Sábado, 11 de Julho, 2020
Media

Mais informação com menos certezas é o paradoxo actual

Mais informação/menos certezas é um paradoxo que abala um dos princípios básicos dos media tradicionais, e bem assim a ideia da notícia como instrumento eficaz na definição do que é certo ou errado, verdadeiro ou falso

Um aumento vertiginoso das incertezas na relação  diária com a realidade que nos cerca , trazido pelo mundo digital, configura aquilo que os especialistas baptizaram da era da complexidade.

Não há mais coisas simples, escreve o jornalista Carlos Castilho, num artigo publicado no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

“Este fenómeno contraria a nossa maneira de ver a informação e sinaliza um profundo desajuste em todo o sistema de produção, processamento e disseminação de notícias jornalísticas”, defende Castilho, que cita o exemplo da radicalização das discussões políticas nas redes sociais.

O “tsunami” de informação disponível dificulta o processo de selecção e verificação. Até  ao fim de 2020 calcula-se que cerca de 1,7 megabytes de novas informações serão disponibilizados por segundo.


Vivemos a era da complexidade, que se confunde cada vez menos com a era  do tipo preto ou branco. Tudo agora é potencialmente complicado.

O autor menciona o estudo realizado pelos psicólogos norte-americanos, Albert Hastorf e Hadley Cantril, sobre visibilidade selectiva e percepção selectiva,  publicado no The Journal of Abnormal and Social Psychology, onde se sustenta que estamos perante a disseminação do que chamam “bolhas criativas”, às quais o público  adere como autoprotecção e defesa contra as vulnerabilidades provocadas pela incerteza constante.


Segundo ainda o autor, estamos perante um mundo de novas tecnologias  que nos forçam a assumir novos comportamentos, regras e valores.

 

Mais informação no Observatório de Imprensa do Brasil

 

Connosco
Quando há códigos éticos associados ao jornalismo Ver galeria

O jornalismo está em constante mudança e, como tal, os códigos éticos associados à profissão deve ser actualizados, em permanência.


Há, contudo, alguns elementos que se vão mantendo, mais ou menos, constantes, como as ideologias associadas aos jornais.

Confrontado com este cenário, Pedro Pablo Bermúdez, um estudante colombiano de jornalismo, decidiu questionar os colaboradores da Fundación Gabo quanto à sua opinião sobre os posicionamentos políticos da imprensa e dos jornalistas.

Feita a consulta, alguns jornalistas da Fundação exprimiram os seus pontos de vista.

Assim, para a jornalista Mónica González, a isenção da imprensa é uma utopia. Assim, os jornais devem tentar ser o mais transparentes possível sobre a sua posição ideológica, para que os leitores consigam distinguir uma notícia de uma falácia construída em detrimento da oposição.

Da mesma forma, as empresas mediáticas deverão revelar quais as suas fontes de financiamento e o nome dos seus investidores.


Agradecer a assinatura como forma de sensibilizar leitores Ver galeria

O modelo de negócio dos “media” está a mudar e cada vez mais títulos estão a optar pela implementação de um plano de subscrição.

Como tal, os editores procuram, naturalmente, conquistar um número crescente de leitores, que pagam, regularmente, pelo consumo dos seus conteúdos.

Ora, um estudo da Citizens and Technology Lab sugere que a forma ideal de alcançar esse objectivo passa, simplesmente, por agradecer aos subscritores pela sua contribuição.

Os responsáveis por este estudo analisaram as interacções no “site” Wikipedia, que depende de uma comunidade internacional, disposta a manter a plataforma actualizada, a custo zero. 


O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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Agenda
27
Jul
Jornalismo ético como garantia de democracia
09:30 @ Universidade de Madrid
14
Set
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague