Segunda-feira, 23 de Setembro, 2019
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Quando os jornalistas precisam de ajuda para lidar com o “stress”

A maioria dos jornalistas pensa que sabe a lidar bem com o stress. Mas isso não corresponde à realidade. Segundo Elana Newman, directora de investigação do Dart Center para jornalismo da Universidade de Columbia, os jornalistas costumam esconder, por detrás de uma capa de verniz de bravata, problemas de saúde mental.

Já não são apenas os correspondentes de guerra que precisam de cuidados de saúde mental. Newmam, afirma que "existem alguns subgrupos que estão mais em risco, como os repórteres que cobrem assuntos relacionados com a polícia, guerra ou desastres. São jornalistas que, em todas as áreas, precisam de formação sobre como ultrapassar o trauma, porque ele está presente a cada esquina”.
"Problemas de dependência, alta ansiedade, promiscuidade e stress pós traumático estão omnipresentes", particularmente quando se trata de correspondentes de guerra”, afirma Anna Mortimer, fundadora da The Mind Field. Essa organização, constituída por uma rede de terapeutas com experiência em relatórios e ajuda internacional, trata clientes nessa área e procura abordar tanto o ubíquo stress de ser um repórter, como os desafios peculiares de uma era politizada, onde os jornalistas são cada vez mais insultados e apontados como alvos.

Grupos como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas e o Centro Dart para Jornalismo e Trauma, estão a publicar manuais e a treinar repórteres para lidar com o stress. A Thompson Reuters, contratou um jornalista especializado em saúde mental e um técnico de bem-estar para ajudar os editores e repórteres a avaliar a necessidade de cuidados de saúde mental.

 

“Usualmente, sempre que os membros da imprensa apresentavam as suas credenciais deixavam de ser um alvo. Mas, agora, estão a tornar-se cada vez mais em alvos”, afirma Elana Newman. É difícil afirmar com alguma precisão o grau dessa hostilidade como fonte de stress. Mas a Associação Americana de Psicologia descobriu num estudo de 2016 que 57% dos norte-americanos descreveram o clima político como “uma fonte significativa ou um tanto significativa de stress.

Isso é potencialmente verdade para os jornalistas que cobrem questões politizadas, diz Lynn Bufka, directora executiva assistente de pesquisa e política da APA. "Há dez anos atrás, o clima político era menos presente, a menos que vivêssemos na área metropolitana de Washington DC, agora recebemos esse tipo de notícias em qualquer lugar do país, tanto de fontes de notícias tradicionais como através das redes sociais."

 Usualmente, a resposta ao trauma, diz Mortimer sobre seus clientes, é a exaustão e a tentação de deixar o emprego. "Eles dizem: 'Eu não quero mais fazer isso', em vez de lidar com as consequências emocionais. É por isso que o esgotamento é enorme ”.

A crescente presença de repórteres femininas ajudou a aliviar o estigma em torno do tratamento da saúde mental na indústria. Newman diz que “as mulheres que entram na profissão estão lentamente a quebrar as atitudes que os repórteres “deveriam eliminar”.

Bufka aconselha que os repórteres iniciem sempre que possível a eliminação de factores stressantes do seu meio ambiente. “Temos que olhar para as partes do ambiente que podemos controlar: onde moramos, o trabalho que estamos a fazer e questionar: 'Que capacidade tenho de mudar a minha situação para aquilo que é melhor para mim? 'versus' O que tenho o desejo de controlar e não posso?”.

Quando fazem essas perguntas muitos jornalistas percebem o valor dos cuidados de saúde mental. O peculiar sobre os cuidados de saúde mental, diz Mortimer, “é que as pessoas estão dispostas a falar sobre outros indivíduos. Dizem que é uma óptima ideia e que há muitos que precisam, mas eles não veem essa necessidade para si próprios.”

“Admitir que precisamos de ajuda, diz ela, é um acto de bravura, não de covardia. "Todos que iniciam terapia sentem-se um pouco indignos, pensam que não sofreram o suficiente", afirma Mortimer. “Mas uma vez que admitem que é a sua narrativa, a sua história e aceitam isso, podem ser capazes de seguir em frente”.

Mais informação na Columbia Journalism Review

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Estudo revela cepticismo sobre cobrança generalizada de conteúdos Ver galeria

Num relatório da KMPG intitulado “Presente e futuro do sector intermediário”, os empresários de media concordam que, a transição progressiva para um sistema de pagamento de conteúdos é necessária.

No entanto, apenas 38% desses executivos estão convencidos de que a cobrança pelos conteúdos digitais será generalizada nos próximos três anos. Entretanto, 62% acreditam que o modelo aberto e de pagamento coexistirá nesse período.

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Segundo o mesmo relatório, as cinco tendências que marcarão a agenda do sector dos media são as seguintes: a busca de um modelo de negócios rentável e sustentável, o potencial da publicidade digital, o compromisso com a qualidade, a análise de dados e alianças entre empresas jornalísticas.
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Especialmente, em período de eleições, a transmissão de mensagens “tornou-se um exercício de impostura e num território onde tudo é permitido, incluindo o insulto e a mentira”.

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A receptividade para acolher  argumentos contrários  ou partilhar pensamentos diversos,  de acordo com   Zarzalejos, passou a ser entendido como uma abordagem fraca, sem convicção.

O Clube


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As limitações do nosso jornalismo
Francisco Sarsfield Cabral
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