Segunda-feira, 19 de Agosto, 2019
Media

Jornalistas do "Expresso" aprovam novo Código de Conduta

O Código de Conduta dos Jornalistas do Expresso, cuja primeira versão data de 2008, foi actualizado, nomeadamente nos seus Artigos 12º  (que se refere ao respeito pela privacidade de personalidades que sejam objecto de notícia)  e 26º (que trata do fenómeno novo das Redes Sociais).

Conforme é declarado no próprio Expresso, que aqui citamos, “por iniciativa da Direcção foi enviado um documento de trabalho ao Conselho de Redacção”:

“Este foi discutido ao longo de várias semanas em sucessivas reuniões, na sequência das quais foi elaborado um documento final com uma proposta que foi disponibilizada à redacção atempadamente para que a pudessem estudar e propor alterações. O documento foi depois amplamente discutido, alterado e votado em três sessões plenárias abertas a todos os elementos da redacção.”

A votação da alteração feita ao Artigo 12º foi aprovada por unanimidade, tendo o novo Artigo 26º sido aprovado apenas com um voto contra. 

É como segue a nova redacção do Artigo 12º: 

“Existe o dever de respeitar a privacidade, vida familiar, casa, saúde e correspondência de todo e qualquer cidadão. Esta obrigação inclui detentores de cargos públicos e institucionais, bem como celebridades como jogadores de futebol, escritores, artistas, empresários, dirigentes sindicais e empresariais, salvo em situações especiais e devidamente justificadas em que esteja manifestamente em causa o interesse público, ou quando ocorram situações em que os atos de uma personalidade contradigam o seu discurso público. 

Não se explora a relação familiar ou de amizade de pessoas com suspeitos, acusados ou condenados. 

Não é admissível a utilização de meios ocultos para a obtenção de imagens da esfera privada de uma pessoa e/ou da sua família, em local público ou privado, sem a sua autorização. 

Da mesma forma, ao jornalista é vedada a gravação de conversas sem autorização do interlocutor ou a publicação de informação obtida diretamente pelo jornalista de forma ilegal ou clandestina.” 

O Artigo 26º, sobre as Redes Sociais, estipula que, “independentemente da plataforma utilizada, o jornalista deve respeitar o presente Código de Conduta; assim, o jornal defende uma utilização das Redes Sociais sempre em conformidade com as regras deontológicas do jornalismo”. 

Para este fim, o Expresso elaborou um conjunto de recomendações para actuação nestas plataformas, que podem ser consultadas no anexo a este Código de Conduta. 

Ainda na parte noticiosa do texto, é dito que “foram votadas, uma a uma, as recomendações, tendo sido quase todas aprovadas por maioria qualificada. Houve pontos que foram acrescentados, outros retirados, alterados e alguns inclusive fundidos depois de amplo debate”. 

“No final da terceira sessão plenária o documento foi de novo sujeito a uma votação global, tendo sido aprovada com dois votos contra.”

 

Mais informação no  Expresso

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

O Clube

É tempo de férias. E este site do Clube Português de Imprensa (CPI) não foge à regra e volta a respeitar Agosto,  como o mês mais procurado pelos seus visitantes para uma pausa nos afazeres. Suspendemos, por isso,  a  actualização diária,  a partir do  fim de semana. 

Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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