Terça-feira, 10 de Dezembro, 2019
Media

Jornalista chinês condenado ao silêncio

O jornalista chinês Huang Qi, criador do site 64 Tianwang, de denúncia do massacre na Praça Tien an Men e de outras violações dos direitos humanos, foi condenado a doze anos de prisão por “divulgação de segredos de Estado”.  Huang Qi, de 56 anos, tinha sido detido em Novembro de 2016, pouco depois de ter recebido o Prémio Liberdade de Imprensa dos Repórteres sem Fronteiras, precisamente pelo seu testemunho por meio do referido site.
Segundo Le Monde, recebera em 2004 outro Prémio dos RSF, como ciber-dissidente, sendo “o primeiro opositor chinês a cumprir pena por utilizar a Internet para fins políticos”.

Em Dezembro do ano passado, um documento do Gabinete do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, assinado por quatro peritos da instituição, apelava à sua libertação e alertava para as condições de saúde de Huang Qi, que deve ser libertado “antes que seja tarde demais”.

O texto sublinha que o seu estado de saúde vai “deteriorar-se até a um ponto fatal” se ele continuar na prisão, onde é vítima de maus tratos e não tem o devido acompanhamento médico.

O título do site 64 Tianwang  inclui, nos primeiros algarismos, a data do massacre ocorrido em 4 de Junho de 1989 em Pequim, que é referido na China como “6-4”. 

Os defensores de Huang Qi descrevem-no como “um dos mais importantes e bem informados activistas a fazerem a monitorização dos direitos humanos na China de hoje”  -  segundo The Guardian. A sua detenção torna esse esforço mais difícil. 

Como afirma Frances Eve, vice-directora da ONG Chinese Human Rights Defenders,  [esta detenção] “manda um sinal forte a outros que denunciam abusos; se eles conseguirem silenciar os monitores dos direitos humanos, vão tornar mais difícil tomar conhecimento das violações dos direitos que ocorrem na China”. 

“O site de Huang Qi, que fazia a cobertura de corrupção a nível local, violações dos direitos humanos e outros tópicos raramente vistos nos meios de comunicação chineses, está bloqueado no país.” 

Os quatro relatores do apelo do Gabinete do Alto Comissário das Nações para os direitos Humanos são  Seong-Phil Hong, do Grupo de Trabalho sobre Detenções Arbitrárias;  Dainius Puras, sobre o direito às melhores condições possíveis de saúde física e mental;  Michel Forst, sobre a situação dos defensores dos direitos humanos;  e Nils Melzer, sobre as situações de tortura e outras formas de tratamentos cruéis e degradantes.  

 

Mais informação em Le MondeThe Guardian  e nos RSF.

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A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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