novos desafios e oportunidades.

O  New York Times já lançou um laboratório de jornalismo 5G com o objectivo de desenvolver novos formatos e a difusão na rede 5G.

Joshua Benton, director do Nieman Lab, faz uma antecipação, do que poderá esperar o jornalismo, no artigo – originalmente publicado no Nieman Lab, em Abril – traduzido e publicado nos Cuadernos de Periodistas, na APM, com a qual a CPI, mantem um acordo de parceria.

As melhorias das redes têm vindo a proporcionar o aparecimento e destaque de novos conteúdos, tal como aconteceu com o 3G e o crescimento dos podcasts e o 4G e a banda larga, que permitiram começar a ver vídeos, sem problemas, nos smartphones.

Espera-se agora que, com o 5G e a sua velocidade cerca de 20 vezes superior ao 4G, os editores comecem a pensar no futuro e preparem uma nova oferta no jornalismo.

O  New York Times já incrementou o seu Laboratório de Jornalismo 5G, através do qual pretende desenvolver novos formatos de informação, explorar novas oportunidades e novas formas de contar histórias e de testar a distribuição desses formatos na rede 5G. Neste sentido, o New York Times realizou uma pareceria com a Verizon, para poderem ter acesso antecipado aos equipamentos 5G.

A visão do Times sobre o as alterações que o 5G provocará no jornalismo ainda é um pouco vaga, mas o laboratório trabalha em função do uso do tempo e da distribuição de notícias para audiências com acesso ao 5G.


A tecnologia vai mudar a forma como o mundo se conecta e vai permitir melhores ligações de dados, e mais fiáveis também, para jornalistas no campo. O 5G vai permitir a transmissão automática – de fotos em HD, vídeos e áudio, e até mesmo modelos 3D – e em tempo real à redação, os conteúdos vão ser transmitidos à medida que são captados.

Esta tecnologia pode ajudar a elevar o jornalismo a outro nível, através da melhoria de experiências imersivas de Realidade Aumentada e Realidade Virtual nas histórias, permitindo aos leitores "explorar novos ambientes que são capturados em 3D".


Segundo Joshua Benton, o Twitter já tinha alterado os parâmetros do jornalismo, transformando os jornalistas em pessoas que estão constantemente a partilhar informações, notícias e a interagir com o público em “tempo real”. Agora, o 5G pode promover a interação e dar origem a segmentos de grande valor, como por exemplo o livestream exclusivo de jornalistas.

O director também refere que, com esta tecnologia, o streaming de vídeo e a transmissão de dados podem facilitar a comunicação com a redação, permitindo a transferência de conteúdos em bruto, pelo que os repórteres da redação passariam a ter acesso a todos os conteúdos reunidos pelos jornalistas no terreno. Com os novos segmentos de inteligência artificial, a pesquisa por imagem e o video search, também será mais simples encontrar as informações ou as imagens pretendidas. Contudo, isto implicaria a monitorização quase completa dos jornalistas, de forma a captar o máximo de informação possível durante uma cobertura.

Joshua Benton também questiona se será necessário um jornalista estar sempre presente no livestream ou se em alguns casos não será possível a colocação de câmaras e sensores num determinado local (como um jogo, reuniões ou conferências), para que se possa fazer o stream ou destacar apenas os momentos de maior importância.

É certo que o desenvolvimento da internet facilitou a distribuição da informação. A imprensa diária resumia-se a jornais e os canais de televisão tinham apenas uma fracção de tempo para as notícias. Com o surgimento da televisão por cabo, foi possível ter acesso a canais de notícias 24 horas, mas também foi mais fácil passar a evitar os conteúdos informativos, pois a tecnologia avança em todas as outras áreas, tanto para os jornalistas como para os criadores de jogos, de notícias falsas e de memes. Para Benton, vale a pena salientar que o aumento da velocidade da transmissão de grande quantidade de dados e de vídeos favorecerá muito mais Hollywood e os criadores de jogos do que os próprios jornalistas.

 

Mais informação em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Inteligência artificial inventa "robots" na China e Rússia mas não substitui papel do jornalista Ver galeria

A inteligência artificial está a ser introduzida em todos os sectores e os “media” não são excepção, recorda um editorial do jornal indiano “Policy Times”.

As redacções estão a adoptar sistemas automáticos para verificar factos, encontrar fontes, transcrever entrevistas, e detectar plágios.

Além disso, empresas de tecnologia, como a Microsoft, estão a dispensar os seus jornalistas, substituindo-os por sistemas artificiais, programados para redigir artigos com base em notícias já publicadas.

A equipa que desenvolvia o “site” não escrevia artigos originais, mas exercia controlo editorial, publicando conteúdos e manchetes, para que estas se adequassem ao perfil da plataforma.

Na China e na Rússia, a automatização está, ainda, mais avançada, agora que alguns canais já colocaram “robots” a apresentar os telejornais. Apesar de inovadora, esta iniciativa foi mal recebida pelo público, que estranhou não ter um humano a estabelecer uma “ponte” entre a informação e os cidadãos.


Como o “Monde” desenvolveu um “lifeblog” durante a emergência Ver galeria

Perante a pandemia e o risco de isolamento, muitas publicações desenvolveram novos projectos e adoptaram diversas ferramentas para estabelecer contacto com as audiências, mas, talvez a iniciativa do “Le Monde” tenha sido a mais ambiciosa.

Durante 83 dias, sem interrupções, os jornalistas do “Monde” desenvolveram um “lifeblog”, com actualizações ao minuto, e com um “chat” aberto, onde os leitores deixaram as suas dúvidas e sugestões.

A audiência média diária foi de um milhão.

Findo o projecto, a equipa do jornal preparou um artigo para explicar a fórmula adoptada para o desenvolvimento do “lifeblog” mais longo da  sua história.

De acordo com o jornal, o projecto contou com a colaboração de  45 jornalistas, incluindo correspondentes sediados no estrangeiros.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas