Terça-feira, 10 de Dezembro, 2019
Media

Jornalistas britânicos aconselhados a evitar "armadilhas"...

Claro que há algumas semelhanças notáveis entre Boris Johnson e Donald Trump  -  tais como o penteado, a parcimónia no uso da verdade e a conflituosidade.  Mas os jornalistas britânicos deviam prestar mais atenção às armadilhas encontradas nos EUA, durante estes três anos de Trump, e separar o que é importante e substancial daquilo que é apenas falso e superficial.

A reflexão, que aqui citamos do diário The Guardian, é da jornalista britânica Emily Bell, docente na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, que afirma:

"As presentes circunstâncias políticas bizarras e o fascínio de um líder carismático e controverso proporcionam material de edição fácil, mas também colocam um desafio aos jornalistas políticos."

A autora conta que a notícia importante da semana, nos Estados Unidos, foi o testemunho prestado por Robert Mueller a duas comissões do Congresso, sobre o conteúdo do seu relatório sobre a interferência russa nas eleições presidenciais de 2016. 

“A substância do seu testemunho foi que houve interferência, e que continua a haver. Mesmo que já soubéssemos, isto ainda era assunto importante. No entanto, o modo como foi feita a cobertura das declarações conta uma história diferente. O sucesso da sua apresentação foi julgado em termos da forma e não do conteúdo.”  (...) 

“A cobertura superficial de Mueller deu aos críticos dos media uma oportunidade de, mais uma vez, apontarem a tendência dos jornalistas políticos nos EUA para avaliarem a política como uma produção de teatro, focando-se no drama e na qualidade de bilheteira destes tempos extraordinários, em vez de aprofundarem o seu significado.”  (...) 

Emily Bell cita outro comentário oportuno, neste caso de Kyle Pope, o director da Columbia Journalism Review, que “oferece um bom conselho aos jornalistas independentes, no Reino Unido, na sequência de Trump”: 

“Eu gostaria de encorajar os repórteres do Reino Unido a serem rudemente honestos consigo próprios e com os seus leitores, a respeito de quem é Boris e quais são as suas motivações, e então seguirem em frente. Não deixem que ele se torne o vosso editor, não deixem que seja ele a ditar a agenda noticiosa.”  (...) 

“Fazer mais a cobertura do estilo do que da substância, tolerar profundos conflitos de interesse não declarados, ampliar e repetir coisas que se sabe não serem verdade, em busca de atenção ou vantagem partidária, são historicamente mais uma característica do que uma falha do jornalismo político britânico. São o modelo de negócio de importantes impérios de Imprensa, muito mais agora que estão postos em perigo por um mercado que pode encontrar entretenimento mais barato e com mais facilidade noutro sítio.”  (...) 

“Claro que muitos jornalistas preferiam despedir-se a terem de fazer o seu ofício seguindo o formato de Boris Johnson. Vale a pena repetir, muitas vezes, que o facto de sabermos alguma coisa de substância sobre o nosso actual momento político se deve ao trabalho insistente de investigadores e repórteres que continuam a escavar e a apresentar os aspectos menos divertidos da vida pública.”  (...) 

A concluir, Emily Bell afirma que  “talvez a maior lição que os media britânicos podem tirar da experiência de Trump nos EUA seja a de que o seu trabalho é importante para as pessoas, para além dos seus leitores ou audiência, e que, para esse objectivo, precisa de ser mais rigoroso e mais sério”.  (...)

 

O artigo aqui citado, na íntegra em  The Guardian

Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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