Sexta-feira, 5 de Junho, 2020
Media

Jornalista italiano recebe prêmio Mackler pela cobertura da Mafia siciliana

O jornalista italiano Paolo Borrometi foi distinguido e recebeu  recentemente o Prémio Peter Mackler, que destaca a coragem e a ética jornalística, na sua cobertura da máfia siciliana, que investiga há vários anos e que já  lhe rendeu agressões e  ameaças de morte. 

Nascido em 1983, em Ragusa, no sul da Sicília, Paolo Borrometi trabalhou para a agência de notícias italiana AGI antes de fundar, em 2013, o site de informação  La Spia. Tem protecção policial desde 2014 e foi forçado  a  deixar a Sicília para se estabelecer em Roma por motivos de segurança.

De facto, nesse ano,  a sua casa de  família em Modica, foi alvo de uma tentativa de fogo posto. Em 2018, escutas judiciais frustraram um atentado à sua pessoa.

Há  muito  que  Paolo Borrometi escreve  sobre as  actividades da máfia no agronegócio, controladas principalmente pelos clãs de Siracusa e Ragusa.

"Eu tenho medo de morrer, é verdade", afirmou o jornalista. "Não sei se terei uma família ou filhos. Mas, eu sonhava ser jornalista, e sou jornalista. Eu gosto deste trabalho, do livre exercício do jornalismo".


O Prêmio Peter Mackler foi criado em memória do ex-editor da Agence France-Presse (AFP) para a América do Norte, que morreu em 2008 de ataque cardíaco. Foi apresentado pela  viúva  de  Mackler, Catherine Antoine, nas instalações da Escola de Jornalismo da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY).


Paolo Borrometi dedicou o prêmio a Daphne Caruana Galizia, jornalista  de investigação  morta num atentado em Malta,  em 2017;, a Antonio Megalizzi, jornalista morto durante o ataque de 11 de Dezembro de 2018 no mercado de Natal de Estrasburgo; e a Giulio Regeni , estudante torturado até a morte, em 2016,pela polícia egípcia.


O Prêmio Peter Mackler é organizado pelo Global Media Forum, em parceria com a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e a AFP.

 

Mais informação no Le Monde

Connosco
Inteligência artificial inventa "robots" na China e Rússia mas não substitui papel do jornalista Ver galeria

A inteligência artificial está a ser introduzida em todos os sectores e os “media” não são excepção, recorda um editorial do jornal indiano “Policy Times”.

As redacções estão a adoptar sistemas automáticos para verificar factos, encontrar fontes, transcrever entrevistas, e detectar plágios.

Além disso, empresas de tecnologia, como a Microsoft, estão a dispensar os seus jornalistas, substituindo-os por sistemas artificiais, programados para redigir artigos com base em notícias já publicadas.

A equipa que desenvolvia o “site” não escrevia artigos originais, mas exercia controlo editorial, publicando conteúdos e manchetes, para que estas se adequassem ao perfil da plataforma.

Na China e na Rússia, a automatização está, ainda, mais avançada, agora que alguns canais já colocaram “robots” a apresentar os telejornais. Apesar de inovadora, esta iniciativa foi mal recebida pelo público, que estranhou não ter um humano a estabelecer uma “ponte” entre a informação e os cidadãos.


Como o “Monde” desenvolveu um “lifeblog” durante a emergência Ver galeria

Perante a pandemia e o risco de isolamento, muitas publicações desenvolveram novos projectos e adoptaram diversas ferramentas para estabelecer contacto com as audiências, mas, talvez a iniciativa do “Le Monde” tenha sido a mais ambiciosa.

Durante 83 dias, sem interrupções, os jornalistas do “Monde” desenvolveram um “lifeblog”, com actualizações ao minuto, e com um “chat” aberto, onde os leitores deixaram as suas dúvidas e sugestões.

A audiência média diária foi de um milhão.

Findo o projecto, a equipa do jornal preparou um artigo para explicar a fórmula adoptada para o desenvolvimento do “lifeblog” mais longo da  sua história.

De acordo com o jornal, o projecto contou com a colaboração de  45 jornalistas, incluindo correspondentes sediados no estrangeiros.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Opinião
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O paradoxo mediático
Francisco Sarsfield Cabral
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Agenda
15
Jun
Jornalismo Empreendedor
18:30 @ Cenjor
17
Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas