Terça-feira, 10 de Dezembro, 2019
Media

Já se faz jornalismo por telemóvel para "directos" de televisão

O uso dos smartphones como instrumento de reportagem está a tornar-se comum, mas poucos media terão ido tão longe, nesta direcção, como a cadeia de televisão News5, nas Filipinas. O chamado “jornalismo móvel”, identificado pela sigla MoJo, quase substitui as redacções fixas, desde a recolha de imagens à edição e emissão. O conceito é discutível, no mínimo, mas vale a pena ouvir, sobre esta matéria, a editora de conteúdos digitais da News5, Ana Puod, que deu uma conferência sobre o MoJo  durante a Mobile Journalism Conference Asia, realizada em Bangkok no mês de Junho, e foi entrevistada pela IJN – International Journalists’ Network.

Ana Puod conta que já fazem “50% da reportagem e edição de notícias em câmaras tradicionais, e os outros 50% com telemóveis, para filmar, editar, publicar e transmitir conteúdos de vídeo”. Segundo o Relatório Digital Global 2019, que cita, “os filipinos são os maiores utentes da Internet no mundo, e uma investigação recente sugere que um em cada cinco utiliza todos os dias o Facebook para aceder a notícias”.

Ana Puod acrescenta que foi criada na empresa “uma dinâmica de trabalho em que os jornalistas investigam e escrevem textos nos seus telemóveis, que chegam a um editor digital por uma aplicação de chat”: 

“Isto significa que podem trabalhar em modo remoto e mesmo assim dar últimas notícias, como a televisão ou as redacções dos jornais.” 

“Também recebemos reacções e sugestões em tempo real, porque as audiências também estão online, nos seus telemóveis.”

“Os nossos jornalistas saem com um kit de MoJo que consiste num telemóvel com um plano de dados fornecido pela empresa, um tripé pequeno e microfones. Estes acompanham uma equipa tradicional com câmara, e podem entrar em directo a qualquer altura, pelo telemóvel via Facebook ou pela aplicação AviWest, ou pela câmara de TV utilizando um equipamento portátil de satélite.” 

Interrogada sobre quais são os maiores problemas na integração dos vídeos de telemóvel na emissão de TV, a entrevistada responde: 

“O maior desafio é o da qualidade dos ficheiros de vídeo e áudio, principalmente porque estes ficheiros, em bruto, são partilhados várias vezes entre o e-mail e as aplicações das redes sociais, antes de serem emitidos, e podem perder qualidade [ser comprimidos] durante o processo.”  (...) 

“Temos evidência de que os nossos consumidores de notícias preferem ver, mais do que ler ou escutar os conteúdos. Assim, embora as citações, a infografia ou o texto possam ser atraentes e trazer envolvimento, são os vídeos que nos trazem dinheiro.”  (...) 

“No início empenhámo-nos muito no Facebook, mas levou tempo a trazer dinheiro. Actualmente estamos particularmente interessados no YouTube, porque os seus esquemas de monetização nos parecem mais atractivos do que os do Facebook ou do Instagram.” 

“Os tipos de conteúdos que geram mais receita para nós são os de serviço público, informação política ou histórias de bem-estar, ou sentido positivo.”

 

A entrevista aqui citada, nas suas versões em espanhol  e em inglês.

O Relatório citado  - Digital 2019: Global Digital Overview.

Connosco
A cientista Fabiola Gianotti recebeu Prémio Helena Vaz da Silva Ver galeria

O Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian acolheu novamente a cerimónia de entrega do  Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a Divulgação do Património Cultural, atribuído , este ano, a Fabiola Gianotti,  cientista italiana em Física de partículas e primeira mulher nomeada directora-geral do Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), por ter contribuido para a divulgação da cultura científica de uma forma atractiva e acessível.

Este Prémio Europeu,  instituído em 2013 pelo Centro Nacional de Cultura (CNC) em cooperação com a  Europa Nostra e o Clube Português de Imprensa (CPI)  recorda a jornalista portuguesa, escritora, activista cultural e política (1939 – 2002), e a sua notável contribuição para a divulgação do património cultural e dos ideais europeus. 

É atribuído anualmente a um cidadão europeu, cuja carreira se tenha distinguido pela difusão, defesa, e promoção do património cultural da Europa, quer através de obras literárias e musicais, quer através de reportagens, artigos, crónicas, fotografias, cartoons, documentários, filmes de ficção e programas de rádio e/ou televisão.

O Prémio conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Fundação Calouste Gulbenkian e do Turismo de Portugal.

Controlo de informação agrava-se e contamina vários países Ver galeria

A China e a Rússia utilizam técnicas de controlo de informação invasivos, desde as comunicações privadas dos cidadãos à censura. 

O uso de sistemas tecnológicos autoritários, por actores estatais, com o objectivo de diminuir os direitos humanos fundamentais dos cidadãos é algo que ultrapassa todos os limites. 

Valentin Weber, do Programa de Bolsas de Estudo de Controlo de Informações do Fundo Aberto de Tecnologia, decidiu realizar uma análise sistemática dos seus drivers e obteve sintomáti cos resultados. 

Através da pesquisa, Valentin descobriu que, até ao momento, mais de cem países compraram, imitaram ou receberam treino em controlo de informação da China e da Rússia.

Verificou, ainda,  casos de países cujos objectivos de controlo e monitorização da informação são semelhantes, como a Venezuela, o Egipto e Myanmar. 

Na lista surgiram, também, países possivelmente menos suspeitos, nos quais a conectividade se está a expandir, como Sudão, Uganda e Zimbábue; várias democracias ocidentais, como Alemanha, França e Holanda; e até mesmo pequenas nações como Trinidad e Tobago. 

“Ao todo, foram detectados 110 países  com tecnologia de vigilância ou censura importada da Rússia ou da China”, refere o artigo da OpenTechnology Fund, publicado no Global Investigative Journalism Network.

O Clube

Este site do Clube, lançado em Novembro de 2016, e com  actividade regular desde então, tem-se afirmado tanto como roteiro do que acontece de novo na paisagem mediática, como ainda no aprofundamento do debate sobre as questões mais relevantes do jornalismo, além do acompanhamento e divulgação das iniciativas do CPI.

O resultado deste esforço tem sido notório, com a fixação de um crescente número de visitantes, oriundos de uma alargada panóplia de países, com relevo para os de língua portuguesa, facto que é muito estimulante e encorajador. 


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