null, 17 de Novembro, 2019
Opinião

As limitações do nosso jornalismo

por Francisco Sarsfield Cabral

J.-MNobre-Correia, professor emérito de Informação e Comunicação da Universidade Livre de Bruxelas, escreveu no “Público” um artigo bastante crítico da qualidade do actual jornalismo português. Em carta ao director, uma leitora deste jornal aplaudiu esse artigo, dizendo nomeadamente: “Os problemas, com que se defrontam no dia-a-dia os cidadãos, não são investigados, em detrimento de notícias fátuas que não exigem qualquer esforço e pouco ou nada contribuem para um conhecimento informado das situações. Mesmo a informação internacional é escassa e, muitas vezes, mal tratada”.

Como jornalista, não tenho uma reacção corporativa às críticas que se fazem ao jornalismo português. Concordo com muitos dos males apontados e lamento-os. Mas é de justiça salientar dois pontos.

Primeiro, a comunicação social portuguesa tem dado contributos importantes para a descoberta de casos de corrupção e outros, bem como trouxe para a praça pública a situação lamentável de muita gente que, de outra forma, continuaria a ser ignorada.

 Isto acontece apesar das limitações que prejudicam o trabalho dos jornalistas. Praticamente todos os media no nosso país – e no estrangeiro também – lutam com problemas financeiros sérios. A publicidade é escassa e os “sites” eletrónicos desses meios não conseguem anúncios financeiramente compensadores. Por isso as redações têm vindo a ser reduzidas ao mínimo: há menos jornalistas e menos recursos para financiar investigações complexas. Ora as solicitações são hoje muito maiores do que eram há poucas décadas atrás: a informação não pára, é permanente.

 O aparecimento da internet e das redes sociais levou a uma baixa brutal de leitores, ouvintes e telespectadores – e de publicidade. E o facto de os “media” tradicionais e os outros concorrerem, todos, em dar notícias 24 horas por dia nos respectivos “sites”, o mais rapidamente possível, não contribui propriamente para analisar e investigar, com tempo e ponderação, inúmeras informações, verdadeiras ou falsas.

Tenho dito várias vezes que o “Washington Post” não teria hoje possibilidades financeiras de fazer uma investigação como a realizada em 1974 ao caso Watergate: dois repórteres do jornal instalaram-se confidencialmente num hotel durante meses, com vários ajudantes. A crise é geral, mas Portugal tem uma população pouco dada à leitura e a ver e ouvir discutir temas sérios. O mercado é pequeno…

 Claro que, mesmo com as limitações existentes, o jornalismo nacional poderia ser melhor. Mas convém não esquecer aquilo de que os consumidores da comunicação social mais apreciam. Na televisão, por exemplo, é o futebol – não propriamente ver jogos, mas assistir a discussões intermináveis sobre “casos” envolvendo árbitros, dirigentes e jogadores. Ou, então, “reality shows” degradantes – começou com o “Big brother”.

Mas o fenómeno não é novidade nem apenas português. Há muito que os jornais “tabloides” britânicos vendem dez vezes mais do que os chamados jornais de referência. Esses tabloides levam o sensacionalismo e a desvergonha a níveis impressionantes. E a Grã-Bretanha é um país culto, mas onde surgem políticos populistas como Boris Johnson...  

Connosco
Centro Báltico ensaia novos modelos para o jornalismo investigativo Ver galeria

Um dos principais actores no campo do jornalismo colaborativo no Báltico é o Re:Baltica – Centro Báltico para a Investigação do Jornalismo de Investigação. O projecto está sediado na capital da Letónia, Riga, e foi criado há oito anos, introduzindo duas ideias inovadoras para a prática do jornalismo na região.

O Centro realiza pesquisas e cria uma história e, posteriormente, fornece-a, a título gratuito, aos meios de comunicação. Em segundo lugar, adoptou um novo modelo de negócio, que depende principalmente de doações e concessões.

O Observatório Europeu de Jornalismo falou recentemente com Inga Springe, questionando-a sobre o trabalho quotidiano de uma organização de comunicação social, sem fins lucrativos, e os desafios que actualmente enfrenta.

Springe defende que que o problema não é o das pessoas lerem o jornal "certo" ou "errado". O problema é não lerem os media tradicionais. Esse foi o motivo que a levou a impulsionar com o projecto Re:Baltica Light e várias reportagens sob a rubrica #StarpCitu (#ByTheWay), disponíveis no YouTube e no Facebook.

Um artigo sobre a organização foi publicado, pela primeira vez, no site do Observatório Europeu de Jornalismo e reproduzido no site da GIJN, do qual a Re:Baltica é membro.

O “LeKiosk” muda para “Cafeyn” e alarga oferta a assinantes Ver galeria

O serviço de notícias LeKiosk mudou de nome para Cafeyn e passou a apresentar-se como um serviço de streaming de informações. O quiosque digital permite a consulta de mais de mil títulos de imprensa francesa e internacional por 9,99 euros por mês.

A mudança de nome e de visual têm como objectivo atrair um público mais numeroso e fazer frente à Apple News+.

De salientar que a alteração da designação é, também, explicada por uma batalha jurídica, iniciada em 2012, entre LeKiosk Monkiosque.fr, publicada pelo Grupo Toutabo.

O departamento de propriedade intelectual da União Europeia decidiu, em Março, que havia um risco de confusão para o público, e que a Toutabo tinha registado a sua marca antes da LeKiosk.

Cafeyn tem, atualmente, cerca de um milhão de utilizadores activos por mês, em comparação com os 200 mil em 2017, que lêem uma média de 15 revistas diferentes. A maior parte destes assinantes foram obtidos através de operadores de telecomunicações, como a Bouygues Telecom e a Free, que oferecem o acesso a alguns dos seus clientes.

Isto permitiu à empresa aumentar o seu volume de negócios, que quintuplicou em três anos.

Em breve deverão ser anunciadas parcerias internacionais.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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19
Nov
Connections Europe
09:00 @ Marriott Hotel, Amsterdão
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10:00 @ Teatro Tivoli
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