Segunda-feira, 24 de Fevereiro, 2020
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Quando os jornalistas precisam de ajuda para lidar com o “stress”

A maioria dos jornalistas pensa que sabe a lidar bem com o stress. Mas isso não corresponde à realidade. Segundo Elana Newman, directora de investigação do Dart Center para jornalismo da Universidade de Columbia, os jornalistas costumam esconder, por detrás de uma capa de verniz de bravata, problemas de saúde mental.

Já não são apenas os correspondentes de guerra que precisam de cuidados de saúde mental. Newmam, afirma que "existem alguns subgrupos que estão mais em risco, como os repórteres que cobrem assuntos relacionados com a polícia, guerra ou desastres. São jornalistas que, em todas as áreas, precisam de formação sobre como ultrapassar o trauma, porque ele está presente a cada esquina”.
"Problemas de dependência, alta ansiedade, promiscuidade e stress pós traumático estão omnipresentes", particularmente quando se trata de correspondentes de guerra”, afirma Anna Mortimer, fundadora da The Mind Field. Essa organização, constituída por uma rede de terapeutas com experiência em relatórios e ajuda internacional, trata clientes nessa área e procura abordar tanto o ubíquo stress de ser um repórter, como os desafios peculiares de uma era politizada, onde os jornalistas são cada vez mais insultados e apontados como alvos.

Grupos como o Comitê para a Proteção dos Jornalistas e o Centro Dart para Jornalismo e Trauma, estão a publicar manuais e a treinar repórteres para lidar com o stress. A Thompson Reuters, contratou um jornalista especializado em saúde mental e um técnico de bem-estar para ajudar os editores e repórteres a avaliar a necessidade de cuidados de saúde mental.

 

“Usualmente, sempre que os membros da imprensa apresentavam as suas credenciais deixavam de ser um alvo. Mas, agora, estão a tornar-se cada vez mais em alvos”, afirma Elana Newman. É difícil afirmar com alguma precisão o grau dessa hostilidade como fonte de stress. Mas a Associação Americana de Psicologia descobriu num estudo de 2016 que 57% dos norte-americanos descreveram o clima político como “uma fonte significativa ou um tanto significativa de stress.

Isso é potencialmente verdade para os jornalistas que cobrem questões politizadas, diz Lynn Bufka, directora executiva assistente de pesquisa e política da APA. "Há dez anos atrás, o clima político era menos presente, a menos que vivêssemos na área metropolitana de Washington DC, agora recebemos esse tipo de notícias em qualquer lugar do país, tanto de fontes de notícias tradicionais como através das redes sociais."

 Usualmente, a resposta ao trauma, diz Mortimer sobre seus clientes, é a exaustão e a tentação de deixar o emprego. "Eles dizem: 'Eu não quero mais fazer isso', em vez de lidar com as consequências emocionais. É por isso que o esgotamento é enorme ”.

A crescente presença de repórteres femininas ajudou a aliviar o estigma em torno do tratamento da saúde mental na indústria. Newman diz que “as mulheres que entram na profissão estão lentamente a quebrar as atitudes que os repórteres “deveriam eliminar”.

Bufka aconselha que os repórteres iniciem sempre que possível a eliminação de factores stressantes do seu meio ambiente. “Temos que olhar para as partes do ambiente que podemos controlar: onde moramos, o trabalho que estamos a fazer e questionar: 'Que capacidade tenho de mudar a minha situação para aquilo que é melhor para mim? 'versus' O que tenho o desejo de controlar e não posso?”.

Quando fazem essas perguntas muitos jornalistas percebem o valor dos cuidados de saúde mental. O peculiar sobre os cuidados de saúde mental, diz Mortimer, “é que as pessoas estão dispostas a falar sobre outros indivíduos. Dizem que é uma óptima ideia e que há muitos que precisam, mas eles não veem essa necessidade para si próprios.”

“Admitir que precisamos de ajuda, diz ela, é um acto de bravura, não de covardia. "Todos que iniciam terapia sentem-se um pouco indignos, pensam que não sofreram o suficiente", afirma Mortimer. “Mas uma vez que admitem que é a sua narrativa, a sua história e aceitam isso, podem ser capazes de seguir em frente”.

Mais informação na Columbia Journalism Review

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Faleceu Vasco Pulido Valente cronista singular de imprensa Ver galeria

Faleceu o historiador, escritor, ensaísta e  cronista de imprensa, enquanto comentador político, Vasco Pulido Valente. A informação foi confirmada ao jornal “Público” e ao “Observador” por fonte familiar. 

 Vasco Pulido Valente, distinguiu-se como colunista com textos repartidos por vários jornais, e pela acidez irónica que cultivava nos seus comentários, invariavelmente cáusticos e certeiros em relação a não poucos actores do espaço político-partidário.

 O nome que o tornou célebre (e temido), era o pseudónimo de Vasco Valente Correia Guedes, que nasceu em Lisboa a 21 de Novembro de 1941. Licenciou-se em Filosofia pela Faculdade de Letras de Lisboa e tirou um doutoramento em História pela Universidade de Oxford. No final da década de 60, uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian permitiu-lhe estudar em Inglaterra, onde se doutorou, sendo um devoto de uma certa cultura académica, típica de Oxford.


Guia para um discurso jornalístico simplificado... Ver galeria

As “hard news” podem tornar-se pouco atractivas para os leitores, devido à linguagem formal e à utilização de conceitos desconhecidos pela maioria do “comum dos mortais”. 

Por muito que os jornalistas se esforcem para fazer passar a mensagem de forma clara, muitas vezes trabalham em “contra-relógio”, o que torna difícil a tarefa de escrever de maneira apelativa. Foi a pensar nesses profissionais que a jornalista Roy Peter Clark elaborou um pequeno guia, publicado na revista “Poynter”. 

Para a autora, o mais importante é escrever como quem conversa com um amigo num bar. É crucial utilizar linguagem simplificada, dar exemplos e explicar conceitos. Assim, poderá ser útil falar sobre o conteúdo, ainda que em monólogo, e só depois escrevê-lo.

O Clube


Três jornais açorianos celebram este ano aniversários redondos. O Diário dos Açores completa século e meio de existência , o que é marcante. O Jornal dos Açores perfaz cem anos, outra vitória sobre o tempo. E o Açoriano Oriental , chega aos 185 anos , uma longevidade qualificada , que o coloca entre os diários mais antigos em publicação. A todos o Clube Português de Imprensa felicita , pela resistência e pelo mérito , numa época em que floresce a falta de memória nas redações. E associa-se neste site às respectivas efemérides.
Houve tempo em que os jornais se felicitavam com júbilo, e parabenizavam os concorrentes aniversariantes. Tempos idos. Agora , ignoram-se como se houvesse um deserto à volta de cada um.
Ser diário centenário num arquipélago de pouca gente, de onde tantos emigraram, e sobreviver em confronto com a agressividade da Internet e dos audiovisuais , é proeza de vulto.
São uma lição que merece relevo, cheia de ensinamentos para outros que desistiram antes de tempo.

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Opinião
Neste primeiro semestre, três jornais açorianos comemoram uma longevidade assinalável. Conforme se regista noutros espaços deste site, o Diário dos Açores acabou de completar século e meio de existência;  em Abril, será a vez do Açoriano Oriental,  o mais antigo, soprar 185 velas; e, finalmente em Maio, o Correio dos Açores alcança o seu primeiro centenário. Em tempo de crise na Imprensa,...
O volume de investimento publicitário na imprensa tem estado em queda, mas vários estudos indicam que os leitores de jornais e revistas continuam a ser influenciados pela publicidade que encontram nas páginas das publicações que consomem regularmente. Por outro lado a análise dos dados do mais recente estudo Bareme Impresa, da Marktest, revela que os indivíduos da classe alta têm níveis de audiência de imprensa 40% acima dos...
Graves ameaças à BBC News
Francisco Sarsfield Cabral
A BBC é, provavelmente, a referência mundial mais importante do jornalismo. Foi uma rádio muito ouvida em Portugal no tempo da ditadura, para conhecer notícias que a censura não deixava publicar. E mesmo depois do 25 de Abril, durante o chamado PREC (processo revolucionário em curso) também o recurso à BBC News por vezes dava jeito para obter uma informação não distorcida por ideologias políticas.Ora a BBC News...