Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Media

Novos modelos de assinatura reforçam receitas dos “media”

Grandes títulos internacionais de Imprensa, implementam novos modelos que estão a resultar no equilíbrio financeiro, na fidelização e no aumento das audiências, numa demonstração do que poderá ser o caminho a seguir para garantir a sobrevivência e o futuro do jornalismo.

Como exemplo desta evolução, um pouco por todo o mundo, publicações de renome começam a sair de uma crise que teima em permanecer sector, conforme se observa num trabalho inserido na revista “Cuadernos de Periodistas”, editado pela APM – Asociacion de la Prensa de Madrid, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com o seu  relatório anual, a Guardian News & Media (GNM), editora do The Guardian e do The Observer, apresentou pela primeira vez em muitos anos, resultados operacionais positivos

O Financial Times Financial Times, anunciou entretanto que, pela primeira vez na sua história de 131 anos, conseguiu superar um  milhão leitores assinantes, antecipando em um ano o objectivo  definido para 2020.

Com quase um  milhão assinantes na sua edição impressa, o New York Times, continua a adicionar novos subscritores digitais a um ritmo assinalável. Em finais  de 2018, atingiu uma soma  impressionante superior a três milhões de assinantes.  

Pela primeira vez, também,  a receita de publicidade digital ultrapassou a da publicidade em papel. A redacção foi reforçada com 120 jornalistas  ao longo do ano passado e, actualmente,  está perto de atingir os 1.600 profissionais, o numero mais alto de sua história.

Na costa Oeste,  o Los Angeles Times contou com um investimento de 150 milhões de dólares e aumentou os efectivos da sua redacção de 400 para 525 profissionais. O proprietário do jornal  acredita que este constitui   uma fonte de informação primordial para 40 milhões pessoas na Califórnia e pensa estender a sua influência ao México .

Em França, o Le Monde progrediu, no mesmo período,   20% nas assinaturas digitais. Actualmente, com 180 mil subscritores , espera alcançar os  220.000 subscritores digitais até ao final do ano.

Por seu lado, o The Wall Street Journal, um dos primeiros jornais no mundo a lançar a sua versão electrónica, atingiu o patamar do milhão e meio de  assinaturas nessa versão e espera alcançar  brevemente os três milhões.

No domínio dos gigantes electrónicos,  a Apple lançou o serviço Apple News+, que disponibiliza o acesso a mais de 300 publicações. Ao longo deste ano, o serviço estará disponível também no Reino Unido e na Austrália e existem planos para alarga-lo a outros países.

O Washighton Post  conhece , igualmente, um crescimento substancial, tendo ultrapassado  o milhão e meio de assinantes. Desde 2013 reforçou a sua redacção com mais 200  jornalistas, contando agora com um quadro de 900 profissionais.

Em todos os casos  mencionados parece haver um ponto em comum:  o investimento nas tecnologias electrónicas e a  alteração do modelo de assinaturas, com uma forte aposta nas versões digitais.

A principal conclusão do relatório do Reuters Institute for the Study of Journalism da Universidade de Oxford, publicado em Janeiro de 2019, indica que os novos modelos de assinatura e a fidelização dos leitores serão o foco principal das receitas na industria dos media.

Soluções inovadoras como o podcast estão na moda, e várias publicações decidiram adoptar diariamente este tipo de difusão. Em Janeiro deste ano, a revista britânica Economist lançou um podcast diário, contratou oito editores para o  novo produto e conseguiu 50% das suas receitas publicitárias com este novo formato. O The New York Times, tem uma audiência média diária de dois milhões de ouvintes e mais de oito milhões por mês.

Outra estratégia que está a ser usada pelos meios de comunicação internacionais é o acesso gratuito para estudantes e instituições de ensino. Para alimentarem a base de futuros subscritores,  o Financial Times e o The New York Times asseguram esse acesso livre   de alunos e professores  aos seus conteúdos

Comunicar com os leitores foi desde sempre uma preocupação dos órgãos de informação, neste domínio também há avanços. Depois de vários meses de análise e estudo o The Wall Street Journal lançou recentemente um novo sistema de participação dos leitores nas suas notícias, a que dá o nome de “Conversas com a audiência”. A intenção do diário é converter esses diálogos  num sistema interactivo  efectivo com os leitores.


Mais informações em APM

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar...
As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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