Segunda-feira, 16 de Dezembro, 2019
Media

Mais informação com menos certezas é o paradoxo actual

Mais informação/menos certezas é um paradoxo que abala um dos princípios básicos dos media tradicionais, e bem assim a ideia da notícia como instrumento eficaz na definição do que é certo ou errado, verdadeiro ou falso

Um aumento vertiginoso das incertezas na relação  diária com a realidade que nos cerca , trazido pelo mundo digital, configura aquilo que os especialistas baptizaram da era da complexidade.

Não há mais coisas simples, escreve o jornalista Carlos Castilho, num artigo publicado no site do Observatório de Imprensa do Brasil, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

“Este fenómeno contraria a nossa maneira de ver a informação e sinaliza um profundo desajuste em todo o sistema de produção, processamento e disseminação de notícias jornalísticas”, defende Castilho, que cita o exemplo da radicalização das discussões políticas nas redes sociais.

O “tsunami” de informação disponível dificulta o processo de selecção e verificação. Até  ao fim de 2020 calcula-se que cerca de 1,7 megabytes de novas informações serão disponibilizados por segundo.


Vivemos a era da complexidade, que se confunde cada vez menos com a era  do tipo preto ou branco. Tudo agora é potencialmente complicado.

O autor menciona o estudo realizado pelos psicólogos norte-americanos, Albert Hastorf e Hadley Cantril, sobre visibilidade selectiva e percepção selectiva,  publicado no The Journal of Abnormal and Social Psychology, onde se sustenta que estamos perante a disseminação do que chamam “bolhas criativas”, às quais o público  adere como autoprotecção e defesa contra as vulnerabilidades provocadas pela incerteza constante.


Segundo ainda o autor, estamos perante um mundo de novas tecnologias  que nos forçam a assumir novos comportamentos, regras e valores.

 

Mais informação no Observatório de Imprensa do Brasil

 

Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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