Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
Media

Imprensa generalista em queda e digital não compensa

Os títulos de informação generalista, de circulação impressa paga, continuam a seguir uma tendência descendente, com o balanço do primeiro semestre do ano a confirmar a evolução negativa.

A circulação digital paga mantem uma tendência de crescimento em várias publicações. No entanto, continua insuficiente para compensar as quebras na circulação impressa. Entre os generalistas, o Público é a única excepção que apresenta um crescimento digital compensatório da quebra registada na circulação impressa.

O Público, mantém um saldo positivo com o crescimento de 15% na circulação digital paga. Passou de 11.950, nos meses de Janeiro a Junho de 2018, para 13.744 nos primeiros seis meses de 2019 e superou a quebra de 0,5% na circulação impressa paga. O saldo é de uma circulação total paga de 30.890, o que equivale a um crescimento de 5,9% relativamente aos 29.183 registados no primeiro semestre de 2018.

A liderança no digital continua a pertencer ao Expresso, com uma circulação paga de 26.126, o que representa um crescimento de 6,5% relativamente aos números registados no semestre homólogo em 2018. Mesmo assim, o saldo é negativo já que a circulação total paga do semanário é de 83.604, uma descida de 2,9% face aos 86.101 que apresentava há um ano.

Também com resultados positivos no digital está o Correio da Manhã. Com uma base menos expressiva de 1.559, sobe17,7%, mas, encerra os seis primeiros meses de 2019 com saldo negativo de -8,2% na circulação total paga. O Jornal de Notícias e Diário de Notícias registam respectivamente quebras no digital, ao descerem, para 5.088 (-17,9%) e 1.516 (-56,6%) e na circulação total paga diminuem 8% e 39,4%.

Entre as news magazines, a Sábado com uma média de circulação impressa paga de 36.477 exemplares, perde a liderança com os 36.582 exemplares vendidos pela Visão no primeiro semestre de 2019.

Mais informação em Meios e Publicidade 

Connosco
Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

O relatório vem publicado no site da APM com quem a CPI tem um acordo de parceria.
Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
A necessidade proteger o jornalismo do discurso inflamado Ver galeria

Os media e os jornalistas, parecem ter sido dominados pela energia estonteante dos discursos inflamados, da ofensa ao adversário e da mentira persuasiva que apelam á emoção em vez da razão, defende José Antonio Zarzalejos , nos  Cuadernos de Periodismo  da  APM, com a qual o CPI tem um acordo de parceria.

Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

Nesta lógica comunicacional,  a transformação do estrangeiro em inimigo, e da dissidência em dissidente, são procedimentos  na arena política, segundo  o autor.
A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


Retomamos este site do Clube num ambiente depressivo para os media portugueses. Os dados da APCT  que inserimos noutro espaço, relativos ao primeiro semestre do ano, confirmam uma tendência decrescente da circulação impressa, afectando a quase totalidade dos jornais.

Pior: na maior parte dos casos a subscrição digital está longe de compensar essas perdas, havendo ainda situações em vias de um desfecho crítico.


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Opinião
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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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Uma das coisas em que a informação sobre o mercado publicitário português peca é na análise das contas que são ganhas pelas agências de meios aqui em Portugal. Volta e meia vejo notícias do género a marca X decidiu atribuir a sua conta de publicidade em Portugal à agência Y. Quando se vai a ver, o que aconteceu é que a marca internacional X decidiu num qualquer escritório em Londres, Paris ou Berlim,...
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