Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Tecnologias

O 5G nas comunicações e a reinvenção do jornalismo

A 5.ª Geração de comunicações móveis traz o aumento da velocidade da transmissão de dados e, também, o aumento da conectividade entre dispositivos. Esta tecnologia vai transformar a comunicação e, possivelmente, o mundo profissional, criando novos desafios e oportunidades.

O  New York Times já lançou um laboratório de jornalismo 5G com o objectivo de desenvolver novos formatos e a difusão na rede 5G.

Joshua Benton, director do Nieman Lab, faz uma antecipação, do que poderá esperar o jornalismo, no artigo – originalmente publicado no Nieman Lab, em Abril – traduzido e publicado nos Cuadernos de Periodistas, na APM, com a qual a CPI, mantem um acordo de parceria.

As melhorias das redes têm vindo a proporcionar o aparecimento e destaque de novos conteúdos, tal como aconteceu com o 3G e o crescimento dos podcasts e o 4G e a banda larga, que permitiram começar a ver vídeos, sem problemas, nos smartphones.

Espera-se agora que, com o 5G e a sua velocidade cerca de 20 vezes superior ao 4G, os editores comecem a pensar no futuro e preparem uma nova oferta no jornalismo.

O  New York Times já incrementou o seu Laboratório de Jornalismo 5G, através do qual pretende desenvolver novos formatos de informação, explorar novas oportunidades e novas formas de contar histórias e de testar a distribuição desses formatos na rede 5G. Neste sentido, o New York Times realizou uma pareceria com a Verizon, para poderem ter acesso antecipado aos equipamentos 5G.

A visão do Times sobre o as alterações que o 5G provocará no jornalismo ainda é um pouco vaga, mas o laboratório trabalha em função do uso do tempo e da distribuição de notícias para audiências com acesso ao 5G.


A tecnologia vai mudar a forma como o mundo se conecta e vai permitir melhores ligações de dados, e mais fiáveis também, para jornalistas no campo. O 5G vai permitir a transmissão automática – de fotos em HD, vídeos e áudio, e até mesmo modelos 3D – e em tempo real à redação, os conteúdos vão ser transmitidos à medida que são captados.

Esta tecnologia pode ajudar a elevar o jornalismo a outro nível, através da melhoria de experiências imersivas de Realidade Aumentada e Realidade Virtual nas histórias, permitindo aos leitores "explorar novos ambientes que são capturados em 3D".


Segundo Joshua Benton, o Twitter já tinha alterado os parâmetros do jornalismo, transformando os jornalistas em pessoas que estão constantemente a partilhar informações, notícias e a interagir com o público em “tempo real”. Agora, o 5G pode promover a interação e dar origem a segmentos de grande valor, como por exemplo o livestream exclusivo de jornalistas.

O director também refere que, com esta tecnologia, o streaming de vídeo e a transmissão de dados podem facilitar a comunicação com a redação, permitindo a transferência de conteúdos em bruto, pelo que os repórteres da redação passariam a ter acesso a todos os conteúdos reunidos pelos jornalistas no terreno. Com os novos segmentos de inteligência artificial, a pesquisa por imagem e o video search, também será mais simples encontrar as informações ou as imagens pretendidas. Contudo, isto implicaria a monitorização quase completa dos jornalistas, de forma a captar o máximo de informação possível durante uma cobertura.

Joshua Benton também questiona se será necessário um jornalista estar sempre presente no livestream ou se em alguns casos não será possível a colocação de câmaras e sensores num determinado local (como um jogo, reuniões ou conferências), para que se possa fazer o stream ou destacar apenas os momentos de maior importância.

É certo que o desenvolvimento da internet facilitou a distribuição da informação. A imprensa diária resumia-se a jornais e os canais de televisão tinham apenas uma fracção de tempo para as notícias. Com o surgimento da televisão por cabo, foi possível ter acesso a canais de notícias 24 horas, mas também foi mais fácil passar a evitar os conteúdos informativos, pois a tecnologia avança em todas as outras áreas, tanto para os jornalistas como para os criadores de jogos, de notícias falsas e de memes. Para Benton, vale a pena salientar que o aumento da velocidade da transmissão de grande quantidade de dados e de vídeos favorecerá muito mais Hollywood e os criadores de jogos do que os próprios jornalistas.

 

Mais informação em Cuadernos de Periodistas

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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Fotojornalismo e Direitos de Autor
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01
Nov
1º Congresso Internacional de Rádios Lusófonas
14:30 @ Angra do Heroísmo, Açores
19
Nov
Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
21
Nov