Segunda-feira, 24 de Fevereiro, 2020
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O Jornalismo como antidoto contra a desinformação

“O aparecimento de notícias falsas, para alguns, será o fim, uma vez que significará a morte do jornalismo actual. Mas, para outros, será completamente o oposto. O jornalismo emergirá como o melhor antídoto para o fenómeno da notícia falsa. Porque, na realidade, tudo pode ser falso, excepto jornalismo”, defende Marc Amorós Garcia, num trabalho inserido na revista “Cuadernos de Periodistas”, editado pela APM – Associacion de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

“Se não quisermos viver entretidos com mentiras, tanto os media como os leitores têm de estar mais atentos do que nunca às notícias”, diz o autor do livro “Fake news, la verdade das noticias falsas”. O termo, “fake news”, instalou-se no imaginário popular, mas tem sido contestado pela Comissão Europeiacom o argumento de que é muito usado no meio politico, como um rótulo de desqualificação para qualquer informação contrária aos seus interesses. Isso põe em causa o jornalismo e a confiança que a sociedade deposita na imprensa.

Segundo aquele organismo o termo correcto será “desinformação” e não “notícias falsas”.

A consultora de tecnologia Gartner prevê que, em 2022, metade das notícias que consumimos serão falsas. No entanto, o simples facto de se classificar uma notícia inconveniente como falsa, equivale a eliminar o papel que cabe ao jornalismo na nossa sociedade, o de relatar os factos que estão a acontecer. Porque, no fundo, é nisso que se baseia, contar aos leitores o que está realmente errado.

Será o jornalismo uma vítima ou o culpado desta situação? Marc Amorós Garcia, considera que são ambas as coisas.

Vítima, porque muitas informações publicadas e difundidas com a aparência de notícia são, na realidade, falsidades ou meias verdades, e são intencionalmente divulgadas com um objectivo ideológico ou motivadas pelo lucro. Mas  é culpado, porque hoje existem muitos meios de comunicação que nasceram para desinformar.

A perda da importância das edições em papel, juntamente com hipervelocidade imposta pelas redes sociais, condena os media a serem reféns da “ditadura do click” , que empurra o jornalismo para produzir cada vez mais notícias em menos tempo e a incorporar informações que antes se descartavam por serem pouco exactas.

O novo cenário democratizou de tal modo a difusão de notícias que, hoje, qualquer pessoa pode constituir-se num meio de comunicação. Bastará para efeito abrir um blog ou um perfil em qualquer rede social.

Abundam os órgãos de informação criados especificamente para desinformar, que adquirem uma aparência confiável de credibilidade na forma de jornais digitais.

Outros foram fundados recentemente, com alguns jornalistas sem formação que, sem terem como objectivo desinformar, são vitimas da exigência da grande procura de informação, da velocidade com que é produzida e consumida.

Um meio possível para combater esta situação, poderá passar pela exigência de verificação de dados.

Em Espanha foi criada recentemente a Comprovado, que reúne até 16 órgãos de comunicação para combater a desinformação, no discurso público e político. O objectivo é criar um “exército” de jornalistas que, independentemente dos meios para onde trabalham, geram uma rede de cooperação para localizar e verificar falsas notícias.

Esta iniciativa nasceu em colaboração com a First Draft, uma organização internacional fundada em 2015, para apoiar jornalistas e editores na criação de boas práticas.

Os resultados da verificação de factos são demonstrados por um estudo da Universidade de Cornell, onde se verificou que 30% dos utilizadores do Canal Reddit / Change My View, mudaram de opinião quando lhes foi demonstrado que, a notícia que acreditavam ser verdadeira, era comprovadamente  falsa, feita a verificação de dados.

A importância da certificação dos dados é, também,  demonstrada pelo estudo da revista Science, de Março de 2018, com a pesquisa conduzida pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT), onde se conclui que, no Twiter notícias verdadeiras raramente atingem mil partilhas, enquanto as  falsas são partilhadas, em media,  por 10 mil  pessoas.

Para o autor, o jornalismo deve apostar fortemente nos factos, em vez de recorrer a opiniões ou especulações, como principal fonte das suas informações.

Recomenda, ainda,  um esforço maior na formação profissional, na medida em que, os meios de comunicação social devem compreender que a luta contra a desinformação e as notícias falsas, exige uma maior capacitação dos jornalistas.   

 

Mais informação em APM

 

 

 

Connosco
Faleceu Vasco Pulido Valente cronista singular de imprensa Ver galeria

Faleceu o historiador, escritor, ensaísta e  cronista de imprensa, enquanto comentador político, Vasco Pulido Valente. A informação foi confirmada ao jornal “Público” e ao “Observador” por fonte familiar. 

 Vasco Pulido Valente, distinguiu-se como colunista com textos repartidos por vários jornais, e pela acidez irónica que cultivava nos seus comentários, invariavelmente cáusticos e certeiros em relação a não poucos actores do espaço político-partidário.

 O nome que o tornou célebre (e temido), era o pseudónimo de Vasco Valente Correia Guedes, que nasceu em Lisboa a 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa e tirou um doutoramento em História pela Universidade de Oxford. No final da década de 60, uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian permitiu-lhe estudar em Inglaterra, onde se doutorou, sendo um devoto de uma certa cultura académica, típica de Oxford.


Guia para um discurso jornalístico simplificado... Ver galeria

As “hard news” podem tornar-se pouco atractivas para os leitores, devido à linguagem formal e à utilização de conceitos desconhecidos pela maioria do “comum dos mortais”. 

Por muito que os jornalistas se esforcem para fazer passar a mensagem de forma clara, muitas vezes trabalham em “contra-relógio”, o que torna difícil a tarefa de escrever de maneira apelativa. Foi a pensar nesses profissionais que a jornalista Roy Peter Clark elaborou um pequeno guia, publicado na revista “Poynter”. 

Para a autora, o mais importante é escrever como quem conversa com um amigo num bar. É crucial utilizar linguagem simplificada, dar exemplos e explicar conceitos. Assim, poderá ser útil falar sobre o conteúdo, ainda que em monólogo, e só depois escrevê-lo.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...