Sexta-feira, 5 de Junho, 2020
Media

RSF denuncia obstáculos à distribuição da imprensa

A compra maciça  de jornais, a  apreensão de publicações em quiosques ou tipografias, a invasão de conteúdos online, os impostos abusivos direccionados à imprensa, as restrições de acesso às matérias-primas necessárias à impressão, o  assédio e, até,  assassinato de “ardinas” , são alguns dos métodos utilizados para bloquear o fluxo de informações e restringir a liberdade de imprensa, segundo  um relatório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), citado pela APM - Associacíon de Periodistas de Madrid, com  a qual o  CPI mantem um acordo de parceria.

O documento   expõe as diferentes formas usadas para impedir os jornais de chegarem ao público e refere que  a imaginação dos predadores da liberdade de imprensa não tem limites. Em  inúmeras ocasiões, não só  tenta silenciar jornalistas, como impede ou compromete a difusão .

“Tipografias, distribuidores e vendedores de jornais, raramente são citados nos jornais. No entanto, o trabalho deles é essencial para a liberdade de imprensa”, afirmou Christophe Deloire, secretário geral da RSF.

“Um jornalista não deve ser apenas capaz de pesquisar e escrever livremente. O seu trabalho também deve chegar aos seus leitores sem restrições. Caso contrário, os cidadãos podem ficar sem acesso à informação plural que é indispensável a toda democracia”.

As pesquisas efectuadas   pela RSF, em mais de 90 países, mostram que cerca de 41% das tentativas para impedir a distribuição da imprensa, ocorrem no momento da venda.

O vendedor de jornais, como o último intermediário entre o leitor e o jornal, também pode estar sujeito a pressões destinadas a restringir o fluxo de informações.

No Congo e na Guiné Equatorial, a polícia apreendeu edições inteiras nos quiosques para as destruir completamente.

 

Em Madagáscar, em  Setembro de 2018, representantes do governo, compraram todas as cópias de um jornal que revelou na primeira página, as supostas relações secretas da primeira-dama com um conselheiro do presidente.

Os “ardinas”  na Polonia  são obrigados a oferecer um espaço preferencial nos escaparates de exposição à imprensa pró-governamental, em detrimento da imprensa independente, o que faz com que os jornais não alinhados se tornem praticamente "invisíveis" para os clientes.

No México, os vendedores de jornais recebem ameaças directas, alguns foram mortos simplesmente por fazerem o seu trabalho de distribuição.

Mais de 22% dos casos, de violação da distribuição gratuita da imprensa, são registrados quando os jornais são transportados para o ponto de venda, de acordo com o mesmo estudo.

Na Nigéria ou no Paquistão, as autoridades não hesitam em recorrer à polícia ou ao exército para parar os camiões de transporte para confiscar os jornais.

Quanto mais distantes estão os pontos de venda de jornais, maiores são os obstáculos à sua distribuição, conclui o estudo.


(Mais informação na APM)
Connosco
Inteligência artificial inventa "robots" na China e Rússia mas não substitui papel do jornalista Ver galeria

A inteligência artificial está a ser introduzida em todos os sectores e os “media” não são excepção, recorda um editorial do jornal indiano “Policy Times”.

As redacções estão a adoptar sistemas automáticos para verificar factos, encontrar fontes, transcrever entrevistas, e detectar plágios.

Além disso, empresas de tecnologia, como a Microsoft, estão a dispensar os seus jornalistas, substituindo-os por sistemas artificiais, programados para redigir artigos com base em notícias já publicadas.

A equipa que desenvolvia o “site” não escrevia artigos originais, mas exercia controlo editorial, publicando conteúdos e manchetes, para que estas se adequassem ao perfil da plataforma.

Na China e na Rússia, a automatização está, ainda, mais avançada, agora que alguns canais já colocaram “robots” a apresentar os telejornais. Apesar de inovadora, esta iniciativa foi mal recebida pelo público, que estranhou não ter um humano a estabelecer uma “ponte” entre a informação e os cidadãos.


Como o “Monde” desenvolveu um “lifeblog” durante a emergência Ver galeria

Perante a pandemia e o risco de isolamento, muitas publicações desenvolveram novos projectos e adoptaram diversas ferramentas para estabelecer contacto com as audiências, mas, talvez a iniciativa do “Le Monde” tenha sido a mais ambiciosa.

Durante 83 dias, sem interrupções, os jornalistas do “Monde” desenvolveram um “lifeblog”, com actualizações ao minuto, e com um “chat” aberto, onde os leitores deixaram as suas dúvidas e sugestões.

A audiência média diária foi de um milhão.

Findo o projecto, a equipa do jornal preparou um artigo para explicar a fórmula adoptada para o desenvolvimento do “lifeblog” mais longo da  sua história.

De acordo com o jornal, o projecto contou com a colaboração de  45 jornalistas, incluindo correspondentes sediados no estrangeiros.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas