Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
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O Jornalismo como antidoto contra a desinformação

“O aparecimento de notícias falsas, para alguns, será o fim, uma vez que significará a morte do jornalismo actual. Mas, para outros, será completamente o oposto. O jornalismo emergirá como o melhor antídoto para o fenómeno da notícia falsa. Porque, na realidade, tudo pode ser falso, excepto jornalismo”, defende Marc Amorós Garcia, num trabalho inserido na revista “Cuadernos de Periodistas”, editado pela APM – Associacion de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

“Se não quisermos viver entretidos com mentiras, tanto os media como os leitores têm de estar mais atentos do que nunca às notícias”, diz o autor do livro “Fake news, la verdade das noticias falsas”. O termo, “fake news”, instalou-se no imaginário popular, mas tem sido contestado pela Comissão Europeiacom o argumento de que é muito usado no meio politico, como um rótulo de desqualificação para qualquer informação contrária aos seus interesses. Isso põe em causa o jornalismo e a confiança que a sociedade deposita na imprensa.

Segundo aquele organismo o termo correcto será “desinformação” e não “notícias falsas”.

A consultora de tecnologia Gartner prevê que, em 2022, metade das notícias que consumimos serão falsas. No entanto, o simples facto de se classificar uma notícia inconveniente como falsa, equivale a eliminar o papel que cabe ao jornalismo na nossa sociedade, o de relatar os factos que estão a acontecer. Porque, no fundo, é nisso que se baseia, contar aos leitores o que está realmente errado.

Será o jornalismo uma vítima ou o culpado desta situação? Marc Amorós Garcia, considera que são ambas as coisas.

Vítima, porque muitas informações publicadas e difundidas com a aparência de notícia são, na realidade, falsidades ou meias verdades, e são intencionalmente divulgadas com um objectivo ideológico ou motivadas pelo lucro. Mas  é culpado, porque hoje existem muitos meios de comunicação que nasceram para desinformar.

A perda da importância das edições em papel, juntamente com hipervelocidade imposta pelas redes sociais, condena os media a serem reféns da “ditadura do click” , que empurra o jornalismo para produzir cada vez mais notícias em menos tempo e a incorporar informações que antes se descartavam por serem pouco exactas.

O novo cenário democratizou de tal modo a difusão de notícias que, hoje, qualquer pessoa pode constituir-se num meio de comunicação. Bastará para efeito abrir um blog ou um perfil em qualquer rede social.

Abundam os órgãos de informação criados especificamente para desinformar, que adquirem uma aparência confiável de credibilidade na forma de jornais digitais.

Outros foram fundados recentemente, com alguns jornalistas sem formação que, sem terem como objectivo desinformar, são vitimas da exigência da grande procura de informação, da velocidade com que é produzida e consumida.

Um meio possível para combater esta situação, poderá passar pela exigência de verificação de dados.

Em Espanha foi criada recentemente a Comprovado, que reúne até 16 órgãos de comunicação para combater a desinformação, no discurso público e político. O objectivo é criar um “exército” de jornalistas que, independentemente dos meios para onde trabalham, geram uma rede de cooperação para localizar e verificar falsas notícias.

Esta iniciativa nasceu em colaboração com a First Draft, uma organização internacional fundada em 2015, para apoiar jornalistas e editores na criação de boas práticas.

Os resultados da verificação de factos são demonstrados por um estudo da Universidade de Cornell, onde se verificou que 30% dos utilizadores do Canal Reddit / Change My View, mudaram de opinião quando lhes foi demonstrado que, a notícia que acreditavam ser verdadeira, era comprovadamente  falsa, feita a verificação de dados.

A importância da certificação dos dados é, também,  demonstrada pelo estudo da revista Science, de Março de 2018, com a pesquisa conduzida pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde se conclui que, no Twiter notícias verdadeiras raramente atingem mil partilhas, enquanto as  falsas são partilhadas, em media,  por 10 mil  pessoas.

Para o autor, o jornalismo deve apostar fortemente nos factos, em vez de recorrer a opiniões ou especulações, como principal fonte das suas informações.

Recomenda, ainda,  um esforço maior na formação profissional, na medida em que, os meios de comunicação social devem compreender que a luta contra a desinformação e as notícias falsas, exige uma maior capacitação dos jornalistas.   

 

Mais informação em APM

 

 

 

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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