Segunda-feira, 19 de Agosto, 2019
Media

Já se faz jornalismo por telemóvel para "directos" de televisão

O uso dos smartphones como instrumento de reportagem está a tornar-se comum, mas poucos media terão ido tão longe, nesta direcção, como a cadeia de televisão News5, nas Filipinas. O chamado “jornalismo móvel”, identificado pela sigla MoJo, quase substitui as redacções fixas, desde a recolha de imagens à edição e emissão. O conceito é discutível, no mínimo, mas vale a pena ouvir, sobre esta matéria, a editora de conteúdos digitais da News5, Ana Puod, que deu uma conferência sobre o MoJo  durante a Mobile Journalism Conference Asia, realizada em Bangkok no mês de Junho, e foi entrevistada pela IJN – International Journalists’ Network.

Ana Puod conta que já fazem “50% da reportagem e edição de notícias em câmaras tradicionais, e os outros 50% com telemóveis, para filmar, editar, publicar e transmitir conteúdos de vídeo”. Segundo o Relatório Digital Global 2019, que cita, “os filipinos são os maiores utentes da Internet no mundo, e uma investigação recente sugere que um em cada cinco utiliza todos os dias o Facebook para aceder a notícias”.

Ana Puod acrescenta que foi criada na empresa “uma dinâmica de trabalho em que os jornalistas investigam e escrevem textos nos seus telemóveis, que chegam a um editor digital por uma aplicação de chat”: 

“Isto significa que podem trabalhar em modo remoto e mesmo assim dar últimas notícias, como a televisão ou as redacções dos jornais.” 

“Também recebemos reacções e sugestões em tempo real, porque as audiências também estão online, nos seus telemóveis.”

“Os nossos jornalistas saem com um kit de MoJo que consiste num telemóvel com um plano de dados fornecido pela empresa, um tripé pequeno e microfones. Estes acompanham uma equipa tradicional com câmara, e podem entrar em directo a qualquer altura, pelo telemóvel via Facebook ou pela aplicação AviWest, ou pela câmara de TV utilizando um equipamento portátil de satélite.” 

Interrogada sobre quais são os maiores problemas na integração dos vídeos de telemóvel na emissão de TV, a entrevistada responde: 

“O maior desafio é o da qualidade dos ficheiros de vídeo e áudio, principalmente porque estes ficheiros, em bruto, são partilhados várias vezes entre o e-mail e as aplicações das redes sociais, antes de serem emitidos, e podem perder qualidade [ser comprimidos] durante o processo.”  (...) 

“Temos evidência de que os nossos consumidores de notícias preferem ver, mais do que ler ou escutar os conteúdos. Assim, embora as citações, a infografia ou o texto possam ser atraentes e trazer envolvimento, são os vídeos que nos trazem dinheiro.”  (...) 

“No início empenhámo-nos muito no Facebook, mas levou tempo a trazer dinheiro. Actualmente estamos particularmente interessados no YouTube, porque os seus esquemas de monetização nos parecem mais atractivos do que os do Facebook ou do Instagram.” 

“Os tipos de conteúdos que geram mais receita para nós são os de serviço público, informação política ou histórias de bem-estar, ou sentido positivo.”

 

A entrevista aqui citada, nas suas versões em espanhol  e em inglês.

O Relatório citado  - Digital 2019: Global Digital Overview.

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História de um editor espanhol de sucesso em tempo de crise Ver galeria

No decorrer de uma década, e em plena crise económica e do jornalismo,  a Spainmedia ocupou o seu lugar de editora de revistas internacionais na área designada por  lifestyle  - trazendo para o mercado espanhol a versão local de marcas como a Esquire e a Forbes, entre outras.  A história do seu êxito neste espaço é também a de um jornalista, Andrés Rodríguez, que se torna um director editorial bem sucedido  -  e é essa, naturalmente, a primeira pergunta da entrevista que lhe é feita por Media-tics.

A sua resposta é que foi na base de “paixão, entusiasmo e inconsciência”, e muito por tentativa e erro. Logo acrescenta:

“Aprendi, também, a dirigir recursos humanos  - e que, se não formos rentáveis, fechamos mais tarde ou mais cedo. Os media podem sobreviver algum tempo sem rentabilidade mas, por fim, impõe-se a conta dos resultados.”

Reconhece que aprendeu muito na Prisa, mas ficou frustrado com a fronteira marcada entre o sector jornalístico e o financeiro e publicitário. Como explica,  “pensava que para fazer a minha revista eu tinha que poder vender, ter alianças, mas na Prisa isso não podia ser feito por um jornalista”:

“Se alguma coisa corria bem, resultava do êxito do jornalista e do gestor; se corria mal, era resultado do jornalista. Eu queria ser responsável pelo que fizesse mal.”

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Muitos chegam ao jornalismo com o sonho de fazer reportagem que comunique “impacto, conhecimento e inspiração”. Mas quando encontram o espaço ocupado principalmente por notícias negativas, sem caminho de saída, desanimam e chegam a desistir da profissão.

A jornalista argentina Liza Gross conta que passou por isto, tendo deixado o jornalismo “porque estava esgotada a todos os níveis, não só pelo modelo económico como também pelo modo como nós, jornalistas, estávamos a fazer o nosso trabalho”.

O rumo que seguiu levou-a à rede Solutions Journalism Network [Red de Periodismo de Soluciones  nos países de língua espanhola], cujos métodos promove, no sentido de alterar a imagem clássica do jornalista, que deixa de ser apenas o watchdog (“cão de guarda”) que vigia os poderes e denuncia o que está mal, para se tornar o “cão-piloto” capaz de de fazer “a cobertura rigorosa e baseada na evidência de respostas a problemas sociais”.

A reflexão é desenvolvida em dois textos que aqui citamos, da FNPI – Fundación Gabriel García Márquez para el Nuevo Periodismo Iberoamericano, que trabalha em parceria com a Red de Periodismo de Soluciones  para dar formação nesta nova disciplina.

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Quando retomarmos a actualização  das nossas páginas, no inicio de Setembro, contamos com a renovação do interesse dos Associados do Clube e dos milhares de outros frequentadores regulares,  que nos acompanham  em número crescente e que  se revêem neste espaço, formatado no rigor e na independência em que todos nos reconhecemos,  como  valor matricial do Clube, desde a sua fundação,  há quase meio século.   


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