Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

Jornalista italiano recebe prêmio Mackler pela cobertura da Mafia siciliana

O jornalista italiano Paolo Borrometi foi distinguido e recebeu  recentemente o Prémio Peter Mackler, que destaca a coragem e a ética jornalística, na sua cobertura da máfia siciliana, que investiga há vários anos e que já  lhe rendeu agressões e  ameaças de morte. 

Nascido em 1983, em Ragusa, no sul da Sicília, Paolo Borrometi trabalhou para a agência de notícias italiana AGI antes de fundar, em 2013, o site de informação  La Spia. Tem protecção policial desde 2014 e foi forçado  a  deixar a Sicília para se estabelecer em Roma por motivos de segurança.

De facto, nesse ano,  a sua casa de  família em Modica, foi alvo de uma tentativa de fogo posto. Em 2018, escutas judiciais frustraram um atentado à sua pessoa.

Há  muito  que  Paolo Borrometi escreve  sobre as  actividades da máfia no agronegócio, controladas principalmente pelos clãs de Siracusa e Ragusa.

"Eu tenho medo de morrer, é verdade", afirmou o jornalista. "Não sei se terei uma família ou filhos. Mas, eu sonhava ser jornalista, e sou jornalista. Eu gosto deste trabalho, do livre exercício do jornalismo".


O Prêmio Peter Mackler foi criado em memória do ex-editor da Agence France-Presse (AFP) para a América do Norte, que morreu em 2008 de ataque cardíaco. Foi apresentado pela  viúva  de  Mackler, Catherine Antoine, nas instalações da Escola de Jornalismo da Universidade da Cidade de Nova York (CUNY).


Paolo Borrometi dedicou o prêmio a Daphne Caruana Galizia, jornalista  de investigação  morta num atentado em Malta,  em 2017;, a Antonio Megalizzi, jornalista morto durante o ataque de 11 de Dezembro de 2018 no mercado de Natal de Estrasburgo; e a Giulio Regeni , estudante torturado até a morte, em 2016,pela polícia egípcia.


O Prêmio Peter Mackler é organizado pelo Global Media Forum, em parceria com a Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e a AFP.

 

Mais informação no Le Monde

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O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

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