Quarta-feira, 13 de Novembro, 2019
Opinião

O regresso do “jornalismo de causas”

por Dinis de Abreu

O chamado “jornalismo de causas “  voltou a estar na moda. E sobram os temas:  a “emergência climática”,   assumida por António Guterres enquanto secretário geral da ONU,  numa capa caricata da “Time”;  o “feito” de uma adolescente nórdica,   que atravessou o Atlântico num veleiro de luxo -  a pretexto de assim  reduzir o impacto ambiental -, para participar numa conferência do clima;  a   desmatação da Amazónia, que, embora praticada, sistematicamente,  há muitos anos,  só agora  atraiu as atenções do G7 e  da  imprensa internacional grada; a “ideologia do género”, que assentou arraiais impulsionada pelos movimentos “gay”, com acesso privilegiado  a muitos media, incluindo os portugueses; ou o  “populismo”, perigo  invariavelmente  associado  ao radicalismo da direita, mas que a extrema esquerda não despreza e cultiva a bel-prazer.

Outro tema que costuma invadir   a Imprensa e os audiovisuais é o das “migrações”. Mas tal, como os anteriores, obedecem a um  tratamento editorial distinto consoante  as  circunstâncias.

Se se trata de barcos encontrados no Mediterrâneo à deriva (ou quase), carregados de gente transportada em condições deploráveis -  vítimas do engodo de traficantes e da miséria sem esperança nos países de origem -,  os media contribuem – e bem – para um movimento de solidariedade e de acolhimento .

Mas se estão em causa quase quatro  milhões de venezuelanos, que deixaram o país em desespero -   desde 2015 até meados  deste ano -, empurrados por um regime que arruinou um país dono de importantes reservas de  petróleo, a reacção da mesma grande Imprensa internacional  perde  fulgor e fica  surpreendentemente  parcimoniosa .

Donde se conclui que o “jornalismo de causas”  faz as suas opções e que a avaliação  da importância da mesma realidade pode depender da latitude, do credo e da oportunidade política para obter   eco mediático.

Empolar ou silenciar um acontecimento, segundo uma determinada conjuntura, óptica ou conveniência de grupo ou de capela, passou  a ser o filtro usado por numerosos  media, que abandonaram  a  factualidade e gerem  dependências.  Um triste sinal dos tempos.

Connosco
Onde se fala de jornalismo mais factual e menos negativo Ver galeria

Os meios de comunicação social exibem um enviesamento em relação a tudo aquilo que é negativo, seja nas notícias, seja no comentário. 

O jornalismo parece ter uma tendência para o negativo. Aparentemente, só o que é repentino e mau é digno de notícia, verificando-se que as coisas positivas são vistas como uma maçada.

O jornalismo acaba por ampliar a negatividade sempre que opta por não considerar os acontecimentos positivos.

A opinião é de Steven Pinker, professor de psicologia em Harvard e autor, numa crónica na revista POLITICO Magazine, do livro “Enlightenment Now: The Case for Reason, Science, Humanism, and Progress”. 

O autor apela a um jornalismo mais factual e considera que a governação democrática não pode funcionar se ninguém acreditar nisso, e o pessimismo jornalístico semeou o fatalismo e o radicalismo nas nossas instituições.

Jovens privilegiam “infotainment” em vez de notícias Ver galeria

Um estudo encomendado pelo Reuters Institute for the Study of Journalism (RISJ) à agência Flamingo – especializada na concepção de estratégias culturais –, revela que a forma como as audiências mais jovens nos Estados Unidos e no Reino Unido abordam as notícias é diferente das gerações anteriores. 

Os jovens procuram, principalmente, o progresso, o que influencia a forma como pesquisam e recebem notícias.

As audiências mais jovens, por norma, não procuram notícias e não se informam de forma proactiva, são indiretamente expostas à informação através de redes sociais, conteúdos digitais, programas de televisão e conversas online

Ao mesmo tempo, focam-se noutros tipos de conteúdos, como a combinação de informação e entretenimento (infotainment), histórias de lifestyle ou conteúdos de bloggers.

Em suma, as gerações mais jovens estão cada vez mais desconectadas das formas tradicionais de consumo de notícias, por considerarem que são menos relevantes para si.

APM, com a qual o CPI mantém um acordo de parceria, publicou no seu site um artigo no qual realiza a análise do estudo.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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