A 'start-up' espanhola, Empathy.co e a Universidade de Oviedo, colaboram para avançar no Solid, um ambiente web, impulsionado por Tim Berners-Lee, com mais a privacidade.
O objetivo da Solid é "mudar radicalmente a maneira como actualmente as aplicações da web funcionam, fornecer uma propriedade real dos dados e melhorar a privacidade", diz o site do projecto. No fundo, criar um espaço em que o abuso de informações pessoais dos utilizadores é impedido.
Berners-Lee deu o primeiro passo no MIT (Massachusetts Institute of Technology), onde sob a sua direção nasceu o embrião do projecto que pretende dar ao utilizador o controle total sobre seus dados. O problema é que isso vai contra o modelo de negócios da Google, Facebook e até da Amazon.
Após esse início, apareceram universidades e start-ups interessadas em ajudar a cimentar o projeco. A Empathy.co, com sede em Gijón, é uma das que começou a trabalhar no Solid, para criar um mecanismo de busca para lojas e aplicativos online, com base nos princípios da nova rede.
Para executar o trabalho, a empresa asturiana conta com a colaboração da Universidade de Oviedo.
A primeira versão do mecanismo de busca será lançada em Dezembro deste ano e estará pronta para enriquecer o ecosistema Solid. Nesse espaço, os processos funcionam de maneira diferente. “Em vez de ter um cliente, computador ou telemóvel e um servidor, as peças principais são um cliente, chamado POD (dados pessoais on-line), e um servidor, chamado ”sólido”, explica Ángel Maldonado, fundador da Empathy.co.
“Pela sua constituição, o servidor no Solid não pode armazenar nenhum dado pessoal. O POD, possui todos os seus dados, como se fosse uma nuvem própria. É seu, “está ligado a si”, continua Maldonado. Esse elemento- chave, o POD, actua como intermediário. Com o Solid, qualquer aplicação terá acesso aos dados do usuário por meio do POD. Todas as análises de perfil e dados estão disponíveis enquanto a aplicação está aberta. Mas quando o utilizador a fecha, as informações deixam de estar acessíveis.
A aplicação tem informações sobre o utilizador para o atender melhor, mas só e apenas durante o momento em que ele interage com o sistema. Tudo se passa como quando vamos a uma loja física e pedimos uma sugestão. Depois de sair, a loja não armazena nenhuma informação sobre seus gostos e interesses. "Isso repensa o conceito de análise de dados", diz Maldonado.
As informações deixam de ser armazenadas em massa para prever o comportamento digital. Mas, para que o novo mecanismo de pesquisa funcione, a loja ou a aplicação precisará de seguir voluntariamente os princípios do que Maldonado chama de “a nova Internet”.
Mais informação em El País
A pandemia veio agravar a crise dos “media”, já que modificou os hábitos de consumo dos cidadãos e demonstrou a necessidade de alterar o modelo de negócio tradicional, assente, sobretudo, em receitas publicitárias.
Perante este novo contexto, o Obercom analisou as diferenças registadas, entre 2019 e 2020, na imprensa portuguesa, de forma a traçar um possível futuro para o sector, tendo em conta a aceleração das marcas digitais.
Para tal, foram analisadas doze publicações -- “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Diário de Notícias”, “Público”, “Expresso”, “Visão”, “Sábado”, “Jornal de Negócios”, “Jornal Económico”, “Record”, “O Jogo” e “Courrier Internacional”.
Em primeira instância, constatou-se que, tanto o volume de circulação paga, como o volume de tiragens, tem sofrido quedas sustentadas ao longo dos últimos anos. O volume de tiragens também diminuiu, acompanhando o ritmo de quebra das vendas em banca.
Em relação ao índice de Eficiência das publicações -- que resulta do rácio entre tiragens e circulação impressa paga -- verifica-se que os semanários “Expresso” e “Visão” são aqueles que apresentam os valores mais altos. Em posição contrária estão o “Jornal Económico” e o “Jornal de Negócios”.
No que respeita ao digital, o crescimento das assinaturas não tem sido suficiente para colmatar as perdas no papel.
Nos últimos meses, a liberdade de imprensa em França tornou-se um tema de debate, devido à aprovação da Lei de Segurança Global, recordou o jornalista Rui Martins num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.
Entre outros pontos, a Lei de Segurança Global estabelece restrições à divulgação de imagens dos membros das forças policiais e militares, o que, para os franceses, constitui um acto de censura.
Segundo indicou Martins, este “controlo de imagem”, previsto no artigo 24, é subtil e mal intencionado, já que visa proteger as autoridades, em caso de utilização excessiva da força.
Até porque, de acordo com o documento, será punido o fotógrafo, o operador de imagem ou o cidadão que captar e difundir imagens das forças da autoridade. A pena pode ir até aos 45 mil euros e um ano de prisão.
Além disso, não havendo prova visual, os autores de tais denúncias poderiam ser processados.
Perante este quadro, um grupo de editores executivos franceses reafirmou, em comunicado, o seu compromisso com a lei da liberdade de imprensa de 1881 e garantem que estarão vigilantes para assegurar o seu cumprimento.
A defesa do anonimato dos polícias franceses foi, ainda, questionada pelas próprias televisões francesas, que mostraram imagens de agentes ingleses e alemães, com suas identificações bem visíveis nos próprios uniformes.
Faz cinco anos que começámos este site, desenhado por Nuno Palma, webdesigner e docente universitário, que desde então colabora connosco.
O projecto foi lançado com uma modéstia de recursos que não mudou entretanto, porque escasseiam os mecenas e os poucos que se nos juntaram também se defrontaram com orçamentos penalizados, seja pela conjuntura económica, seja, mais recentemente, pela crise sanitária.
Neste contexto, a sobrevivência é um desafio diário, e um lustre de existência deste site é uma profissão de fé e uma teimosia.
O site constitui a respiração do CPI, fora de portas, e a nível global. Os primeiros passos foram dados sem qualquer publicidade. Aparecemos online e por aqui ficámos, procurando habilitar diariamente quem nos visita com a melhor informação sobre as actividades do Clube e o pulsar dos media e do jornalismo, sem restrições de credo, nem obediências de capela. Com rigor e independência.
Fomos recompensados. Só no último ano, de acordo com medições de audiência da Google Analytics, crescemos mais de 50% em sessões efectuadas e mais de 60% em utilizadores regulares. É algo de que nos orgulhamos.