Sábado, 26 de Setembro, 2020
Media

Inventor da Internet está a criar nova "web" com "startup" espanhola

A 'start-up' espanhola, Empathy.co e a Universidade de Oviedo, colaboram para avançar no Solid, um ambiente web, impulsionado por Tim Berners-Lee, com mais a privacidade.

O objetivo da Solid é "mudar radicalmente a maneira como actualmente as aplicações da web funcionam, fornecer uma propriedade real dos dados e melhorar a privacidade", diz o site do projecto. No fundo, criar um espaço em que o abuso de informações pessoais dos utilizadores é impedido.
Berners-Lee deu o primeiro passo no MIT (Massachusetts Institute of Technology), onde sob a sua direção nasceu o embrião do projecto que pretende dar ao utilizador o controle total sobre seus dados. O problema é que isso vai contra o modelo de negócios da Google, Facebook e até da Amazon.

Após esse início, apareceram universidades e start-ups interessadas em ajudar a cimentar o projeco. A Empathy.co, com sede em Gijón, é uma  das  que começou a trabalhar no Solid, para criar um mecanismo de busca para lojas e aplicativos online, com base nos princípios da nova rede. 


Para executar o trabalho, a empresa asturiana conta com a colaboração da Universidade de Oviedo.

A primeira versão do mecanismo de busca será lançada em Dezembro deste ano e estará pronta para enriquecer o ecosistema Solid. Nesse espaço, os processos funcionam de maneira diferente. “Em vez de ter um cliente, computador ou telemóvel e um servidor, as peças principais são um cliente, chamado POD (dados pessoais on-line), e um servidor, chamado ”sólido”, explica Ángel Maldonado, fundador da Empathy.co.

“Pela sua constituição, o servidor no Solid não pode armazenar nenhum dado pessoal. O POD, possui todos os seus dados, como se fosse uma nuvem própria. É seu, “está ligado a si”, continua Maldonado. Esse elemento- chave, o POD, actua como intermediário. Com o Solid, qualquer aplicação terá acesso aos dados do usuário por meio do POD. Todas as análises de perfil e dados estão disponíveis enquanto a aplicação está aberta. Mas quando o utilizador a fecha, as informações deixam de estar acessíveis.

A aplicação tem informações sobre o utilizador para o atender melhor, mas só e apenas durante o momento em que ele interage com o sistema. Tudo se passa como quando vamos a uma loja física e pedimos uma sugestão. Depois de sair, a loja não armazena nenhuma informação sobre seus gostos e interesses. "Isso repensa o conceito de análise de dados", diz Maldonado.

As informações deixam de ser armazenadas em massa para prever o comportamento digital. Mas, para que o novo mecanismo de pesquisa funcione, a loja ou a aplicação precisará de seguir voluntariamente os princípios do que Maldonado chama de “a nova Internet”.

Mais informação em El País

Connosco
“Media” franceses publicam carta de apoio ao “Charlie Hebdo” Ver galeria

Cerca de uma centena de “media” franceses publicaram uma carta aberta de apoio à revista “Charlie Hebdo”, em resposta a um apelo do director da publicação, Riss. Aliás, as antigas instalações da revista voltaram a testemunhar a violência: em 25 de Setembro, quatro pessoas ficaram feridas, naquele local, noutro ataque desta vez com arma branca.

Em declarações à agência de notícias France-Presse, Riss afirmou que a revista satírica francesa tinha sido “mais uma vez ameaçada por organizações terroristas”, em pleno julgamento dos atentados de Janeiro de 2015, visando, igualmente, “todos os meios de comunicação e, mesmo, o Presidente”.

“Achámos necessário sugerir aos ‘media’ que pensassem na resposta colectiva que merecia ser dada a esta situação”, explicou.

Na carta aberta, intitulada “Juntos, vamos defender a liberdade”, os órgãos de comunicação social apelaram, então,  à defesa da imprensa.  “Hoje, em 2020, alguns de vós estão a receber ameaças de morte nas redes sociais quando expõem opiniões. Os meios de comunicação social são, abertamente, visados por organizações terroristas internacionais. Os Estados exercem pressões sobre os jornalistas franceses [considerados] ‘culpados’ de publicarem artigos críticos”, pode ler-se no documento.


Liberdade de imprensa em Hong Kong continua a deteriorar-se Ver galeria

As autoridades de Hong Kong estão a apertar  as restrições à liberdade de imprensa, tendo anunciado que vão deixar de aceitar determinadas acreditações jornalísticas.

Assim, só serão aceites acreditações fornecidas por organizações noticiosas registadas no sistema de informação governamental. Desta forma, as centenas de  jornalistas membros daHong Kong Journalists Association (HKJA) e da Hong Kong Press Photographers Association (HKPPA) não poderão comparecer a conferências de imprensa. 

Entretanto, a  HKJA, a HKPPA, e cinco outros sindicatos, exigiram que a nova política fosse retirada. "A emenda permite às autoridades decidirem quem é considerado repórter, o que altera, fundamentalmente, o sistema existente em Hong Kong.  (...) Isto condicionará, gravemente, a liberdade de imprensa, conduzindo a cidade a um regime autoritário".

Numa carta remetida ao Hong Kong Foreign Correspondents Club , um superintendente da polícia, Kwok Ka-chuen,  tentou justificar a aplicação da emenda, afirmando que as manifestações da região semi-autónoma "atraem, frequentemente centenas de repórteres, que participam em protestos, e que agridem a polícia”.  "Isto sobrecarrega a aplicação da lei”.


O Clube


Terminada a pausa de Agosto, este site do CPI  retoma a sua actividade e as  actualizações diárias, num contacto regular que faz parte da rotina de consulta dos nossos associados e parceiros, e que  tem vindo a atrair um confortável e crescente número de visitantes em Portugal e um pouco por todo o mundo, com relevo para os países lusófonos.

Sem prejuízo de  algumas alterações de estrutura funcional , o site continuará  acompanhar, a par e passo,  as iniciativas do Clube, bem como o  que de mais relevante  ocorrer no País e fora dele em matéria de jornalismo,  jornalistas e de liberdade de expressão.

Os media enfrentam uma situação complexa e, para muitos,  não se adivinha um desfecho airoso. 

O futuro dos media independentes está tingido de sombras.  E o das associações independentes de jornalistas – como é o caso do Clube Português de Imprensa – não se antevê, também, isento de dificuldades, que saberemos vencer, como vencemos outras ao longo de quase quatro décadas de história, que se completam este ano.

Desde a sua fundação, em 1980, o CPI viveu exclusivamente  com o apoio dos sócios, e de alguns mecenas que quiseram acompanhar os esforços do Clube,  identificado com uma sólida  profissão de fé em defesa do jornalismo e dos jornalistas.



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Opinião
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Uma certeza que nasceu nos últimos meses é a facilidade com que as pessoas mudam de hábitos. Em consequência o comportamento face ao consumo de conteúdos está a modificar-se cada vez de forma mais rápida e os mais novos são claramente os que com maior facilidade adoptam novidades. Durante o confinamento e a explosão de uso da internet houve uma aplicação que ganhou destaque em todo o mundo – o Tik Tok. Trata-se...
Acordaram para o incumprimento reiterado de alguns órgãos de informação em matéria deontológica? Só perceberam agora. Não deram pela cobertura dos casos Sócrates e companhia, não assistiram à novela Rosa Grilo? Perceberam finalmente que se pratica em Portugal, às vezes e em alguns casos senão mau, pelo menos péssimo jornalismo? Não estamos todos no mesmo saco. Não somos todos iguais....
Agenda
15
Out
Conferência sobre a história do jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas
18
Out
Conferência World Press Freedom
10:00 @ Países Baixos -- Hague
26
Out
Conferência Africana de Jornalismo de Investigação
09:00 @ África do Sul - Joanesburgo