Segunda-feira, 24 de Fevereiro, 2020
Media

Novos modelos de assinatura reforçam receitas dos “media”

Grandes títulos internacionais de Imprensa, implementam novos modelos que estão a resultar no equilíbrio financeiro, na fidelização e no aumento das audiências, numa demonstração do que poderá ser o caminho a seguir para garantir a sobrevivência e o futuro do jornalismo.

Como exemplo desta evolução, um pouco por todo o mundo, publicações de renome começam a sair de uma crise que teima em permanecer sector, conforme se observa num trabalho inserido na revista “Cuadernos de Periodistas”, editado pela APM – Asociacion de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com o seu  relatório anual, a Guardian News & Media (GNM), editora do The Guardian e do The Observer, apresentou pela primeira vez em muitos anos, resultados operacionais positivos

O Financial Times Financial Times, anunciou entretanto que, pela primeira vez na sua história de 131 anos, conseguiu superar um  milhão leitores assinantes, antecipando em um ano o objectivo  definido para 2020.

Com quase um  milhão assinantes na sua edição impressa, o New York Times, continua a adicionar novos subscritores digitais a um ritmo assinalável. Em finais  de 2018, atingiu uma soma  impressionante superior a três milhões de assinantes.  

Pela primeira vez, também,  a receita de publicidade digital ultrapassou a da publicidade em papel. A redacção foi reforçada com 120 jornalistas  ao longo do ano passado e, actualmente,  está perto de atingir os 1.600 profissionais, o numero mais alto de sua história.

Na costa Oeste,  o Los Angeles Times contou com um investimento de 150 milhões de dólares e aumentou os efectivos da sua redacção de 400 para 525 profissionais. O proprietário do jornal  acredita que este constitui   uma fonte de informação primordial para 40 milhões pessoas na Califórnia e pensa estender a sua influência ao México .

Em França, o Le Monde progrediu, no mesmo período,   20% nas assinaturas digitais. Actualmente, com 180 mil subscritores , espera alcançar os  220.000 subscritores digitais até ao final do ano.

Por seu lado, o The Wall Street Journal, um dos primeiros jornais no mundo a lançar a sua versão electrónica, atingiu o patamar do milhão e meio de  assinaturas nessa versão e espera alcançar  brevemente os três milhões.

No domínio dos gigantes electrónicos,  a Apple lançou o serviço Apple News+, que disponibiliza o acesso a mais de 300 publicações. Ao longo deste ano, o serviço estará disponível também no Reino Unido e na Austrália e existem planos para alarga-lo a outros países.

O Washighton Post  conhece , igualmente, um crescimento substancial, tendo ultrapassado  o milhão e meio de assinantes. Desde 2013 reforçou a sua redacção com mais 200  jornalistas, contando agora com um quadro de 900 profissionais.

Em todos os casos  mencionados parece haver um ponto em comum:  o investimento nas tecnologias electrónicas e a  alteração do modelo de assinaturas, com uma forte aposta nas versões digitais.

A principal conclusão do relatório do Reuters Institute for the Study of Journalism da Universidade de Oxford, publicado em Janeiro de 2019, indica que os novos modelos de assinatura e a fidelização dos leitores serão o foco principal das receitas na industria dos media.

Soluções inovadoras como o podcast estão na moda, e várias publicações decidiram adoptar diariamente este tipo de difusão. Em Janeiro deste ano, a revista britânica Economist lançou um podcast diário, contratou oito editores para o  novo produto e conseguiu 50% das suas receitas publicitárias com este novo formato. O The New York Times, tem uma audiência média diária de dois milhões de ouvintes e mais de oito milhões por mês.

Outra estratégia que está a ser usada pelos meios de comunicação internacionais é o acesso gratuito para estudantes e instituições de ensino. Para alimentarem a base de futuros subscritores,  o Financial Times e o The New York Times asseguram esse acesso livre   de alunos e professores  aos seus conteúdos

Comunicar com os leitores foi desde sempre uma preocupação dos órgãos de informação, neste domínio também há avanços. Depois de vários meses de análise e estudo o The Wall Street Journal lançou recentemente um novo sistema de participação dos leitores nas suas notícias, a que dá o nome de “Conversas com a audiência”. A intenção do diário é converter esses diálogos  num sistema interactivo  efectivo com os leitores.


Mais informações em APM

Connosco
Faleceu Vasco Pulido Valente cronista singular de imprensa Ver galeria

Faleceu o historiador, escritor, ensaísta e  cronista de imprensa, enquanto comentador político, Vasco Pulido Valente. A informação foi confirmada ao jornal “Público” e ao “Observador” por fonte familiar. 

 Vasco Pulido Valente, distinguiu-se como colunista com textos repartidos por vários jornais, e pela acidez irónica que cultivava nos seus comentários, invariavelmente cáusticos e certeiros em relação a não poucos actores do espaço político-partidário.

 O nome que o tornou célebre (e temido), era o pseudónimo de Vasco Valente Correia Guedes, que nasceu em Lisboa a 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa e tirou um doutoramento em História pela Universidade de Oxford. No final da década de 60, uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian permitiu-lhe estudar em Inglaterra, onde se doutorou, sendo um devoto de uma certa cultura académica, típica de Oxford.


Guia para um discurso jornalístico simplificado... Ver galeria

As “hard news” podem tornar-se pouco atractivas para os leitores, devido à linguagem formal e à utilização de conceitos desconhecidos pela maioria do “comum dos mortais”. 

Por muito que os jornalistas se esforcem para fazer passar a mensagem de forma clara, muitas vezes trabalham em “contra-relógio”, o que torna difícil a tarefa de escrever de maneira apelativa. Foi a pensar nesses profissionais que a jornalista Roy Peter Clark elaborou um pequeno guia, publicado na revista “Poynter”. 

Para a autora, o mais importante é escrever como quem conversa com um amigo num bar. É crucial utilizar linguagem simplificada, dar exemplos e explicar conceitos. Assim, poderá ser útil falar sobre o conteúdo, ainda que em monólogo, e só depois escrevê-lo.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...