Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

Para o director do “El Confidencial” jornalismo de qualidade é um bom negócio'

Num momento de mudança para a indústria e para o mercado de jornais, Nacho Cardero, director do El Confidencial, considera essencial apostar num “jornalismo forte, de qualidade, verdadeiro e responsável” e, acima de tudo, que sirva como uma “ferramenta para a regeneração democrática”,

Xose Martín, num artigo publicado na APM, com a qual o CPI mantém um acordo de pareceria, revela que Cardero, num discurso no Novo Fórum de Comunicação disse que, o seu jornal trabalha para "uma sociedade melhor" , através da realização de um jornalismo de qualidade.

Este trabalho "não pode ser realizado a partir de parâmetros quantitativos, mas antes qualitativos". Nesse sentido, o director do jornal afirma que está na "batalha da qualidade, algo que deveria ser o objectivo de todos os meios de comunicação".

"Não é apenas uma questão de modelo de negócios ou sobrevivência, mas de princípios e valores", disse, ao defender que "investir em jornalismo de qualidade é um bom negócio", enquanto os media que oferecem informações erradas "têm os dias contados, porque mentiras e desinformação são um mau negócio".

O director do El Confidencial, enfatizou que estamos “em tempos complicados”, tanto em Espanha como em todo o mundo. “Uma tempestade perfeita está a ocorrer”, com “a ascensão do populismo, a desaceleração económica, a revolução digital e a hegemonia dos GAFA” (Google, Amazon, Facebook e Apple).


O El Confidencial decidiu reforçar-se, com a incorporação de novas empresas, como Rubén Amón, Ignasi Guardans ou Eva Valle, e introduzir novos produtos para novos modelos de negócio.


Por fim, Cardero anunciou o lançamento de um novo produto chamado EC Premium, voltado para "presidentes, CEOs e

directores de comunicação". É, como ele explicou, um "serviço avançado de informações pago e que vai permitir que os concorrentes se antecipem".


Nacho Cardero reconheceu, ainda, que, no modo como os media são actualmente concebidos "não há espaço para todos e não há dinheiro para financiar a totalidade dos projectos, nem os leitores tem tempo para ler tudo". Por esse motivo, "novos produtos são necessários, para novos modelos de negócios que vão além da publicidade".


(Mais informação em APM) 

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
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