Quinta-feira, 4 de Junho, 2020
Opinião

O regresso do “jornalismo de causas”

por Dinis de Abreu

O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar numa conferência do clima;  a   desmatação da Amazónia, que, embora praticada, sistematicamente,  há muitos anos,  só agora  atraiu as atenções do G7 e  da  imprensa internacional grada; a “ideologia do género”, que assentou arraiais impulsionada pelos movimentos “gay”, com acesso privilegiado  a muitos media, incluindo os portugueses; ou o  “populismo”, perigo  invariavelmente  associado  ao radicalismo da direita, mas que a extrema esquerda não despreza e cultiva a bel-prazer.

Outro tema que costuma invadir   a Imprensa e os audiovisuais é o das “migrações”. Mas tal, como os anteriores, obedecem a um  tratamento editorial distinto consoante  as  circunstâncias.

Se se trata de barcos encontrados no Mediterrâneo à deriva (ou quase), carregados de gente transportada em condições deploráveis -  vítimas do engodo de traficantes e da miséria sem esperança nos países de origem -,  os media contribuem – e bem – para um movimento de solidariedade e de acolhimento .

Mas se estão em causa quase quatro  milhões de venezuelanos, que deixaram o país em desespero -   desde 2015 até meados  deste ano -, empurrados por um regime que arruinou um país dono de importantes reservas de  petróleo, a reacção da mesma grande Imprensa internacional  perde  fulgor e fica  surpreendentemente  parcimoniosa .

Donde se conclui que o “jornalismo de causas”  faz as suas opções e que a avaliação  da importância da mesma realidade pode depender da latitude, do credo e da oportunidade política para obter   eco mediático.

Empolar ou silenciar um acontecimento, segundo uma determinada conjuntura, óptica ou conveniência de grupo ou de capela, passou  a ser o filtro usado por numerosos  media, que abandonaram  a  factualidade e gerem  dependências.  Um triste sinal dos tempos.

Connosco
O paradoxo no Brasil entre a ética jornalística e a ética empresarial Ver galeria

Os jornalistas brasileiros estão a ser confrontados com novos obstáculos, impostos à profissão pela Covid-19. É o caso teletrabalho,  que veio alterar, profundamente, o “modus operandi” das redacções e da investigação jornalística. 

Há, contudo, outras questões, ainda mais preocupantes, a serem discutidas por estes profissionais, como é o caso da ética jornalística, reiterou Silvia Meirelles Leite num artigo publicado na revista “objETHOS” e reproduzido no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

De acordo com a autora, enquanto os jornalistas continuam a desempenhar as suas funções e a manter a população informada, as empresas detentoras dos “media” têm de garantir apoios financeiros.

Isto leva a que, não raramente, a televisão pública seja obrigada a suprimir certas peças jornalísticas. Caso contrário, este serviço deixaria de receber financiamento governamental.

A cobertura do coronavírus reforçou a credibilidade jornalística Ver galeria

A pandemia de Covid-19 afectou praticamente todos os sectores da sociedade e influenciou a vida dos cidadãos, um pouco por todo o mundo.

Assim, os jornalistas têm vindo a assumir um papel essencial, mantendo a  população informada sobre os impactos da doença, bem como sobre as suas mutações.

Desta forma, os “media” tradicionais voltaram a merecer a atenção e “lealdade” do público, que deixou de informar-se através das redes sociais que são, tendencialmente, uma plataforma de desinformação,

considerou o jornalista Michel Ribeiro num artigo publicado no “Observatório da Imprensa”, associação com a qual o CPI mantém um acordo de parceria.

Perante a actual crise sanitária, recorda o autor, o jornalismo televisivo conquistou uma audiência significativa e os jornais “online” registaram um tráfego sem precedentes. Da mesma forma, mais consumidores decidiram assinar fontes de informação fidedignas e ouvir rádio para se manterem informados.

O Clube


A pandemia trouxe dificuldades acrescidas aos
media e as associações do sector não passaram incólumes, forçadas a fechar a porta e a manter o contacto com os seus associados através de meios virtuais, como é o caso deste “site” do Clube.

Ao longo da fase mais aguda do coronavírus e da quarentena imposta em defesa da saúde pública, continuámos, como prometemos, em regime de teletrabalho,  mantendo a actualização regular  do “site”, por considerarmos importante  para os jornalistas  ter à sua disposição um espaço, desenhado a  rigor,  com o retrato diário  dos factos e tendências  mais relevantes que foram acontecendo no mundo mediático durante a crise.

É um trabalho sempre  incompleto, até porque a crise, com origem no vírus, veio aprofundar e agravar a outra crise estrutural já existente, em particular, na Imprensa.    

Mas o Clube foi recompensado por não ter desistido,  com o aumento significativo  da projecção  deste “site”, na ordem dos  63,2% de utilizadores regulares, comparativamente com o ano anterior, medidos pela Google Analytics.

Note–se que se verificou este  crescimento não obstante o “site” ter sido vítima, por duas vezes, de ataques informáticos, que nos bloquearam durante vários dias.  

É uma excelente “performance” que nos apraz partilhar com os associados e outros frequentadores interessados em conhecer, a par e passo,  os problemas que estão dominar os media, sem esquecer a inovação e a criatividade, factores  indispensáveis para salvar muitos  projectos.

Concluímos hoje  como o fizemos há meses, quando precisámos de mudar de rotinas, perante o vírus instalado entre nós: Contem com o Clube como o Clube deseja contar convosco.


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15
Jun
Jornalismo Empreendedor
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Jun
Congresso Mundial de "Media"
10:00 @ Saragoça
18
Jun
Stereo and Immersive Media 2020
09:30 @ Universidade Lusófona
22
Jun
15
Out
II Conferência Internacional - História do Jornalismo em Portugal
10:00 @ Universidade Nova de Lisboa -- Faculdade de Ciências Sociais e Humanas