Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
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A Internet grátis pode ter os dias contados nos países membros da UE

A directiva sobre os direitos de autor continua a dividir os actores culturais e digitais. Mas todos concordam que vai mudar a face da Web, cujo conteúdo gratuito tem sido um dos seus fundamentos.

Segundo o Le Monde a Internet gratuita pode estar a viver as suas últimas horas, pelo menos na Europa. Recorde-se que em Maio findo , o Jornal Oficial da União Europeia promulgou a directiva polémica, após dois anos de acesos debates.  
O objectivo é cobrar à Google, YouTube e a outras redes sociais os conteúdos que transmitirem. Em Julho, a França tornou-se no primeiro país a ter um "direito conexo" para a imprensa, de modo que os agregadores de notícias na Internet, Google News ou Yahoo! News, paguem aos editores e às agências de publicidade quando usam artigos, notícias, fotos ou vídeos de jornalistas.

O projecto de lei foi adoptado pelo Parlamento francês, com base numa das principais disposições da mesma directiva europeia sobre "copyright e direitos conexos no mercado único digital", que todos os estados-membros devem transpor para a sua lei até 7 de junho de 2021.

O Ministro da Cultura francês, Franck Riester, solicitou mesmo ao Conselho Superior de Propriedade Literária e Artística, que retomasse a ideia de um imposto "Google Images" a ser pago em 2020 (segundo o mesmo princípio da lei de direitos conexos) a autores de fotos postadas on-line em "serviços automáticos de recuperação de imagens".

 

Raramente uma directiva europeia tem sido tão controversa. Seis países votaram contra: Itália, Finlândia, Suécia, Luxemburgo, Polônia e Holanda e abstiveram-se: Bélgica, Estónia e Eslovénia.

Após dois anos de argumentos esgrimidos com veemência por ambos os lados, os profissionais da cultura fizeram valer os seus argumentos contra as principais plataformas da Internet. A Google e a sua afiliada YouTube, Apple, Facebook, Amazon, Microsoft , Netflix, Spotify, Deezer, Dailymotion, Yahoo! e muitos outros serão forçados a fornecer aos criadores uma "compensação proporcional e apropriada" pelos seus conteúdos on-line e "fazer um maior esforço" para combater a pirataria em defesa da propriedade intelectual.

Os riscos financeiros são consideráveis, as novas responsabilidades a serem cobradas pelas plataformas digitais podem custar caro, tanto no pagamento de royalties aos detentores de direitos de autor, como em multas por infrações.

"Sem poder quantificar os benefícios, a adoção definitiva da directiva de direitos autorais estabelece as bases para um modelo económico mais justo no mercado digital", afirma o músico Jean-Michel Jarre.

Mais informação em Le Monde

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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