Terça-feira, 28 de Janeiro, 2020
Opinião

Em defesa de um “ranking” de investimento publicitário

por Manuel Falcão

Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal.

Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim, numa consulta a agências multinacionais, atribuir a conta a uma delas - e por arrasto a filial portuguesa dessa agência de meios internacional ganha a pequena parte do budget que será investido em Portugal.

Muitas vezes não há um esforço especial para que tal aconteça, a formatação das campanhas  e as suas directivas gerais vêm estruturadas de forma central. Não estou a querer tirar a importância às equipas locais nem ao seu know-how e sei que há agências que se esforçam em ser inovadoras, em apresentar soluções “out of the box”. mas sei que também há muitas que nem têm espaço para isso dentro das suas organizações multinacionais e se limitam a cumprir as guidelines estabelecidas e decididas centralmente.

 

Outro galo cantaria se existisse um ranking de agências de meios que contabilizasse o investimento publicitário gerido de empresas e marcas portuguesas.

 

Tenho a certeza que não existe correspondência entre o ranking que inclui os alinhamentos internacionais e o ranking dos investimentos de anunciantes portugueses.

 

E era útil que existisse um ranking assim, de investimentos locais - daria uma imagem mais focada da realidade do nosso mercado. Poderíamos ter uma ideia mais exacta sobre a dimensão do investimento publicitário de marcas portuguesas, uma ideia mais segura sobre a forma como são geridos e sobre a inovação e criatividade desenvolvidas pelas agências de meios responsáveis por esses investimentos - sejam elas filiais de multinacionais ou agências locais . 

 

 

Defendo há muito que deve existir, a par do ranking actual (que junta tudo), um ranking de actividade publicitária dos anunciantes e marcas nacionais e das suas agências de meios.

 

Essa será uma medida mais justa do esforço e trabalho desenvolvido em Portugal, será uma ferramenta para avaliar a satisfação dos clientes ao longo dos anos e será de facto uma forma para avaliar quais as agências que exclusivamente no mercado português são mais competititvas, que conseguem pelo seu trabalho fidelizar os clientes e que procuram soluções eficazes em conjunto com os publishers e media locais, sem estarem condicionadas a compromissos de investimento em plataformas internacionais que as contas alinhadas globalmente muitas vezes incorporam.

 

Era adequado que este ranking nacional existisse e que incluísse as agências criativas e as agências de meios. Assim os anunciantes portugueses e a indústria publicitária em geral teriam um panorama mais real do que se está a passar.

 

Connosco
Jornalismo universitário americano cultiva independência Ver galeria

A indústria mediática está em decadência. Nos últimos dez anos, perdeu-se um quarto dos empregos no sector e espera-se que, na próxima década, desapareçam mais 10%.

O jornais regionais são, particularmente, prejudicados, com mais de 1.400 cidades norte-americanas a ficar sem a cobertura local.

Cole Stallone, director do jornal universitário “Washington Square News”, escreveu um artigo oportuno sobre a importância da aposta no jornalismo independente, promovido por estudantes.

Para Stallone, embora o jornalismo seja uma profissão em risco, continua a ser importante cobrir histórias e acontecimentos. Enquanto os profissionais se debatem com a importância de relatar eventos de maior dimensão, é crucial que haja cidadãos que se ocupem de ocorrências locais.


Como a tecnologia pode ser "amiga" do jornalismo... Ver galeria

A desinformação é uma das maiores preocupações dos “media” e, com o desenvolvimento tecnológico, têm surgido alguma soluções interessantes. O Blockchain é um programa que bloqueia, automaticamente, informações que considera falsas, e embora não se entenda que pode salvar o jornalismo, ainda pode ser útil à imprensa. O problema é que os leitores não parecem interessados nos factos.

O “The New York Times” lançou um projecto com o objectivo de perceber se o bloqueio facilita, ou não, a compreensão da origem das notícias, por parte dos consumidores. Os colaboradores têm pesquisado utilizadores e construído protótipos da Blockchain, divulgando, agora algumas das suas revelações iniciais.


O Clube

Ao retomar a regularidade de actualização deste site, no inicio de outra década, achámos oportuno proceder ao  balanço do vasto material arquivado, designadamente, em textos de reflexão sobre a forma como está a ser exercido o jornalismo,  no contexto de um período extremamente exigente  para os novos e velhos  “media”.

O resultado dessa pesquisa retrospectiva foi muito estimulante, a ponto de termos sentido  ser um imperativo partilhá-la, no essencial,  com quem nos acompanha mais de perto, sendo, no entanto,  recém-chegados. 


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Workshop on Networks of (dis-)information
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O cinema e a televisão como "forma de futuro"
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