Segunda-feira, 24 de Fevereiro, 2020
Fórum

A Internet grátis pode ter os dias contados nos países membros da UE

A directiva sobre os direitos de autor continua a dividir os actores culturais e digitais. Mas todos concordam que vai mudar a face da Web, cujo conteúdo gratuito tem sido um dos seus fundamentos.

Segundo o Le Monde a Internet gratuita pode estar a viver as suas últimas horas, pelo menos na Europa. Recorde-se que em Maio findo , o Jornal Oficial da União Europeia promulgou a directiva polémica, após dois anos de acesos debates.  
O objectivo é cobrar à Google, YouTube e a outras redes sociais os conteúdos que transmitirem. Em Julho, a França tornou-se no primeiro país a ter um "direito conexo" para a imprensa, de modo que os agregadores de notícias na Internet, Google News ou Yahoo! News, paguem aos editores e às agências de publicidade quando usam artigos, notícias, fotos ou vídeos de jornalistas.

O projecto de lei foi adoptado pelo Parlamento francês, com base numa das principais disposições da mesma directiva europeia sobre "copyright e direitos conexos no mercado único digital", que todos os estados-membros devem transpor para a sua lei até 7 de junho de 2021.

O Ministro da Cultura francês, Franck Riester, solicitou mesmo ao Conselho Superior de Propriedade Literária e Artística, que retomasse a ideia de um imposto "Google Images" a ser pago em 2020 (segundo o mesmo princípio da lei de direitos conexos) a autores de fotos postadas on-line em "serviços automáticos de recuperação de imagens".

 

Raramente uma directiva europeia tem sido tão controversa. Seis países votaram contra: Itália, Finlândia, Suécia, Luxemburgo, Polônia e Holanda e abstiveram-se: Bélgica, Estónia e Eslovénia.

Após dois anos de argumentos esgrimidos com veemência por ambos os lados, os profissionais da cultura fizeram valer os seus argumentos contra as principais plataformas da Internet. A Google e a sua afiliada YouTube, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft , Netflix, Spotify, Deezer, Dailymotion, Yahoo! e muitos outros serão forçados a fornecer aos criadores uma "compensação proporcional e apropriada" pelos seus conteúdos on-line e "fazer um maior esforço" para combater a pirataria em defesa da propriedade intelectual.

Os riscos financeiros são consideráveis, as novas responsabilidades a serem cobradas pelas plataformas digitais podem custar caro, tanto no pagamento de royalties aos detentores de direitos de autor, como em multas por infrações.

"Sem poder quantificar os benefícios, a adoção definitiva da directiva de direitos autorais estabelece as bases para um modelo económico mais justo no mercado digital", afirma o músico Jean-Michel Jarre.

Mais informação em Le Monde

Connosco
Faleceu Vasco Pulido Valente cronista singular de imprensa Ver galeria

Faleceu o historiador, escritor, ensaísta e  cronista de imprensa, enquanto comentador político, Vasco Pulido Valente. A informação foi confirmada ao jornal “Público” e ao “Observador” por fonte familiar. 

 Vasco Pulido Valente, distinguiu-se como colunista com textos repartidos por vários jornais, e pela acidez irónica que cultivava nos seus comentários, invariavelmente cáusticos e certeiros em relação a não poucos actores do espaço político-partidário.

 O nome que o tornou célebre (e temido), era o pseudónimo de Vasco Valente Correia Guedes, que nasceu em Lisboa a 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa e tirou um doutoramento em História pela Universidade de Oxford. No final da década de 60, uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian permitiu-lhe estudar em Inglaterra, onde se doutorou, sendo um devoto de uma certa cultura académica, típica de Oxford.


Guia para um discurso jornalístico simplificado... Ver galeria

As “hard news” podem tornar-se pouco atractivas para os leitores, devido à linguagem formal e à utilização de conceitos desconhecidos pela maioria do “comum dos mortais”. 

Por muito que os jornalistas se esforcem para fazer passar a mensagem de forma clara, muitas vezes trabalham em “contra-relógio”, o que torna difícil a tarefa de escrever de maneira apelativa. Foi a pensar nesses profissionais que a jornalista Roy Peter Clark elaborou um pequeno guia, publicado na revista “Poynter”. 

Para a autora, o mais importante é escrever como quem conversa com um amigo num bar. É crucial utilizar linguagem simplificada, dar exemplos e explicar conceitos. Assim, poderá ser útil falar sobre o conteúdo, ainda que em monólogo, e só depois escrevê-lo.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

ver mais >
Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...