Num momento de mudança para a indústria e para o mercado de jornais, Nacho Cardero, director do El Confidencial, considera essencial apostar num “jornalismo forte, de qualidade, verdadeiro e responsável” e, acima de tudo, que sirva como uma “ferramenta para a regeneração democrática”,
Xose Martín, num artigo publicado na APM, com a qual o CPI mantém um acordo de pareceria, revela que Cardero, num discurso no Novo Fórum de Comunicação disse que, o seu jornal trabalha para "uma sociedade melhor" , através da realização de um jornalismo de qualidade.
Este trabalho "não pode ser realizado a partir de parâmetros quantitativos, mas antes qualitativos". Nesse sentido, o director do jornal afirma que está na "batalha da qualidade, algo que deveria ser o objectivo de todos os meios de comunicação".
"Não é apenas uma questão de modelo de negócios ou sobrevivência, mas de princípios e valores", disse, ao defender que "investir em jornalismo de qualidade é um bom negócio", enquanto os media que oferecem informações erradas "têm os dias contados, porque mentiras e desinformação são um mau negócio".
O director do El Confidencial, enfatizou que estamos “em tempos complicados”, tanto em Espanha como em todo o mundo. “Uma tempestade perfeita está a ocorrer”, com “a ascensão do populismo, a desaceleração económica, a revolução digital e a hegemonia dos GAFA” (Google, Amazon, Facebook e Apple).
O El Confidencial decidiu reforçar-se, com a incorporação de novas empresas, como Rubén Amón, Ignasi Guardans ou Eva Valle, e introduzir novos produtos para novos modelos de negócio.
Por fim, Cardero anunciou o lançamento de um novo produto chamado EC Premium, voltado para "presidentes, CEOs e
directores de comunicação". É, como ele explicou, um "serviço avançado de informações pago e que vai permitir que os concorrentes se antecipem".
Nacho Cardero reconheceu, ainda, que, no modo como os media são actualmente concebidos "não há espaço para todos e não há dinheiro para financiar a totalidade dos projectos, nem os leitores tem tempo para ler tudo". Por esse motivo, "novos produtos são necessários, para novos modelos de negócios que vão além da publicidade".
(Mais informação em APM)
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.