Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

RSF denuncia obstáculos à distribuição da imprensa

A compra maciça  de jornais, a  apreensão de publicações em quiosques ou tipografias, a invasão de conteúdos online, os impostos abusivos direccionados à imprensa, as restrições de acesso às matérias-primas necessárias à impressão, o  assédio e, até,  assassinato de “ardinas” , são alguns dos métodos utilizados para bloquear o fluxo de informações e restringir a liberdade de imprensa, segundo  um relatório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), citado pela APM - Associacíon de Periodistas de Madrid, com  a qual o  CPI mantem um acordo de parceria.

O documento   expõe as diferentes formas usadas para impedir os jornais de chegarem ao público e refere que  a imaginação dos predadores da liberdade de imprensa não tem limites. Em  inúmeras ocasiões, não só  tenta silenciar jornalistas, como impede ou compromete a difusão .

“Tipografias, distribuidores e vendedores de jornais, raramente são citados nos jornais. No entanto, o trabalho deles é essencial para a liberdade de imprensa”, afirmou Christophe Deloire, secretário geral da RSF.

“Um jornalista não deve ser apenas capaz de pesquisar e escrever livremente. O seu trabalho também deve chegar aos seus leitores sem restrições. Caso contrário, os cidadãos podem ficar sem acesso à informação plural que é indispensável a toda democracia”.

As pesquisas efectuadas   pela RSF, em mais de 90 países, mostram que cerca de 41% das tentativas para impedir a distribuição da imprensa, ocorrem no momento da venda.

O vendedor de jornais, como o último intermediário entre o leitor e o jornal, também pode estar sujeito a pressões destinadas a restringir o fluxo de informações.

No Congo e na Guiné Equatorial, a polícia apreendeu edições inteiras nos quiosques para as destruir completamente.

 

Em Madagáscar, em  Setembro de 2018, representantes do governo, compraram todas as cópias de um jornal que revelou na primeira página, as supostas relações secretas da primeira-dama com um conselheiro do presidente.

Os “ardinas”  na Polonia  são obrigados a oferecer um espaço preferencial nos escaparates de exposição à imprensa pró-governamental, em detrimento da imprensa independente, o que faz com que os jornais não alinhados se tornem praticamente "invisíveis" para os clientes.

No México, os vendedores de jornais recebem ameaças directas, alguns foram mortos simplesmente por fazerem o seu trabalho de distribuição.

Mais de 22% dos casos, de violação da distribuição gratuita da imprensa, são registrados quando os jornais são transportados para o ponto de venda, de acordo com o mesmo estudo.

Na Nigéria ou no Paquistão, as autoridades não hesitam em recorrer à polícia ou ao exército para parar os camiões de transporte para confiscar os jornais.

Quanto mais distantes estão os pontos de venda de jornais, maiores são os obstáculos à sua distribuição, conclui o estudo.


(Mais informação na APM)
Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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Francisco Sarsfield Cabral
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