Sexta-feira, 27 de Novembro, 2020
Media

Inventor da Internet está a criar nova "web" com "startup" espanhola

A 'start-up' espanhola, Empathy.co e a Universidade de Oviedo, colaboram para avançar no Solid, um ambiente web, impulsionado por Tim Berners-Lee, com mais a privacidade.

O objetivo da Solid é "mudar radicalmente a maneira como actualmente as aplicações da web funcionam, fornecer uma propriedade real dos dados e melhorar a privacidade", diz o site do projecto. No fundo, criar um espaço em que o abuso de informações pessoais dos utilizadores é impedido.
Berners-Lee deu o primeiro passo no MIT (Massachusetts Institute of Technology), onde sob a sua direção nasceu o embrião do projecto que pretende dar ao utilizador o controle total sobre seus dados. O problema é que isso vai contra o modelo de negócios da Google, Facebook e até da Amazon.

Após esse início, apareceram universidades e start-ups interessadas em ajudar a cimentar o projeco. A Empathy.co, com sede em Gijón, é uma  das  que começou a trabalhar no Solid, para criar um mecanismo de busca para lojas e aplicativos online, com base nos princípios da nova rede. 


Para executar o trabalho, a empresa asturiana conta com a colaboração da Universidade de Oviedo.

A primeira versão do mecanismo de busca será lançada em Dezembro deste ano e estará pronta para enriquecer o ecosistema Solid. Nesse espaço, os processos funcionam de maneira diferente. “Em vez de ter um cliente, computador ou telemóvel e um servidor, as peças principais são um cliente, chamado POD (dados pessoais on-line), e um servidor, chamado ”sólido”, explica Ángel Maldonado, fundador da Empathy.co.

“Pela sua constituição, o servidor no Solid não pode armazenar nenhum dado pessoal. O POD, possui todos os seus dados, como se fosse uma nuvem própria. É seu, “está ligado a si”, continua Maldonado. Esse elemento- chave, o POD, actua como intermediário. Com o Solid, qualquer aplicação terá acesso aos dados do usuário por meio do POD. Todas as análises de perfil e dados estão disponíveis enquanto a aplicação está aberta. Mas quando o utilizador a fecha, as informações deixam de estar acessíveis.

A aplicação tem informações sobre o utilizador para o atender melhor, mas só e apenas durante o momento em que ele interage com o sistema. Tudo se passa como quando vamos a uma loja física e pedimos uma sugestão. Depois de sair, a loja não armazena nenhuma informação sobre seus gostos e interesses. "Isso repensa o conceito de análise de dados", diz Maldonado.

As informações deixam de ser armazenadas em massa para prever o comportamento digital. Mas, para que o novo mecanismo de pesquisa funcione, a loja ou a aplicação precisará de seguir voluntariamente os princípios do que Maldonado chama de “a nova Internet”.

Mais informação em El País

Connosco
Onde se preconiza o jornalismo social e notícias felizes Ver galeria

O Presidente da Associação de Imprensa de Madrid -- com a qual o CPI mantém um acordo de parceria -- considera essencial que os “media” continuem a promover a dimensão social do jornalismo.

No discurso inaugural do Congresso da Comunicação Especializada na Sociedade da Informação, Juan Caño recordou que, com a crise pandémica, esta função "tem sido exercida de forma exemplar por vários meios de comunicação social", que, durante meses, não se esqueceram de "encorajar a população a superar a calamidade”.

Porém, ultimamente, começou a registar-se um “cansaço dos media', perante demasiada informação", recordou Caño. 

Este fenómeno tem vindo a ocorrer "à medida que a informação se foi tornando repetitiva e deixou de oferecer soluções viáveis", acrescentou.

Esta afirmação é sustentada pelo Relatório Anual da Profissão Jornalística 2020 da APM -- a ser publicado a 16 de Dezembro -- que revela que 43% dos espanhóis considerou excessiva a cobertura da pandemia.


Jornalismo deve acolher estratégias financeiras sustentáveis Ver galeria

O jornalismo deve ser encarado como um produto, para que os “media” possam prosperar de forma sustentável, defendeu o jornalista Rich Gordon num artigo publicado no “site” do Knight Center.

De acordo com o autor, os profissionais dos “media” rejeitam, por norma, esta ideia, já que para a maioria defende o jornalismo como sendo, única e exclusivamente, um serviço público.

E, embora Gordon acredite que esta deve ser a principal premissa dos jornalistas, considera, igualmente, essencial que a imprensa siga as tendências de mercado.

Como tal, reuniu, numa lista, seis razões pelos quais os “media” devem encarar os seus conteúdos como um produto.

Em primeiro lugar, Gordon recorda que os “websites”, os jornais, as “newsletters” são “mercadorias” -- os cidadãos decidem se querem ou não consumi-las, perante uma imensidão de escolhas. Além disso, a popularidade destes produtos depende do seu nível de inovação e de qualidade.

Este tipo de mentalidade existe há dois séculos -- os jornais do século XIX seguiam as exigências do mercado, a lei da oferta e da procura. A estratégia consistia em distribuir o máximo de jornais, a um preço reduzido, esperando conseguir o apoio de anunciantes.

O Clube


Faz cinco anos que começámos este
site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.

O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária. 

Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.

O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.

Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.



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Género e "media": desafios de Pequim
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