Quarta-feira, 23 de Outubro, 2019
Media

Mais informação com menos certezas é o paradoxo actual

Mais informação/menos certezas é um paradoxo que abala um dos princípios básicos dos media tradicionais, e bem assim a ideia da notícia como instrumento eficaz na definição do que é certo ou errado, verdadeiro ou falso

Um aumento vertiginoso das incertezas na relação  diária com a realidade que nos cerca , trazido pelo mundo digital, configura aquilo que os especialistas baptizaram da era da complexidade.

Não há mais coisas simples, escreve o jornalista Carlos Castilho, num artigo publicado no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

“Este fenómeno contraria a nossa maneira de ver a informação e sinaliza um profundo desajuste em todo o sistema de produção, processamento e disseminação de notícias jornalísticas”, defende Castilho, que cita o exemplo da radicalização das discussões políticas nas redes sociais.

O “tsunami” de informação disponível dificulta o processo de selecção e verificação. Até  ao fim de 2020 calcula-se que cerca de 1,7 megabytes de novas informações serão disponibilizados por segundo.


Vivemos a era da complexidade, que se confunde cada vez menos com a era  do tipo preto ou branco. Tudo agora é potencialmente complicado.

O autor menciona o estudo realizado pelos psicólogos norte-americanos, Albert Hastorf e Hadley Cantril, sobre visibilidade selectiva e percepção selectiva,  publicado no The Journal of Abnormal and Social Psychology, onde se sustenta que estamos perante a disseminação do que chamam “bolhas criativas”, às quais o público  adere como autoprotecção e defesa contra as vulnerabilidades provocadas pela incerteza constante.


Segundo ainda o autor, estamos perante um mundo de novas tecnologias  que nos forçam a assumir novos comportamentos, regras e valores.

 

Mais informação no Observatório de Imprensa do Brasil

 

Connosco
Jornalistas deverão estar prevenidos para identificar e corrigir notícias falsas... Ver galeria

Existem várias lacunas na pesquisa de desinformação política e os debates contínuos sobre o que constitui as fake news e a sua classificação acabam por ser uma distracção, desviando as atenções das “questões críticas” relacionadas com o problema.

É importante reconhecer que as fake news existem, que estamos expostos a essas falsas informações, mas, se quisermos combatê-las, é indispensável procurar a sua origem, a sua forma de disseminação e analisar as consequências sociais e políticas.

É, ainda, imprescindível que os jornalistas estejam preparados e informados para não colaborarem na propagação deste tipo de informação.

Por vezes, o objectivo que se esconde em algumas fake news é que os media acabem por disseminá-las, acelerando a sua difusão. Por esse motivo, foi identificado o chamado “ponto de inflexão”, que representa o momento em que a história deixa de ser partilhada exclusivamente em “nichos” e acaba por atingir uma dimensão maior, alcançando várias comunidades. 

A jornalista Laura Hazard Owen abordou o tema num texto publicado no NiemanLab, no qual também faz referências à melhor forma de reconhecer os de conteúdos manipulados.

Suspensão de acordo do “Brexit” dividiu a imprensa britânica Ver galeria

Suspensa a aprovação do acordo no Parlamento britânico até que haja a regulamentação apropriada, a imprensa londrina apresentou-se dividida em relação ao Brexit.

Por um lado, a esperança de evitar um “não acordo” e uma saída abrupta, por outro a exaltação em relação à votação. 

Os media ingleses evidenciaram posições antagónicas em relação aos últimos acontecimentos e isso foi claro pela forma como abordaram a situação. 

Enquanto que o Sunday Express assumiu uma postura pró-Brexit e foi mais hostil com os deputados, acusando-os de atrasarem o processo, o Independent preferiu focar-se nas ruas, onde perto de um milhão de cidadãos se manifestaram para exigir que lhes seja dada a palavra final. Por sua vez, o Observer realçou a derrota do primeiro ministro, que se viu forçado a suspender a aprovação do acordo.

Le Monde publicou, entretanto, um texto no qual é feita uma análise dos media britânicos neste contexto.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


ver mais >
Opinião
Ainda a nova legislatura não começou e já surgiu o primeiro caso político em torno da RTP. Infelizmente foi causado pelo comportamento recente da Direcção de Informação da estação em relação a um dos programas dessa área com maior audiência, o “Sexta às 9”, de Sandra Felgueiras, que regularmente apresenta investigações sobre casos da actualidade nacional.   O...
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
J.-M. Nobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de...
Agenda
28
Out
Fotojornalismo e Direitos de Autor
09:00 @ Cenjor, Lisboa
01
Nov
1º Congresso Internacional de Rádios Lusófonas
14:30 @ Angra do Heroísmo, Açores
19
Nov
Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
21
Nov