Segunda-feira, 19 de Agosto, 2019
Media

Grupo Media Capital com gestão no "fio da navalha"

A Media Capital encerrou o primeiro semestre de 2019 com lucros de 5,9 milhões de euros, passando para terreno positivo depois dos prejuízos do primeiro trimestre, mas registando uma queda de 44% em relação aos 10,5 milhões de euros do período homólogo em 2018.

A evolução negativa neste primeiro semestre deve-se a uma subida de 7% dos gastos operacionais, que chegaram aos 72,1 milhões de euros, incluindo os gastos de reestruturação, que dispararam 94%, para os 686 mil euros.

O desempenho financeiro da Media Capital traduz-se, assim, num EBITDA de 14,2 milhões de euros, que representa uma quebra de 27% em relação aos 19,4 milhões do semestre homólogo em 2018.

Segundo a M&P, que aqui citamos, ao contrário do primeiro trimestre, cujo resultado negativo foi registado apesar de as receitas terem crescido 1%, também os rendimentos operacionais registam agora uma descida de 1%, passando dos 86,9 milhões de euros para os 86,4 milhões. 

“Descida esta que ficou a dever-se a uma redução de 3% no item Outros Rendimentos (produção audiovisual, serviços multimédia e rendimentos de cedência de sinal), fixados em 27,4 milhões de euros, já que as receitas publicitárias cresceram 1% para perto de 59 milhões de euros.”  (...) 

Na análise dos resultados do Grupo por segmento, a quebra das receitas no primeiro semestre “foi travada pelo bom desempenho do sector da rádio, cujas receitas cresceram 23%, já que as áreas de negócio de televisão e produção audiovisual encerram os primeiros seis meses de 2019 com quebras nas receitas de 2% e 3%, respectivamente”. 

“O segmento de televisão, onde está concentrada a grande maioria das receitas da Media Capital, fecha o semestre com rendimentos de 70,3 milhões de euros, com a publicidade a descer 1%, passando de 48 milhões de euros para 47,3 milhões de euros, enquanto o item Outros Rendimentos desce 2% para cerca de 22,9 milhões de euros.” 

“Além da descida nos rendimentos operacionais, a área de televisão, que além da TVI conta com canais cabo como TVI24, TVI Ficção e TVI Reality, viu os gastos operacionais subirem 9%, passando de 56,6 milhões de euros no primeiro semestre de 2018 para os 61,5 milhões de euros entre Janeiro e Junho deste ano, incluindo 414 mil euros de gastos com reestruturações.” 

“Números que fazem com que a área de televisão, que neste primeiro semestre viu a liderança da TVI nos últimos 14 anos escapar para a SIC, encerre o exercício do primeiro semestre com o resultado operacional a cair 50%, de 13,6 milhões de euros para 6,8 milhões, e com o EBITDA a sofrer uma quebra de 41%, passando dos 14,8 milhões de euros no primeiro semestre do último ano para 9,1 milhões este ano.”  (...)

 

 

Mais informação na M&P  e no Jornal de Negócios

Connosco
História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

"Jornalismo de soluções" como mito ou alternativa Ver galeria

Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

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Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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